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Duo Eddy Moreno & Black Daisy

Brito-Semedo, 5 Set 11

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Foto Jorge Leite, Dakar, no “Théàtre du Palais”, ano de 1961, Arquivo de Valdemar Pereira

 

Adolfo Silva, S. Vicente, 1915-1983

 

Adolfo Silva (Eddy Moreno) fazia parte de grupo de músicos caboverdianos que em 1945 foi convidado a actuar em Portugal. Eram quatro os músicos: B.Léza, Hilário, Adolfo e Tchuff. Deste grupo somente Adolfo Silva se fixa em Lisboa, como artista de variedades afro-brasileiras.


Como artista, Adolfo Silva canta em Espanha e na Itália. Somente em 1957 regressa a Cabo Verde com o duo Eddy Moreno & Black Daisy que conheceu um grande sucesso. De Cabo Verde passou a Guiné e depois a Dakar e Libéria, acabando por se fixar durante anos em Costa Marfim. Somente em 1975 ganhou a França, onde gravou o seu primeiro e único disco.

 
Nos fins dos anos quarenta convida a irmã Djuta a partir para Portugal a fim de constituir o duo Irmãos Silva que se distinguiu em vários espectáculos, inclusive na Emissora Nacional Portuguesa, onde gravaram algumas mornas a distinguir-se o "Odjim Magoado" (musica de Toko, texto de Hilário).


Com o seu casamento com o célebre futebolista caboverdiano, Henrique Ben-David ou melhor, Dutche do Mindelense, o primeiro caboverdiano a ser internacional pela equipa de Portugal, Djuta abandona a carreira artística. O Adolfo Silva, com todo o seu humor, dizia que o Ben-David, ao casar com a irmã, tinha-lhe quebrado a perna.


Uma família totalmente dedicada à música, a começar pelo pai, Nhô Jôm Xalino (maiense) que tocava violino e fabricava quase todos os instrumentos de corda, arte que transmitiu aos filhos. Todos os filhos foram excelentes guitarristas (Adolfo, Armando, Orlando, Eduardo) e também as filhas (Gadinha, Dadinha e Djuta). E a coisa continua com os netos: o malogrado Djô d’Iloi, Zuca, Val Xalino, Bia e Calú Bana (América), Nilsa e outros que, em várias partes do Mundo (França, Holanda e América) continuam a perpetuar a herança de Nhô Jom Xalino. A casa de Nhô Jôm Xalino, primeiramente na Rua de Coco e depois na Rua de Moeda, frente à Salina, era uma verdadeira escola de música. Ali se formou, em especial graças ao Eduardo, o Bana, que era seu sobrinho e a Cesária, a nossa diva nacional.

 
Como em breve a Câmara de São Vicente presta homenagem a célebre pianista Tututa, filha dum outro grande músico, Nhô Anton Tchitche, o criador da coladera como afirmou Jotamont, parece-me necessário sugerir à Dra. Isaura Gomes, cuja família viveu sempre colado à casa de Nhô Jom Xalino, de pensar em homenagear esta família, principalmente a Djuta e o Eduardo, por aquilo que fizeram para a história cultural de Cabo Verde pois nenhum deles pôs de lado o violão. Que lindo seria um concerto!


Adolfo Silva (Eddy Moreno) autor de mornas e coladeras célebres como “Grandeza”, “Reola”, “Porto Grande”, “Nossa Senhora da Luz”, etc.
 
Texto de Luiz Silva, Paris, num comentário ao ASemana online
 

Eddy Moreno.jpeg

Foto Jorge Leite, Dakar, no “Théàtre du Palais”, ano de 1961, Arquivo de Valdemar Pereira

 

Black Daisy, Angola

 

Filha de pai português, nem sequer soube o seu apelido. Tive o prazer de a conhecer (ao mesmo tempo que o Adolfo) quando chegaram no Senegal e o prazer de ser o co-apresentador do DUO em Dakar, no “Théàtre du Palais”, onde foram feitas as fotografias pelo meu amigo, Jorge Leite (fotógrafo).


O Maestro Jotamont dedicou-lhe uma das suas belas composições, uma linda morna justamente "Black Daisy".

