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Pó de (di) Bruma

Brito-Semedo, 29 Nov 11

 

O projecto “Pó de (di) Bruma” nasceu do encontro entre dois portugueses em Cabo Verde. Pretende ouvir as vozes do quotidiano das pessoas e das paisagens do arquipélago, quer pelas imagens, quer pelas palavras. Um olhar nem autóctone, nem estrangeiro, apenas pessoal, de um país e das suas gentes.

 

Tó Gomes, fotógrafo, nasceu em Caldas da Rainha, Portugal, mas mora há já doze anos na cidade da Praia, onde já desenvolveu várias actividades, da informática à restauração. Já participou, com os seus trabalhos em várias exposições e é co-autor dos livros “Olhar a Urbe” e “Essência e Memória”, nos quais publicou fotos com Cabo Verde como pano de fundo.

 

Luís Rodrigues, de 28 anos, natural de Portalegre, Portugal, é professor na Universidade de Santiago em Cabo Verde, país onde reside há dois anos. Desde cedo se habituou a procurar nas palavras, suas e dos outros, um som que quebre a monotonia da realidade. “Pó de (di) Bruma” é o seu primeiro trabalho de poesia.

  

A ACRIDES – Associação Crianças Desfavorecidas foi escolhida pelos autores do projecto "Pó de (di) Bruma" para ser beneficiária em 60% do total das vendas. Os autores associaram-se à, ONG que há mais de dez anos luta pela melhoria de condições de vida de muitas crianças e pela defesa dos seus direitos.

 

Faltando apenas garantir o apoio financeiro necessário, o livro “Pó de (di) Bruma” pretende aliar fotografia, poesia e solidariedade, explorando temas como a mulher, a vida urbana, a história de Cabo Verde ou a infância. O quotidiano crioulo em palavras e imagens.

 

O “Na Esquina” faz aqui uma mostra do livro.

 

 

Cabo Verde

 

Quando nasci

já fitava

o céu seco,

o lá longe

para onde queria fugir

 

Logo em meus primeiros passos,

olhos presos no horizonte,

querendo ver

o que seria

não

 

este tormento de mim

esta solidão desconjunta

esta mãe sem filhos

este abandono…

 

Quando nasci,

já sabia não ser eu

quem queria

                 ser.

 

 

 

Baú

 

Guardo, no baú

do meu peito,

segredo que já sei de cor.

 

Envolto no medo

de quem serei

tranco em mim

a essência

de quem sou

 

Por isso fecho os olhos

Por isso viro a cara

 

à luz de ti,

sonda que me alumia

holofote que me revela,

perscrutando quem já não sei

quem já não sei se sou…

 

Guardo, na concha

das minhas mãos,

nos pincéis

de pálpebras tristes,

segredo que já sei de coração.

 

 

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Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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