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Material gentilmente cedido pelo colaborador Valdemar Pereira, com a seguinte indicação: “[…] 1a. parte de "Tempe de Caniquinha" (a 2a. foi-me roubada). A cópia que segue é a que me deu, em mão própria o Ilustre, dizendo-me que nos ‘podia servir’”.

 

"Tempe de Caniquinha", Morna de Sérgio Frusoni, interpretada por Bana:

 

 

Nota: Esta "pérola" é importante, fundamentalmente, por duas razôes: (i) para se ver a versão original e correcta da letra da morna e (ii) conhecer a forma adoptada por Sérgio Frusoni para escrever a língua caboverdiana.

 

 

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7 comentários

De Valdemar Pereira a 26.06.2011 às 12:54


O que aqui está e que fica bem, estava destinado a sair noutro lugar (blog Ponta de Praia, onde diz ter nascido o seu autor) mas quis o Destino que desaparecesse e ressurgir ao ter visto aqui a morna anterior. Para o Amiga Saial outras coisas aparecerão em seu tempo.

E' com imenso agrado que vejo publicado o documento que saiu no livro "O Teatro é uma Paixão" por vàrias razões e por mais uma: - Detesto ver adulterado o trabalho de cada um. Não hà razão nenhuma de um cristão queimar as pestanas para produzir um sucesso e ver depois o seu trabalho adulterado. Dito isto, reafirmo a minha dmiração pelo cantor, que em Dakar, foi o actor principal da minha revista "Bossa Nova" escrita precisamente para ele. E antes que apareça anônimos a duvidar, formulo ao dono deste sitio, o Amigo Brito Semedo, o pedido publicação de fotografia comprovativa que enviarei oportunamente.
Quero deixar bem explicito que so pretendo deixar prova da autenticidade do trabalho de cada um. Penso ser justiça.

De Brito-Semedo a 26.06.2011 às 15:30

Transcrevo, na qualidade de Gestor do "Na Esquina", um comentário recebido do filho mais novo de Sérgio Frusoni, na qualidade de representante da Família, enviado através do colaborador Valdemar Pereira.
Ciao Val
Quiz fazer um comentario mas nao consegui porque nao tenho um blog da SAPO.. Se quizeres fazer-me o favor aqui vai o comentário para enviares ao Brito Semedo: " Obrigado, Brito Semedo, obrigado Valdemar pela publicação e divulgação da letra da morna do meu pai. Confirmo a oferta do texto do meu pai ao Valdemar. Seria bom que as pessoas aprendessem a cantar a morna com as letras do original. Um abraço, Fernando Frusoni ".

De Adriano Miranda Lima a 26.06.2011 às 19:09


Associo-me entusiasticamente ao Brito Semedo e ao Valdemar Pereira no seu louvável propósito de divulgar o texto original do poema de Sérgio Frusoni que serviu de letra àquela que é a mais emblemática morna de S. Vicente.  Foi há poucos anos apenas que eu soube ter havido adulteração dos dois versos iniciais do poema através dessa morna, facto que se consumou a partir do momento  em que ela  ganhou foros de inusitada divulgação mercê da magnífica interpretação do Bana. Foi o Valdemar que me transmitiu este facto, por ocasião da feitura do seu recente livro, o qual, por seu turno, encarregar-se-á de amplificar a difusão da letra original do poema em causa.


Parece não saber-se a razão objectiva da adulteração havida, sequer o seu responsável. À primeira vista, não se vê em que medida a alteração textual introduzida, aliás, pouco expressiva, seria determinada por uma eventual necessidade de harmonizar a letra com a música. Mesmo um néscio como eu não sente dificuldade em cantarolar a morna utilizando, invariavelmente, uma ou outra versão dos versos iniciais. Inclina-se a pensar que terá sido o cantor, por razões de ritmo e harmonia que podem não ser perceptíveis a um néscio (como eu) mas que não escapam a um artista, cuja sensibilidade  é de um foro que nem sempre podemos questionar. E se o artista tem o talento de um Bana, a nós, néscios, só nos cabe uma atitude de contemplação ou interrogação, sobretudo quando, através de “Um vez Soncent era Sabe”  (verso adulterado),  sentimos um arrepio de alma que não se descreve em palavras. Quando, no interior de Moçambique, ouvia essa morna, cujo disco adquirira casualmente antes de embarcar, só eu sei o que sentia. Queria voar por cima da selva africana, sulcar distâncias e chegar à rua de Caniquinha.


