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Grupo de Cavaleiros

Brito-Semedo, 20 Ago 11

Foto Melo, Mindelo, 1947, arquivo de Valdemar Pereira

 

A foto foi feita em 1947 à porta da Foto Melo (pelo Papim) no dia de Carnaval com os amigos a festejar o Entrudo.

 

Havia mais três ou quatro pessoas que tinham cavalos (José Rocha, Mano Rocha, Nhô Pitra, Dr. Luis Terry) mas nunca estavam com esses amigos que saiam duas ou três vezes por semana os respectivos cavalos, não sendo todavia os donos.

 

Na foto temos da esquerda para a direita [entre (..) os nomes dos cavalos]: Anton Bertol (Tarzan), Vicente Pereira (Russo), José Capitão (Dollar), Jom Bintim (Pachà), Quim Chavinha (...), Hermínio Pereira (Alezão) e Manel Matos (Fidalgo).

 

O grande animador era o meu tio Jom Bintim, logo seguido do meu saudoso Pai e de Manel Matos que só saia aos domingos. Durante a semana eu montava o Fidalgo e o meu Pai o Alezão (durante uns 3 ou 4 anos). O cavalo do Dr. Terry, de cujo nome não me lembro, era montado pelo meu primo Terêncio.

 

Valdemar Pereira, Tours, França 

 

 

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10 comentários

De Valdemar Pereira a 20.08.2011 às 17:56

Uma época de muito e são convivio que se encontrava interligado com mais pessoas, algumas delas militares portugueses como o sargento Ruivo e outro cabo (mais tarde promovido a furriel) de cujo nome não me recordo.
Devo trazer aqui o nome de um primo da Amélia Sacramento Monteiro, o falecido Homero Barbosa, com quem fazia ricos passeios a cavalo na companhia do meu primo Terêncio Santos.
Uma lembrança espcial ao Sr. Manuel Matos que ajudava a "tropa fandanga" com a sêmea ou o farelo extraido do milho do qual fazia "aquês pom de midje d'um cruzode". Quem podia pagava (simbolicamente) mas os menos abastados, ou os mais amigos, iam buscar a ração para os equidios e isso "para ajudar" pois os cavalos não eram como as mulas que ganhavam a sua palha transportando àgua ou pedras. Posso afirmar que era um luxo para alguns bolsos.
Homero montava um cavalo que o seu pai trouxe do Fogo mas do qual se desfez rapidamente.  
Também, havia mais um senhor que morava na casa que pertencia ao Castilho ali na Chã do Cemitério. Ele tinha dois cavalos e o seu filho "Fair" e "Jugalino" mas não aderiam ao grupo por razões que desconheço. Por isso menciono o facto mas omito os nomes por respeito às pessoas.

De Valdemar Pereira a 20.08.2011 às 18:01

Perdão: - "Fair" e "Jogagalino" eram os nomes dos cavalos e não do filho desse senhor que até, vim a saber mais tarde, era primo do meu Pai.
Fica o meu pedido de desculpas.

De Joaquim Saial a 21.08.2011 às 10:00

Jorge Diogo Luís Terry de Sousa Pinto, de quem o nosso amigo comum Valdemar fala, era advogado e foi professor do lisboeta Liceu Pedro Nunes. Antes, foi também docente do nosso Liceu Gil Eanes e reitor do mesmo, para além de presidente da Câmara Municipal de S. Vicente. Teve outros cargos na metrópole portuguesa, como o de consultor jurídico da Junta Nacional dos Vinhos e vogal da Inspecção de Espectáculos. Era o autor do famoso compêndio de Organização Política e Admnistrativa da Nação que gerações de alunos tiveram de decorar.

Natural de Goa, antiga Índia portuguesa, era membro do Círculo de Estudos Políticos e Sociais e publicou muito na imprensa portuguesa, sobretudo no "Diário Popular". Conheço um artigo seu neste jornal, de 1958, sobre a situação do império português como o curioso título "Carta de um goês a quantos se sintam portugueses em qualquer parte do mundo". "A quantos se sintam portugueses", sim, porque isto de se ser português ou cabo-verdiano, alemão ou chinês não se publica por decreto. É preciso sentir a coisa... O artigo era altamente elogioso para Salazar, mas enfim, eram os tempos que corriam. O mundo gira, o mundo muda e o passado é o que teve de ser.

De 26.Janeiro.1956 é um outro artigo do "Diário Popular", intitulado "A missão de estudos dos portos de Cabo Verde e sua flagrante oportunidade; em 27.Março voltaria à carga com outro artigo sobre o arquipélago, "Cabo Verde, mercado abastecedor de frutas"; em 26.Julho escreveria "Cabo Verde e a sua recuperação agrícola". Faleceu a 7 de Junho de 1960, com 51 anos de idade e foi sepultado no cemitério da Ajuda.

Era casado com Áurea Morazzo Terry (ligação a Cabo Verde e à Itália, segundo julgo) e pai de Hernâni Terry (funcionário da Federação Nacional dos Produtos de Trigo) e de Wanda Terry.

Aqui fica pois um pouco da biografia desta figura ligada a Cabo Verde, e sobretudo a São Vicente, que consegui rebuscar assim de repente no meu arquivo.