 

Texto de Valdemar Pereira, Tours, França

 

 Coladeira "Grandéza", Autoria de Eddy Moreno, Interpretação de Titina
 

 

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6 comentários

De Djack a 05.09.2011 às 19:10

O Luiz Silva é que vai aparecer a falar sobre este casal. Ele sabe...

Djack

De Pedro Miguel Pinto a 17.11.2011 às 23:16

Boas noites.


Será que me pode dizer qual o nome do livro a que se refere? Gostava muito de lê-lo


Pedro Pinto

De Brito-Semedo a 19.11.2011 às 16:53

Boa-tarde, Meu Caro, O livro aqui referido é "O teatro é uma paixão, a vida é uma emoção", de autoria de Valdemar Pereira, e mereceu um post aqui no Na Esquina", cujo link é http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/123605.html
Cumprimentos!

De Valdemar Pereira a 05.09.2011 às 20:00


O amigo Djack tem razão. Por isso "roubei" o comentàrio que o Luiz fez a um artigo no ASemana-on-line , a propôsito do Prémio musical com que resolveram atribuir a jovens, nos Açores, com o nome da sua irmã Djuta.

Podia-se pôr mais uma ou duas fotos mas não deixei passar porque ali estava o apresentador principal que nada tem a ver com o Duo. So foi apresentador coadjuvado com outro caboverdiano radicado havia muito tempo em Dakar e conhecido por ser "rapazim de partida".

Devo acrescentar que Adolfo gostou tanto de Dakar que fincou pé, casou e teve uma filha. Se encontrou esposa e vida que desejava foi o fim do distinto Duo.
Black Daisy tinha grande presença no palco e possuia uma bela voz. Por isso mereceu a homenagem que lhe fez o maestro Jorge Monteiro

De Adriano Miranda Lima a 05.09.2011 às 22:07


Foi através do livro autobiográfico do Valdemar que passei a conhecer estes nossos artistas, mas o texto do Luiz acrescenta ainda mais alguma coisa à divulgação da trajectória artística deste Duo.
Ou estou muito equivocado, vítima de um esbatimento de memória, ou tive oportunidade de ver a Black Daisy em S. Vicente, em 2003. Estava sentada no Café Royal uma senhora idosa e de apresentação muito cuidada, bem maquilhada e com  pormenores que denotavam ser alguém oriundo do meio artístico antigo. Sim, porque antigamente era assim, davam mesmo nas vistas e nem com a idade atenuam certa aparência. Intrigado, perguntei quem era e a pessoa que me acompanhava disse-me um nome que me pareceu ter sido Black Daisy, tendo-me esclarecido que era um nome artístico. Eu nunca tinha ouvido falar na ex-artista, pelo que na altura pouco me disse o nome que de facto supus ter sido esse.  Pois, suponho ter ouvido precisamente esse nome. Ou então foi um nome semelhante.

De Joaquim ALMEIDA (Morgadinho) a 11.02.2012 às 22:47

Caro colega de escola e companheiro das boas épocas ( cultural-castilhana ). Em boa hora homenageas esse duo ; Eddy Moreno & Black Daisy . Este " duo " permaneceu na Guiné Bissau nos anos 60 ,cerca de 6 meses - se a minha memoria nao me falha - antes de deixar a Guiné para Dakar ; durante esse periodo eu fui o responsàvel pela orquestra que os acompanhou nao so em Bissau como também em Teixeira Pinto ,Mansoa ,Farim e Bolama . Como vês ,conheci este " duo " perfeitamente bem . Sendo eu funcionàrio pùblico naltura ,o Governadôr da Provincia Guiné Bissau ,-como se chamava naquela altura ,na pessoa do Peixoto Correia ,dava ordens para que eu os acompanhasse nas suas (tournnées ) pour toda Guiné .Guardo comigo gratas recordaçoes de Eddy Moreno & Black Daisy !..Tivestes boa ideia em os homenagear (nesta Esquina do Tempo) porque na verdade êles merecem esta homenagem !. Aquele abraço companher ; Morgadinho !..

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