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O Menino do Presépio

Brito-Semedo, 20 Dez 11

Família Brito-Semedo, Júnior, Arkansas, EUA
 

O Menino jaz no seu leito de manjedoura.

Quadro igual a muitos na sua singular indigência

Não fosse a luz ígnea do olhar do Menino

Que um pastor jura ter-se desprendido duma estrela.

Ninguém alcança ainda que seus sonhos prematuros

Percorrem já os caminhos misteriosos da alma.

 

No mesmo instante, alva pomba cruza a noite escura e sobrevoa

Os labirintos do tempo. Dispara-se um dardo e a pomba cai,

Mas logo renasce e voa porque vive nos sonhos do Menino.

Os sicários da História renascem do pó dos séculos,

E da morte e da destruição fazem a orgia da História.

Porém o Menino sobrevive entre os escombros do templo.

 

Com cores renascentistas pintam-No e mais tarde suas formas

Reencontram-se em nichos de igrejas e presépios de outros meninos:

– O Menino evola-se então para o desvão da eternidade.

Artífices de ideias pensam o homem e o seu destino e o discurso

E a dialéctica dividem os espíritos e subjugam consciências.

Porém o Menino sobrevive entre os escombros das ideias.

 

É Natal! Um lenho solitário crepita no fogo da minha lareira.

Nozes, pinhas e azevinho formam o compósito circunstancial.

O luar espraia-se na rua e por momentos parece resgatar

Um halo de eternidade. Vem aí a aurora – oxalá outra Aurora!

No presépio, o Menino dorme sob o olhar místico de sua mãe.

– Quem sabe dos teus sonhos Menino dos nossos sonhos?

 

Adriano Miranda Lima, Tomar, Portugal

 

 

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