Braça
Djack

De Brito-Semedo a 21.08.2011 às 10:19

Arquivo implacável, como diz o nosso Amigo comum Valdemar Pereira! Obrigado por mais esta partilha! Fique bem e votos de um bom domingo! Braça!

De Valdemar Pereira a 21.08.2011 às 12:48


Conversa puxa conversa e quando Manuel apela e Djack colabora eu confirmo (na medida das minhas possibilidades).  Já que vem à baila, digo que Áurea Morazzo Terry, era da ilustre Família do Sr. Henrique Morazzo, mais conhecido por Nhô Hinrique Baptista, mnine de Rua de Coco mas filho de pais italianos que não estavam destinados a ficar em Cabo Verde.

Dele se fala no Valdas's Fotolog Page de 25/5/2010. (Publicidade gratuita)

De Valdemar Pereira a 21.08.2011 às 13:07


As minhas desculpas em insistir mas, lembrei-me de um pequeno detalhe que não tem tanta importância. Ê mais uma curiosidade que outra coisa e como há espaço ainda, não me contive.

O "Pachà", esse cavalo, negro como azeviche, montado por Jom Bintim, pertencia ao seu tio Manuel Oliveira mais conhecido por Nhô Lela d'Farol, que foi o primeiro proprietàrio do comércio conhecido por "loja de Valentim" na Praça Nova.  Mas o que eu queria dizer era que quem montava regularmente o cavalo era um rapaz que passaria a ser um Notável na escrita com o nome de Luís Romano.

De Djack a 21.08.2011 às 13:49

Ó Val, bô flá de Rua de Coco, m'ta prifiri tchmal  Largo de Cruzer. Bô ta lembrá de Nizinha c'sê casa la bem na mei?, eheheheheheheheheheeh, m´tem certeza que bô ta recordá del... D'ote lade de rua tinha casa de Pudjim.

Um braça cruzóde,
Djack

De João Sá a 22.08.2011 às 06:49

Bom dia e que esta seja uma boa semana e se contribuir para isso, informo que o blog está em destaque na homepage dos Blogs do SAPO Cabo Verde (http://blogs.sapo.cv/) e este post está em destaque na homepage do SAPO Cabo Verde (http://sapo.cv).

De Adriano Miranda Lima a 22.08.2011 às 14:31

Fico simplesmente embasbacado com as coisas que o Valdemar conhece de nôs terra de outrora. E fico embatucado com a pobreza da minha memória, por um lado, e com a escassez dos meus conhecimentos, por outro.


Sobre histórias de montaria e cavalhadas (termo muito português) na nossa terra, então é que não sei mesmo nada, para além da predilecção que um tio meu tinha por essas alimárias, sendo proprietário de um exemplar e praticante de cavalgadas.


E, é claro, falar de cavalos é falar também das pessoas que os montavam, isto é, dos cavaleiros. O cavaleiro senhor Hermínio Pereira, pai do Val, parece-me ter qualquer coisa na cara que não identifiquei bem, parecendo-me ser uma máscara, o que seria plausível dado tratar-se de uma cavalgada do Entrudo. Nunca conseguiria identificar o senhor Manuel Matos, cuja fisionomia não me parece dele. Coisas de fotografia! O Manuel Matos estava em todas. Era pescador com aquele seu bote em S. Pedro de que o Zizim fala na crónica Jom d’Alcanja, era amante de desporto motorizado, tanto quanto me recordo por aquele carrinho desportivo esquisito que ele tinha, não sei se com alterações feitas pelo meu primo Cunco, e era também amigo de cavalgadas, como agora fiquei a saber. E sabe-se lá de que mais cavalgadas!


Sobre o doutor Terry, a intervenção do Djack é bem vinda porque muito elucidativa. Eu só me lembro do nome da pessoa numa placa que existia no estádio da Fontinha, pouco mais sabendo, à época da minha meninice, do seu trajecto público, que, por sinal, é deveras invejável. Mas, surpresa das surpresas, desconhecia em absoluta que era da sua autoria aquele manual escolar chamada “Organização Política e Administrativa da Nação”. Só entrava no currículo escolar a partir do 6º ano e já não me recordo se tinha ou não parte que transitava para o 7º ano. Não vou agora fazer qualquer juízo pessoal sobre essa matéria, mas a verdade é que, como diz o Djack, aquilo estava talhado para o empinanço, se bem que o nhô Baltas (foi o meu professor dessa disciplina), procurava que assim não fosse, obrigando os alunos a entrar na esfera de outras compreensões correlacionadas, para que tudo não se limitasse a uma sobrecarga das meninges. Bem, nhô Baltas era quem era, diferente do Chantrom, que, professor também da disciplina, era intratável, segundo diziam. O certo é que, com a mente virgem daquela idade, decorei aquilo com uma limpeza que nem imaginam. Quão útil me seria hoje essa capacidade de memorizar!


 


 


 

De Brito-Semedo a 22.08.2011 às 15:51

Este post está, merecidamente, em destaque na homepage do sapo.cv (www sapo.cv </a>).

Braça!

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