Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Crónicas A Manduco... (1)

Brito-Semedo, 19 Mai 10

 

 

Nova secção, novo colaborador e uma nova palavra a enriquecer o vocabulário nacional. A manduco guiam-se os burros em nossa terra... Alto aí! Não venham fazer espírito insinuando que fomos assim guiados. A piada é ensossa. Mas, senhores, com certa raça de gente, só a manduco...

 

 

A manduco e a cacete são expressões equivalentes, sem que haja todavia proporção entre o manduco e o cacete.

 

Reservamos o resto das explicações para o senhor Cândido de Figueiredo, que está agora trabalhando numa nova edição do seu Novo Dicionário da Língua Portuguesa.

 

A cacete ou à bruta, hoje em dia, não se educa a infância, não se civiliza o preto, não se conduz o povo pelo verdadeiro caminho do progresso.

 

Por conseguinte, ao encetarmos a presente secção, não ameaçamos com o respectivo título a integridade dos lombos do próximo. Longe de nós tão desumana ideia! O nosso ideal é a Fraternidade universal. Somos pacifistas... A manduco? Sim, que “a manduco” é simplesmente o título de uma nova secção onde discretamente, sem ódios nem lisonjas, e a bem dos interesses da província, se dirão verdades... agridoces”.

 

Como preâmbulo, tenho dito. Agora...

__________________

 

 

 

 

Pedro Monteiro Cardoso nasceu a 24 de Outubro de 1883 na ilha do Fogo e faleceu a 29 de Outubro de 1942 na cidade da Praia, ilha de Santiago. Era filho de Manuel Benício Cardoso e de Ana Teodora Monteiro Barbosa Cardoso, naturais da ilha do Fogo.

 

 

Tendo estudado no Seminario-Lyceu de S. Nicolau, foi funcionário aduaneiro do quadro da província de Cabo Verde, primeiro na Ilha Brava, depois nas ilhas do Fogo, S. Nicolau e Boa Vista. Posteriormente foi recebedor da Fazenda do concelho da sua ilha natal. Seguiu-se um breve período na actividade privada em que passou a viver em São Vicente. Reintegrado na função pública, foi colocado como recebedor no concelho da Praia. Reformado por motivos de saúde em 1933, só então saiu pela primeira vez do arquipélago, indo em tratamento aos EUA, regressando via Lisboa. A partir daí repartiu a sua vida entre as ilhas do Fogo e de Santiago e foi no hospital desta última que faleceu.

 

No campo da política e do jornalismo, Pedro Cardoso assumiu-se como socialista, melhor dito, comunista, tendo sido um ardente defensor do continente negro e da dignificação do homem africano, usando nos seus escritos o pseudónimo “Afro”. Foi fundador, proprietário, director e editor do jornal O Manduco (Fogo, 1923-1924) e, juntamente com João Lopes (S. Nicolau, 1884-1979), foi responsável pelo jornal (socialista) Cabo Verde (S. Vicente, 1920-1921). Colaborou em vários jornais cabo-verdianos e portugueses.

 

Por Decreto Presidencial N.º 3/95, de 2 de Fevereiro, foi agraciado, a título póstumo, com o Segundo Grau da Ordem do Dragoeiro.

 

Título: Pedro Cardoso – Textos Jornalísticos e Literários

Autor: Pedro Cardoso

Organizadores: M. Brito-Semedo e Joaquim Morais
Edição: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro
Ano de edição: Praia, 2008

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

subscrever feeds

Powered by