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Água nossa de cada dia

Brito-Semedo, 28 Set 11

 

Filinto Elísio Silva, Praia

 

Tão ou até mais importante que o pão, descobrem-se ser o ar e a água nossos de cada dia os mais fundamentais para a sobrevivência e a qualidade de vida das pessoas. Como bem disse alguém, experimente-se fazer, à laia de greve de fome, greve de água ou de ar. A primeira, não chegaria aos três dias. E a segunda nem aos cinco minutos. Se entre nós, não está em causa a penúria do ar, que é a própria visão do Fim dos Tempos, já não poderemos dizer muito sobre o acesso à água.

O que se vive hoje na cidade da Praia, sobretudo nos bairros periféricos da capital, é algo absurdo e impensável. Há pessoas que vivem permanentemente sob a penúria da água. A procissão de pessoas a peregrinar para os chafarizes com as latas à cabeça tornou-se uma realidade premente e uma cena que não nos confere alguma dignidade. Sem água, precioso líquido, não dá mesmo para ser feliz. E viver, à margem da felicidade é vegetar aquém da cidadania e não interessa. Um absurdo...

 

O poeta sonhara, para amanhã, que nos é hoje, águas a apontar por levadas enormes, como a premonição das barragens que se erguem pelos grandes vales do arquipélago. E as centrais dessalinizadoras drenam a água do mar, a custos de petróleo, pelas condutas de distribuição da água potável. Mas algo de errado e de muito estranho acontece: não há água.

 

Urgem medidas. A peregrinação efectiva pelo fazer e pelo solucionar a questão. É o que interessa quando se abre a torneira… e há água nossa de cada dia!

 

 

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2 comentários

De M Conceição Fortes a 30.09.2011 às 00:51


Água nossa que vens do mar para os depósitos da “Jaida”, escorra mais vezes nas nossas torneiras, já que pagamos as nossas contas todos os meses. E se lá do alto das nuvens onde te acumulas, S. Pedro resolver brindar-nos com as tuas visitas constantes, cai temperadamente para não causar estragos. Água nossa só de vez em quando, que lava tudo menos a “língua dessa gente”, não deixe que as facturas da Electa limpem os bolsos dos cidadãos. Água doce, água salgada, água potável, água salobra, água fria dos mares onde vivo, água morna das praias da minha terra. Água gelada que parece cair aos baldes p’ra cima das nossas cabeças quando vem a factura da Electra, água limpa que vai caindo das nuvens arrastando tudo para o mar enquanto os chineses não construirem mais barragens. Água inquinada, como os motores da Electra, chamando Dengue para nos matar, se bem que mortinhos já estamos de tantos cortes não só da água como da electricidade.

De Adriano Miranda Lima a 30.09.2011 às 12:46


Sim senhor, bela e certeira  crónica sobre uma realidade bem dura e pungente na nossa terra. Felizmente, não sinto actualmente na pele as angústias dos que sofrem o problema, mas estou inteiramente solidário.

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