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Manuel António Pina é o vencedor do Prémio Camões 2011, um prémio instituído por Portugal e Brasil que visa distinguir os autores que mais tenham contribuído para o desenvolvimento e enriquecimento da língua portuguesa, sendo o mais importante galardão da lusofonia.

  

O escritor  declarou-se “absolutamente surpreendido” com o galardão, que classificou como “uma forma muito generosa de reconhecimento”.

 

“Quando me foi comunicado pelo presidente do júri, Abel Barros Baptista, talvez há coisa de três quartos de hora, eu disse-lhe justamente que era a coisa mais inesperada que eu poderia esperar. Nem sabia que o júri estava reunido, nem que o prémio ia ser atribuído hoje. Portanto, fiquei absolutamente surpreendido”, afirmou.

 

“Foi uma surpresa enorme, principalmente por me ter sido atribuído a mim. Sinto-me um bocado embaraçado, atendendo à qualidade das pessoas, ao Panteão a quem já foi atribuído anteriormente o prémio. Mas enfim… é surpreendente por isso mesmo, também”, observou.

 

O jornalista e historiador Germano Silva considerou “mais do que justo” a atribuição do Prémio Camões 2011 ao escritor Manuel António Pina, que classificou como “o melhor cronista português” da atualidade.

 

“É um prémio mais do que justo. Considero o Pina como um dos grandes poetas portugueses contemporâneos. Acho que ele é, neste momento, o melhor cronista português”, disse Germano Silva. Germano Silva, que trabalhou com Manuel António Pina no Jornal de Notícias, recordou que o vencedor do Prémio Camões 2011 “foi também jornalista”, profissão em que foi inovador.

 

“Inovou muito no jornalismo português. Deu alma às notícias, com uma abordagem mais poética, mais livre”, afirmou, elogiando o estilo introduzido por Manuel António Pina para contornar o “lápis azul” da censura prévia vigente antes do 25 de Abril de 1974.

 

Para Manuel António Pina, de 67 anos, poeta e autor de livros para crianças e, desde hoje, o 23.º Prémio Camões e o décimo português a recebê-lo (não contando com Luandino Vieira, escritor angolano nascido em Portugal, que o rejeitou em 2006), “os prémios não tornam as obras literárias melhores nem piores”.

 

“São uma forma de reconhecimento e todos nós gostamos de ser reconhecidos nas pequenas coisas que fazemos na vida. Neste caso, é uma forma muito generosa de reconhecimento. Mas mesmo os prémios como este, de muito prestígio, com um júri muito qualificado, não fazem as obras melhores ou piores”, sublinhou.

 

Criado em 1989 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa, o Prémio Camões, no valor de 100 mil euros, foi hoje atribuído a Manuel António Pina por unanimidade.

 

Integraram o júri desta 23.ª edição Rosa Maria Martelo (professora da Universidade do Porto), Abel Barros Baptista (professor da Universidade Nova de Lisboa), por Portugal, a escritora Edla Van Steen e o professor António Carlos Secchin, pelo Brasil e, em representação dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a professora Inocência Mata e a escritora Ana Paula Tavares.

 

Os distinguidos com o Prémio Camões:

 

1989 - Miguel Torga (Portugal)
1990 - João Cabral de Melo Neto (Brasil)
1991 - José Craveirinha (Moçambique)
1992 - Vergílio Ferreira (Portugal)
1993 - Rachel de Queiroz (Brasil)
1994 - Jorge Amado (Brasil)
1995 - José Saramago (Portugal)
1996 - Eduardo Lourenço (Portugal)
1997 - Pepetela (Angola)
1998 - Antonio Candido (Brasil)
1999 - Sophia de Mello Breyner Andresen (Portugal)
2000 - Autran Dourado (Brasil)
2001 - Eugénio de Andrade (Portugal)
2002 - Maria Velho da Costa (Portugal)
2003 - Rubem Fonseca (Brasil)
2004 - Agustina Bessa Luís (Portugal)
2005 - Lygia Fagundes Telles (Brasil)
2006 - José Luandino Vieira (Angola)
2007 - António Lobo Antunes (Portugal)
2008 - João Ubaldo Ribeiro (Brasil)
2009 - Arménio Vieira (Cabo Verde)
2010 - Ferreira Gullar (Brasil)
2011 - Manuel António Pina (Portugal)

 

Nascido no Sabugal, Guarda, em 1943 e licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Manuel António Pina foi, durante muitos anos, jornalista, e é tradutor, professor e cronista (escreve diariamente uma crónica no Jornal de Notícias).

 

Estreou-se primeiro na literatura para crianças, em 1973, com O País das Pessoas de Pernas para o Ar (agora reeditado pela editora Tcharan) e no ano seguinte como poeta, com o livro Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas um Pouco Tarde e nesses dois géneros tem muitos títulos publicados, ao contrário da ficção para adultos, género em que publicou apenas um, a novela Os Papéis de K. (Assírio & Alvim, 2003).

 

A sua obra poética está traduzida em vários países e venceu os prémios da Fundação Luís Miguel Nava (2004) e da Associação Portuguesa de Escritores (2005) com o seu volume de poesia Os Livros, editado pela Assírio em 2003 (Fonte).

 

 

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