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Pelo Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor

 

    

É um princípio da Matemática que o conjunto é maior que a soma das partes. Se acrescentarmos a este axioma o afecto, quanto baste, o resultado é visível. Neste caso, o Não há Sol que Morra na Sombra do Poente – Homenagem a Manuel Duarte.

 

Nesta conjugação de afectos, recordações e saudades, sou o único dos participantes que não teve o privilégio de privar, nem ao menos conhecer o Dr. Manuel Duarte. Coube-me, contudo, a incumbência, a mais difícil, de organizar uma “pequena brochura” (a expressão é de quem a encomendou) em homenagem ao intelectual e primeiro Presidente do Instituto Cabo-verdiano do Livro, o ICL, criado em 1976.

 

A ambição era modesta, já que em 1999 a Spleen-Edições tinha dado à estampa, com o patrocínio da Presidência da República e dos filhos de Manuel Duarte, dois livros contendo os seus inéditos: Caboverdianidade e Africanidade, e outros Textos; e Partes de Fundador. Teorias das Partes beneficiárias.

 

Depois de uma tentativa falhada com um outro organizador, fui incumbido dessa tarefa. A indicação do meu nome tinha sido dada pela viúva, a Sra. D. Milú Duarte, eventualmente por algum reconhecimento e razões de afecto, e o meu amigo de muitos anos e Presidente do Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, o cúmplice, ao formular o convite.

 

Apanhado entre este “fogo amigo”, o único problema identificado no momento, quando tinha de dar ali mesmo uma resposta por telemóvel, foi o do prazo. Aceitei o desafio, sem mesmo ter a noção da sua implicação e do material de suporte que teria disponível. E o resultado é o que apresentamos hoje.

 

Realizar esta homenagem na Sala de Leitura, de que Manuel Duarte é o Patrono, assinalando o dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, é um acto de profundo significado, como que seguindo a tradição catalã de, no dia 23 de Abril, Dia de S. Jorge, os cavaleiros oferecerem às suas damas uma rosa vermelha e, em troca, receberem um livro.

 

De referir ainda que o único texto inédito de Manuel Duarte inserido neste trabalho é um ensaio que tem precisamente como título “O Livro em Cabo Verde – Breves Considerações”, escrito dois anos antes da sua morte.

 

Voltando à conjugação de afectos a que me referia, o título é o do poema de Corsino Fortes – “Para ti! MANECAS DUARTE / Da ilha ao Amigo / Do arquipélago ao Camarada”, enquanto a capa é uma caricatura de Humbertona, feita em 1976 – imaginem – nas costas de um saco de enjoo da Société Nationale Air Gabon, numa viagem a Dakar para a primeira reunião da Comissão Mista Cabo Verde – Senegal.

 

O livro está estruturado em três partes. Uma primeira – Um Intelectual Orgânico e um Nacionalista Discreto – onde se procura fazer uma análise antropológica do discurso político de Manuel Duarte, integrando-o no grupo da Nova Largada; uma segunda – Depoimentos – que contém testemunhos de amigos, antigos colegas e camaradas, designadamente, o Presidente Aristides Pereira, o Professor Doutor Fernando Augusto Mourão (Brasileiro), a Advogada e Professora Maria do Carmo Medina (Angolana) e o intelectual e jovem de Seló, Jorge Miranda Alfama; e uma terceira – Documentos Inéditos – com alguns manuscritos que, pela primeira vez, são dados a conhecer ao grande público, designadamente, a “Nota de Pesar do Instituto do Patrocínio e Assistência Judiciários”, assinada por Renato Cardoso, então Presidente da Mesa da Assembleia-Geral, e o texto de Manuel Duarte já referido.

 

Título: Não há Sol que Morra na Sombra do Poente – Homenagem a Manuel Duarte

Organização: Manuel Brito-Semedo
Edição: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro
Ano de edição: Praia, 2006

 

 

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