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Recordando o Senador Augusto Vera-Cruz

Brito-Semedo, 29 Out 11

 

Senador Vera-Cruz.jpeg

Foto Arquivo Histórico Nacional (IAHN), Praia

 

 

 

Augusto Pereira Vera-Cruz

 

(Sal, 18.Nov.1862 – 05.Dez.1933)

 

 

Aquele que foi conhecido como Senador Vera-Cruz era bisneto do Conselheiro Manoel António Martins. Armador, comerciante, político, agente consular de vários países – Brasil, Uruguai, Inglaterra, Rússia –  tanto na ilha do Sal como na de S. Vicente.  Em 1890, magoado com o Ultimatum inglês a Portugal, pediu a exoneração do cargo de agente consular da Inglaterra.

 

Augusto Vera-Cruz não cursou universidades nem mesmo escolas, mas a educação familiar recebida e uma sólida formação cultural obtida de modo autodidáctico deram-lhe armas que lhe permitiram singrar. Começou a lutar pela sua vida bem cedo e, de simples empregado comercial, elevou-se até ser um dos mais conceituados empresários de S. Vicente, ilha para onde se mudou definitivamente em 1890.

 

Foi nomeado, pelo Governador Lacerda, presidente da Câmara Municipal de S. Vicente, substituindo Sena Barcelos, tendo exercido o cargo de 1898 a 1901. O Banco Nacional Ultramarino nomeou-o gerente da agência de S. Vicente e, mais tarde, da filial na cidade da Praia, onde se encontrava em 1911, quando decidiu apresentar-se como candidato a deputado por Cabo Verde.

 

Tinha sido proclamada a República em Portugal e pretendia-se elaborar uma nova constituição. Vera-Cruz foi eleito, tal como o seu bisavô Martins 90 anos antes, deputado às Constituintes de 1911. Em 1912, foi eleito senador pelo círculo de Cabo Verde, cargo em que permaneceu ininterruptamente até ao derrube do novo regime em 1926, totalizando, assim, quinze anos como representante de Cabo Verde no parlamento português.

 

O Senador Vera-Cruz não foi um parlamentar passivo, devendo-se à sua iniciativa e persistente acção no parlamento a fundação do Liceu Nacional de Cabo Verde. Luta essa pela qual estava sensibilizado pela sua própria experiência pessoal, pois não avançara nos estudos por não ter tido acesso ao ensino secundário. Para além disso, ainda conseguiu a concessão da reforma dos faroleiros e que as receitas das taxas telegráficas ficassem na província. Notabilizou-se na defesa da concessão Blandy, no combate às leis de excepção, na defesa do proletariado, na luta pelo desenvolvimento do Porto Grande e em muitas outras causas.

 

– Informações recolhidas na obra de João Nobre de Oliveira, A Imprensa Cabo-Verdiana. 1820-1975. Macau, Fundação Macau e D.S.E.J., 1998

 

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6 comentários

De Valdemar Pereira a 30.10.2011 às 15:04


Mais um ilustre cabo-verdiano que não devemos esquecer. Um liceu, em S.Vicente ou no Sal, por exemplo, devia ter o nome do Senador Vera-Cruz

De Joaquim ALMEIDA (Morgadinho) a 31.10.2011 às 09:00

Daqueles que fizeram algo importantissimo pelo nosso pais ,como este cidadao, Senador Augusto Vera Cruz ,(emprestar a sua casa )para um estabelecimento do ensino ,-o 1° liceu em Cabo Verde ,merece mais consideraçao e respeito .Consideraçao e respeito,infelizmente sao actos que jà nao se usa na nossa terra desde hà cerca de 30 anos .

De Adriano Miranda Lima a 30.10.2011 às 15:28


Eis uma figura notável da história cabo-verdiana, que não me parece suficientemente lembrado e homenageado como outros o são. Cada personalidade da nossa história tem de ser analisada à luz dos tempos em que viveu e não apenas pelos critérios contemporâneos  que tendem ao exclusivismo do crivo político-nacionalista. Eis um cidadão cabo-verdiano que se fez Grande em todo o sentido da palavra.

De Joaquim Saial a 30.10.2011 às 20:27

Lendo o jornal "Alvorada Diária" de 2 de Setembro de 1919, verifiquei que o nosso homem estivera na zona de New Bedford/Fall River para adquirir navios... sim, no plural. Eis parte da notícia:

"O sr. Vera-Cruz veio a este país comprar alguns navios, tendo já adquirido duas escunas de três mastros que estão à carga em Nova Iork para seguirem para Portugal e tenciona adquirir uma outra para vir tomar carga a este porto com destino às ilhas de Cabo Verde."

Temos então que o senador parece também ter sido parte dessa enorme aventura que foi a carreira à vela entre a costa Oeste dos Estados Unidos da América e as ilhas de Cabo Verde. Muitos naufrágios, muitos mortos e cargas perdidas mas uma grande aura de coragem e valentia cobre essa gesta ainda não totalmente contada.

Braça,
Joaquim Saial

De Brito-Semedo a 30.10.2011 às 22:49


Mas que informação importante para completar o esboço de retrato desse grande homem! Os documentos falam, mas é sempre preciso haver um investigador que os faça falar:-) Obrigado, Amigo, por esta partilha! Os Amigo/Leitores do "Na Esquina" agradecem! Braça grande!

De Joaquim Saial a 30.10.2011 às 20:33

Sorry, eu queria dizer "costa leste". À noite, aqui no escritório, não se vê o sol e a orientação é mais difícil, ahahahaha.

Mais um braça,
Joaquim Saial

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