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Latas de Diazá!

Brito-Semedo, 22 Jul 11

Foto José vitória, Arquivo de Valdemar Pereira, início dos anos 30

  

Valdemar Pereira, França

 

Há dias aqui surgiu uma "Sinfonia de Latas" executada pelo Djô Martins no Conservatório do Manuel Brito-Semedo.

 

E, com toda a lata,  tocámos nas latas – latas de trampa, latas sem tampa,  latas de 9 horas, latas de sardinha, latas de cmida de tchuk, latas de ciré, e mais e mais, com sons e tons de tempos de dias-há, onde tudo se aproveitava como utensílio ou como brinquedo. Tudo foi descrito.

 

Naturalmente não se falou das latas hoje expostas porque eram menos conhecidas pelo público pois utilizadas em circuito fechado por gente graúda que também soube aproveitar da lata que já não podia servir para as suas primeiras funções:  transporte do petróleo. Pois é, chegavam à nossa terra com 20 litros de carburante e estavam condenadas a nunca mais transportar o mesmo líquido.

 

Lembro-me delas transportando mel e grogue de contrabando que vinham de Santo Antão. Vi-as a chegar em S. Vicente e vi-as a serem enchidas no Paúl, numa férias no Paúl de Cima, a única vez que visitei um trapiche. Vinha de longe e achei curioso proporcionarem-me tais férias mas depois vim a saber que quem me levou devia "controlar" o seu quinhão de grogue. A cana era triturada de dia e o néctar extraído à noite... sem testemunha.

 

Mas voltemos às latas de hoje, latas com funções desconhecidas por muitos, como disse acima.

 

É sabido que antes de termos a electricidade, poucos tinham um frigorífico e a sua alimentação era um mistério. Pois, bem. A  energia era fabricada por uma pequena chama, uma torcida em cima de uma tanquinho de petróleo. Era frio barato mas insuficiente para o que queriam para refrescar tudo e então as famílias inglesas (que moravam fora) mandavam buscar blocos de gelo na Western que tinha uma grande câmara frigorífica onde, além de guardarem alimentos que importavam (carnes da Argentina, queijos da França, etc.), fabricavam o gelo alimentar que era distribuído às 10 horas.

 

E o Sr. José Vitoria, grande fotógrafo (amador) fixou para a posteridade, a imagem das "criada d'inglês" carregando o precioso bloco numa metade de lata de petróleo. Portanto, mais uma lata: – Lata de gelo!

 

 

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4 comentários

De Valdemar Pereira a 22.07.2011 às 15:52

Reparem no calcetamento. Ou melhor, nas escadinhas. Por ser no interior da Western as pessoas desconheciam esse caminho, ou a maior parte do interior, calcetado com o devido desnivelamento para permitir a infiltração do preciso maná que raramente cai. Nunca se viu uma poça de água . Os ingleses podiam utilizar o alcatroamento mas quiseram respeitar o que é de melhor para a região.
Agora as ruas, alcatroadas, transforma-se em verdadeiros lagos quando cai a chuva. Nem precisa ser "um pingue, um pote".
 A casa ao fundo era a "Casa Velha" (*) onde tinham o Salão de Jantar (Salão de Honra) o Bar, a Sala de Cinema e o "Store" onde estavam armazenados o que era de melhor, nomeadamente o tão procurado whisky velho

(*) Casa Velha para diferenciar da Casa Nova, o edificio que, até hà bem pouco foi utilizado como Correios, frente à Praça Nova.
O que muitos não sabem: este edificio bem como os do Caminho de Cruz são anti sismicos. Não podem ter a sorte do Fortim.

De Brito-Semedo a 22.07.2011 às 20:07

Olhem-me p'ra isto! Este Senhor é um manancial de informação desses tempos de diazá :) O "Na Esquina" declara o Senhor Valdemar Pereira seu Provedor de Memórias! Braça!

De amendes a 22.07.2011 às 20:08

Nesta saga das latas...
Falta falar da mais emblemática: - A lata dos politicos....latas de 9H X 365 dias!

 

De Brito-Semedo a 22.07.2011 às 20:14

Gostei, hahaha !!! Essa da 'lata' dos políticos é mais 'chapa de bidom ', principalmente nas épocas de campanha eleitoral!

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