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Vasco Martins, filho de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, nasceu em Queluz, Portugal em 1956. Aos nove anos juntou-se à família paterna, na ilha de S.Vicente, Cabo-Verde, onde vive. Foi com uma das suas tias, Lili Medina, professora de piano, que começou as primeiras lições de música.

 

Na adolescência integrou grupos musicais (Kuelah Tabanka, Kola) e começou a empreender estudos musicais autodidactas. Em 1976 editou (produções artesanais Daniel Vitória), uma cassete com temas de piano. Foi com a sua venda que adquiriu um piano acústico e começou a aperfeiçoar-se na composição e no piano, dando inúmeros concertos tanto no Mindelo como na cidade da Praia, ao mesmo tempo que se dedicava à guitarra clássica e eléctrica. Em 1978, aos 22 anos, gravou em Lisboa, o primeiro LP, para piano, ‘Vibrações' .

 

Em 1979 viaja para Portugal para estudar com o compositor Fernando Lopes Graça. No período 198-1984, em França, com uma bolsa de estudos, foi discípulo de Henri-Claude Fantapié, compositor, chefe de orquestra e pedagogo. Estudou etno-musicologia no ‘Centre International des Études Superieurs de Musique' (Exchange Musicaux Francophones).

 

A sua primeira peça a ser estreada em público (82) foi ‘Pirâmides’ para órgão, apresentada na Église de Saint-Ignace em Paris pelo organista Jean Courtois.

 

Participou na Tribuna Internacional da UNESCO em 1984 com a obra ‘Quinto Mundo’, gravada por ‘Les Solistes de Paris’, com a direcção de Henri-Claude Fantapié. Em 1988 participou na mesma tribuna com a obra ‘Os Elementos’, interpretada por ‘Opus Ensemble’. De salientar as peças ‘elemento-água’ interpretada pela pianista Olga Pratts e ‘elemento-fogo’ interpretada por Anabela Chaves (viola).

 

Foi um dos fundadores, em 1984, do ‘Festival da Baía das Gatas’.

 

Em 1985 gravou com músicos da Orquestra da Gulbenkian (entre outros, o concertino Aníbal Lima e a violoncelista Teresa Portugal Núncio), o LP ‘Para Além da Noite’, com alguns temas do compositor B.Léza e obras próprias.

 

Seguiram-se os álbuns ‘Universo da Ilha’ com a participação de Luís Morais, ‘Vivências ao Sol’ com o guitarrista Voginha, ‘Oceano Imenso’ e ‘Quinto Mundo’.

 

Vinculado ao Ministério da Cultura como investigador da música de Cabo-Verde, publicou, sob a chancela da UNESCO, um livro sobre a Morna e começou a fazer um vasto trabalho de recolha e estudo das outras formas musicais. Mais tarde transformou este projecto em ‘Cabo- Verde ressonâncias’ que engloba a música, ambientes naturais e criação como um todo interdependente. Parte deste trabalho está publicado na net (menu: ‘Cabo-Verde ressonâncias’).

 

Publicou os romances ‘A verdadeira dimensão ‘(88), ‘Tempos da Moral moral’ (93) e os livros de poesia ‘Universo da Ilha’ (86) e ‘Navegam os olhares com o voo do pássaro’(89).

 

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Arco do Vasco Martins 

 

Em 1989 participa nos 'Encontros de Música Contemporânea da Gulbenkian' com a obra ‘Cosmos’, interpretada pela Orquestra Sinfónica e Coro da Gulbenkian e a soprano Amaro.

 

No princípio dos anos 90 editou em CD, para sintetizadores, vozes, samples e percussão música considerada ‘new age’: ‘Memórias Atlânticas’, ‘Quiet moments’, ‘Ritual Periférico’, ‘Eternal Cycle’ , ‘Island of the Secret Sounds’ e ‘Sublime Delight’.

 

Em 1993 foi estreada na Universidade Paris VIII, pela orquestra ‘Futurs Musiques’ dirigida por Denis Gautheyrie, a suite sinfónica ‘Danças de Câncer’, em seguida tocada no Festival 38éme Rugissants em Grenoble. Em 1995 foi de novo apresentada em Paris no Auditorium Les Halles e gravada nos Davout studios. Saiu em CD em 98.

 

Para comemorar a Primeira Abolição da Escravatura, a Universidade Paris VIII encomendou a cantata ‘Lágrimas na Paraise’(que veio a ser a cantata 'Crioulo'). Foi apresentada nesta Universidade e em Cabo-Verde com Vasco Martins nos sintetizadores, as vozes Solli Tutti e o percussionista senegalês Malamine Sane.

 

Em 1995 a ‘Comissão dos Descobrimentos Portugueses’ encomenda a suite ‘Situações Triangulares’ que foi estreada no Algarve pelo ‘Opus Ensemble’ que gravou em CD o tema 'Canto Cabo-Verdiano'.