Podemos, pois, a analisar este problema sob outro ângulo. Os poemas, lemo-los, declamamo-los, sentimo-los com a intensidade do nosso intelecto. As mornas, também, mas essas vão ainda mais longe, invadem todos os poros dos nossos sentidos, estampam-se na nossa memória, apoderam-se da nossa alma e ganha consistência  de pedra a letra musicada que nos embriaga. Mesmo que um virtuoso poeta queira melhorar  literariamente a letra de uma canção há muito divulgada,  não logrará desalojar  a versão  para sempre imortalizada  nos sentidos. Contudo, em caso algum se altera a letra de um poema para efeitos musicais sem a autorização do autor. É roubo de propriedade artística. Tanto quanto sei, e conforme conferem os testemunhos de Valdemar Pereira e de Fernando Frusoni, não houve autorização do poeta.


Agora é tarde. Por mim, se o culpado foi o Bana, ele está perdoado, pois é o cantor cabo-verdiano que eu mais admiro. No entanto, o nosso poeta Sérgio Frusoni, que toca as fímbrias da nossa alma com a mesma mestria com que o Bana o faz com a voz, merece que divulguemos a letra original do seu poema “ Sanvcente um tempe era Sabe”. E que a continuemos a divulgar. Cada coisa no seu lugar.

De Brito-Semedo a 26.06.2011 às 19:31

Caríssimo, Seja bem aparecido e sinta-se bem-vindo ao "Na Esquina"! É uma honra encontrá-lo aqui na roda dos 'Amigos da Esquina'. Puxe um mocho, instale-se, sirva-se de um cafézinho de terra ou de um chá de mato e participe da conversa. Para já, obrigado pelo seu comentário e pela partilha. Tudos juntos podemos produzir alguma mudança e fazer alguma diferença. Um abraço e votos de bom domingo!

De João Sá a 27.06.2011 às 05:53

Bom dia estimado :)
Tenho gosto em poder começar a semana informando-o que esta pérola está em destaque "Na Rede" na homepage do SAPO Cabo Verde (http://sapo.cv).
Votos de uma boa semana.

De Fernando Frusoni a 27.06.2011 às 11:51

Amigo Adriano
Alem dos veros iniciais, o Bana disse mal um verso mais adiante: " Conde ta tchubeba na porta " . O verso correcto é : " Conde ta tchubeba e na porte..." Dizer porta nao faz sentido. O meu pai referia-se ao porto. Um abraço Fernando

De Valdemar Pereira a 27.06.2011 às 16:47

Depois do comentàrio dos meus Amigos Adriano e Fernando sobre a morna  "Tempe de Caniquinha", entrei em contacto com o Adriano e depois com o Fernando.
O Adriano, também admirador da melodia, desconhecia o autor da mùsica e ao confirmar de a mesma ser do Sr. Sérgio, falou-se se não devia haver outras que desconhecemos.
Foi assim que soube pelo Fernando que a Banda Municipal do Mindelo, sob a batuta do Mestre Reis, executava uma marcha do senhor Sérgio e  que o Luiz Romano falou num escrito que havia uma morna do mesmo autor - Maria Hortensa - de que o filho desconhece.
Fenando falou-me ainda de algo, que costuma cantarolar, da autoria do progenitor.
Não me admiro absolutamente nada dessa figura tão modesta.
Serà que se pode indagar sobre isso? Quem poderà ajudar nesta busca que nos enriquecerà mais ainda?
Fica aqui o pedido. Agradeço (agradecemos) antecipadamente.

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