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Recordando Luis Loff de Vasconcellos

Brito-Semedo, 20 Jul 11

 

Loff Vasconcelos.jpeg

Foto gentilmente cedida pela família do seu neto, Augusto Vasconcelos Lopes, S. Vicente

 

 

Luis Loff de Vasconcellos

 

(Maio, 5.Janeiro.1861 – S. Vicente, 19.Março.1923)

 

 

 – Márcia Souto Ferreira, Cronista do Jornal "A Nação"

 

Nesta terra, interessa-me o povo, sua gente, as pessoas que, no retalho, constroem este país. Mas também são importantes os grandes homens que, com sensibilidade intelectual, trabalham em prol do progresso e do desenvolvimento das Ilhas. São eles que transformam o sentimento de resignação, alimentado por algumas pessoas, em mobilização para uma vida melhor e mais pujante.

 

Dentre os muitos que trabalharam com a pena e a força da palavra, destaco hoje Luis Loff de Vasconcelos, um dos grandes activistas de Cabo Verde. Nascido em 1860, Luis Loff veio ao mundo em berço bravense. De lá mudou-se para São Vicente em 1897, de onde produziu grande parte de sua obra, que se manifesta como um referencial de afirmação da inteligência cabo-verdiana, com revelo especial para a sua sensibilidade relativa às questões sociais importantes do Arquipélago. Em 1899, funda e dirige o periódico “Revista de Cabo Verde”. Com o objectivo de “passar em revista todos os assuntos de interesse geral para Cabo Verde, nos seus variados ramos” (VASCONCELOS, 1899, p. 2-4), a “Revista de Cabo Verde” é considerada o primeiro grande projecto de constituição de uma identidade político-cultural de Cabo Verde, ensejando uma necessária independência económica, política, literária e cultural deste país. Dirigente dos jornais “A Opinião” (1902) e “O Independente” (1912), Loff de Vasconcelos foi um dos grandes incentivadores da imprensa nacional, que, segundo ele, deveria existir a serviço da verdade e como veículo de expressão do pensamento livre. Ao lermos seus artigos jornalísticos, é de se reconhecer a participação activa desse intelectual na construção de uma identidade político-cultural crioula.

 

Homem imensamente culto e conhecedor de sua terra e de sua gente, Luis Loff de Vasconcelos também publicou vários livros, com temas políticos e de interesses diversos, tais como Memorial dos habitantes da Ilha de São Vicente de Cabo Verde (1890), Echos d´Aldeia (1897), “Pequeno guia comercial para Cabo Verde (1899), Statisque d’importation et autre indications relatives à l´Ile de S. Vicente du Cap Vert (1899), Perdição da Pátria (1900), O Extermínio de Cabo Verde. Pavorosas revelações (1903), “Como nós colonizamos” (1907), O advogado do comerciante (1907), A defesa das vítimas da guerra de Bissau. O extermínio da Guiné (1916) e muitos outros.

 

Como se pode depreender pelos títulos das suas obras, além de atender a um necessário pragmatismo, Luis Loff de Vasconcelos representou uma voz importante na defesa dos interesses do povo cabo-verdiano, assim como um sentido de justiça bem forte, que o fez perceber o preciso descolamento da identidade cabo-verdiana da portuguesa. Radicaliza-se tal necessidade com a notícia da possibilidade de Portugal vender as colónias como alternativa para resolver seus problemas económicos. Juntamente com outros intelectuais contemporâneos, como José Lopes e Eugénio Tavares, Loff defendia que, se não poderiam ser portugueses em pé de igualdade com os da metrópole europeia, seria preciso um novo status ao povo de Cabo Verde, que não merecia tamanha humilhação de se ver mudando de “dono”.

 

Desse modo, Luis Loff de Vasconcelos integrou uma geração que, nos finais do século XIX e início do XX, já vislumbrava a possibilidade de independência de Cabo Verde, representando uma espécie de proto-nacionalismo, ou ainda, precursora dos caminhos a serem trilhados pelo movimento da revista Claridade e, mais tarde, pela geração dos nacionalistas da "Certeza" e do "Seló".

 

Diante de tão importante e ilustre personalidade cabo-verdiana, referência histórico-cultural deste país, reverencio esse grande pensador que contribuiu para a realização do projecto desta Nação e que encontrou na imprensa e nas publicações de livros um meio de expor suas ideias e clamar o povo ao reconhecimento de seu valor e das vozes que não se podiam fazer calar.

  

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