 

É estreada em Paris a obra para orquestra de cordas ‘Com o oceano no coração’ interpretada pela orquestra ‘Dionysios’. Esta mesma obra foi apresentada na Austrália pela orquestra Bourbaky, dirigida por David Angells.

 

O Teatro Gerard Philipe com o patrocínio do Estado Francês, encomenda a cantata ‘A la recherche de l’innocence’ para comemorar o centenário do poeta Paul Eluard, que foi apresentada no mesmo teatro.

 

Em 1996 grava com o saxofonista português o álbum ‘Outras Índias’. Grava com o guitarrista Voginha, em Paris, o álbum ‘Dôs’.

 

Com poemas de Fernando Pessoa (heterónimo Alberto Caeiro), compõe e faz as orquestrações para dois violoncelos para o álbum ‘Pessoa em Pessoas’, cantado por Bévinda.

 

Compõe e escreve as canções do álbum ‘Coraçon Leve’, celebrado pela cantora cabo-verdiana Hermínia.

 

Em 1997 começa a escrever a série das nove sinfonias.

 

Produziu os álbuns «Apeiron», ‘Lunario Perpetuo’, ‘Benlibem’ e ‘Sarva Mangalam’, todos gravados em ‘tempo real’ em concertos privados (99-2003).

 

Em 2001 é estreada a Sinfonia 4 ‘Buda Dharma’ em S.Paulo , Brasil , dirigida pelo maestro Lutero Rodrigues. Esta sinfonia será apresentada em França em 2006, dirigida por Henri -Claude Fantapié.

 

Golfinhos no horizonte’, para orquestra de cordas é apresentada no Canadá em 2002 pela Sinfonia Toronto, dirigida pelo maestro arménio Nurhan Arman.

 

Henri-Claude Fantapié, na Colômbia, faz a estreia de ‘Quatro notas na cidade’, obra para clarinete e orquestra clássica.

 

Adquire o sintetizador ‘Kurzweil K2600, com o qual doravante faz ‘performances’ e ’sound design’.

 

Apresentou-se em memoráveis concertos com Nacia Gomi: abertura do Festival B. das Gatas-1999, abertura do Festival da Gamboa-2000, Comemorações do 30º Aniversário da Independência de Cabo-Verde na Cidade Velha.

 

O guitarista australiano John Williams grava ‘Triangular situations’. Guitarristas clássicos entre os quais Andrew Mah e Scott Morris interpretam as suas peças.

 

As sinfonias 6 e 7 são estreadas em Coimbra em 2005, dirigidas por Virgílio Caseiro.

 

È apresentada na Universidade Yale (USA) ‘Triangular situations’ pelo Hartt Cello Ensemble, dirigido por Steven Thomas.

 

Em 2007 sai o álbum ‘4 Sinfonias’, gravado na República Checa, pela North Czech Philharmonic Orchestra dirigida por Charles-Olivieri Munroe.

 

Publica o livro de poemas ‘Run shan’.

 

Em Paris grava o álbum ‘Lua água clara’ para piano solo (2008).

 

A Moravian Philharmonic Orchestra, dirigida por Vit Micka, grava a

Sinfonia 9.

 

Em Março de 2009 é estreada em Lisboa no Centro Cultural de Belém, a cantata ‘Crioulo’.

 

Com o quarteto de cordas de Lisboa Artzen, faz a abertura do Festival da Baia das Gatas e grava o álbum ‘Li Sin’ (2010).

 

Como compositor convidado, obras para quarteto de cordas e guitarra portuguesa (incluindo a Sinfonia 1'Equinócio de Março') são interpretadas nos ‘Encontros de Guitarra Portuguesa’, em Coimbra (Outubro 2010).

 

Apresenta-se em concertos ao piano e guitarra com várias formações (consultar o menu ‘piano concertos’ e ‘guitarra’).

 

 

Discografia selecionada

 

Quinto Mundo (1989)

Quiet Moments (1991)

Ritual Periférico (1992)

Sublime Delight (1997)

Danças de Câncer (1998)

Coraçon Leve (with the singer Herminia) (1998)

Apeiron (2000)

Lunario Perpetuo (2001)

4 Sinfonias (2007)

Lua Água Clara (2009)

Li Sin (2010)

 

Reproduzido do site do Vasco Martins, com a devida vénia (Fonte)

   

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1 comentário

De Valdemar Pereira a 06.11.2011 às 12:53

"Em 1984 tive a honra de ser convidado por ste primo e o grande prazer de ouvir orquestra, sob a direcção de Henri-Claude Fantapié, em Paris, executando obra do Vasco Martins. 
Vinha de longe para a gala, não me manifestei mas imaginem o que ia no coração de um menino de S.Vicente assitindo à apresentação da obra de um cabo-verdiano na Cidade Luz. O facto de ter sido contemplado com um convite chegado de Cabo Verde e o grau de parentesco prôximo passaram para o segundo plano para dar lugar ao orgulho nacional.  

Obrigado, Vasco.
Valdemar Pereira

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