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Literatura Infanto-Juvenil em CV

Brito-Semedo, 2 Jun 10

 

Passou-me despercebido o Dia Internacional do Livro Infantil, que se comemora desde 1967, no dia 2 de Abril, data em que nasceu Hans Christian Andersen, famoso escritor e poeta dinamarquês de histórias infantis, de que se destaca "O Patinho Feio", "O Soldadinho de Chumbo", "A Pequena Sereia", "A Princesa e a Ervilha", entre outros.

 

Na verdade, este dia tem como objectivo suscitar (provocar) o gosto pela leitura e chamar a atenção para os livros escritos para crianças. O gosto pela leitura deve cultivar-se desde a mais tenra idade e as crianças que gostam de livros adquirem (ganham) e desenvolvem, mais cedo, criatividade, autoconfiança, respeito pelos outros, compreensão, etc..., um conjunto de bases essenciais para o seu crescimento.

 

Assim, ainda que com algum atraso, mas na sequência do Dia da Criança, o Na Esquina do Tempo reproduz, com a devida vénia, uma matéria da Inforpress, Agência Cabo-verdiana de Informação:

 

 

Escritores infanto-juvenis apelam a uma maior reflexão e investimentos no sector

02 de Abril de 2010, 09:49


Cidade da Praia, 02 de Abr. (Inforpress) – Comemora-se hoje o Dia Internacional do Livro Infantil e em Cabo Verde, a data serviu de pretexto para escritores e amantes desse género literário apelarem a uma maior reflexão e investimentos no sector, com vista a desenvolver mais as criações infanto-juvenis no país.

 

A literatura infanto-juvenil em Cabo Verde carece de uma produção mais activa, mas a grande falha está na sua pouca valorização, defende a jornalista Natacha Magalhães, autora da colectânea de Contos “Mãe Conta-me uma história”.


“Penso que essa carência não é só por falta de apoio, é também pela falta de valorização. As pessoas escrevem poesia, romances, mas não se arriscam nesse género. Não é fácil escrever para crianças, porque tem que se vestir a pele das crianças, entrar no mundo imaginário delas, escrever com conceitos e palavras próprias para elas”, explica.


Na mesma linha de ideias, Zaida Sanches, autora da colectânea “Stera”, aponta, como outras causas, o custo elevado das publicações, devido às ilustrações, a falta de sensibilização e investimento das instituições que defendem-se, com o argumento de que este tipo de escritas não influencia directamente o público alvo das suas empresas, “esquecendo-se que poderão influencia-los indirectamente, porque a criança de hoje é adulto amanhã”, acrescenta.

Por sua vez, a escritora Hermínia Curado apela a uma maior reflexão sobre a literatura infanto-juvenil, lembrando que embora exista em Cabo Verde poucos escritores que se dedicam a esse género literário, ela tem sido uma “literatura boa, e que representa a realidade do país em qualquer parte do mundo”.


“Mas acho que ainda não se dá grande importância à literatura infanto-juvenil. Ela tem custos, mas quer o Governo, quer as instituições que estão ligadas à publicação deveriam investir mais, porque as crianças precisam realmente de ter essa literatura à mão, por razões linguísticas, mas também por questão de formação, pois no final da história há sempre uma moral que se tira das leituras”, argumentou.


Nesse aspecto, essas amantes da escrita infanto-juvenil defendem que ainda existe um longo caminho a percorrer, um caminho que, de acordo com Natacha Magalhães, poderá começar pelo relembrar da data.


“Uma das primeiras coisas é relembrar, todos os anos, essa data. Aqui, o Dia do Livro Infanto-Juvenil passa completamente despercebido. Depois, deverá existir um plano nacional de leitura, à semelhança de outros países. Nós não desenvolvemos nas crianças o hábito de leitura, mesmo nas escolas, elas apenas estudam os manuais e ficam por aí, não há criatividade”, diz.

Um hábito que deverá iniciar antes dos 6 anos, pelos livros ilustrativos, mesmo para as crianças que ainda não sabem ler, diz, salientando o importante papel da família que deverá criar o hábito de ofertar livros aos filhos, porque “ é assim que se começa a despertar o gosto pelos livros e o hábito pela leitura”, aclara.


O livro infanto-juvenil é, na opinião das nossas entrevistadas, um importante “explorador da capacidade interpretativa e criativa das crianças, forma os leitores de amanhã”, e, para isso acontecer, de acordo com Zaida Sanches, é preciso investir hoje nos pequenos leitores, ajudando-os a descobrir os novos vocabulários, novas realidades, sem desvalorizar os valores que elas transmitem, acabando sempre por os educar.


A data é assinalada hoje, por ser aniversário de Hans Christian Andersen, um poeta e escritor dinamarquês de histórias infantis, que deu a sua contribuição para a literatura infanto-juvenil, o nome que também baptizou o mais importante prémio internacional do género, o “Prémio Hans Christian Andersen”.

 

AR

Inforpress

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