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'Comer, Rezar, Amar', Filme

Brito-Semedo, 13 Ago 10

 

Comer, rezar.jpeg

 

Elizabeth (Julia Roberts) tem problemas nos seus relacionamento amorosos. Um dia, ela decide largar tudo por um ano inteiro (amigos, trabalho, família) para viver novas experiências em lugares diferentes de todos os que já frequentou. E parte para a Índia, Itália e Bali, para assim crescer numa grande viagem de auto conhecimento.

 

Ficha Técnica  

Título Original: Eat Pray Love  

Género: Drama  

Duração:  

Ano de Lançamento: 2010  

Estúdio: Columbia Pictures | Plan B Entertainment | Red Om Films  

Distribuidora: Columbia Pictures (EUA) | Sony Pictures Releasing (Brasil)  

Direcção: Ryan Murphy  

Roteiro: Ryan Murphy e Jennifer Salt, baseados no livro de Elizabeth Gilbert  

Produção: Dede Gardner  

Música: Dario Marianelli  

Fotografia: Robert Richardson  

Direcção de Arte: Charley Beal  

Figurino: Michael Dennison  

Edição: Bradley Buecker  

Efeitos Especiais: Drew Jiritano (coordenador) 

 

Julia Roberts é considerada a principal atriz de Hollywood dos últimos 20 anos. Mas até ela fica nervosa com seus projetos cinematográficos. Com o mais recente, a adaptação para as telas do livro de Elizabeth Gilbert Comer, rezar, amar, não foi diferente.

 

"Se não me sinto ansiosa, emocionada ou nervosa, significa que não investi muito ou não deveria estar ali. Só aceito trabalhos quando sei que posso crescer e cumprir minhas metas", diz Julia, de 42 anos, em entrevista à agência de notícias AP.

 

Ao que parece, Julia mergulhou mesmo fundo no trabalho, e emergiu dele convertida ao hinduísmo, de acordo com o jornal britânico Daily Mail. E, na edição de setembro da Elle, a estrela informa que agora vai ao templo para "cantar, rezar e celebrar".

 

No filme, que será lançado nesta sexta-feira nos Estados Unidos, seu personagem viaja à Itália para comer, vai à Índia para rezar e a Bali para amar. No Brasil, o lançamento está previsto para 1º de outubro.

 

Mas, se a atriz confessadamente continua a sofrer de ansiedade enquanto toca seus projetos, não está só neste barco. O diretor Ryan Murphy confessou ter enfrentado um ataque de nervos antes de conhecer a estrela. "Fiquei realmente nervoso antes de conhecê-la, porque sempre fui um admirador. Vi todos os seus filmes. Nada me surpreende nela, porque o que se vê é o que existe. Essa é a razão pela qual todos a adoram. Ela é muito sincera, muito simpática. Só não sabia que ela era tão linda", derramou-se Murphy.

  

Comer, rezar.jpeg

 

Os dois estiveram na Califórnia para conversar com a imprensa sobre a produção em que também atua o espanhol Javier Bardem. A família de Julia, incluindo os gêmeos de 5 anos, Hazel e Phinnaeus, e o caçula, Henry, de 3, acompanharam a mãe na viagem.

 

"Eles acabaram de ir à Índia, porque meu marido (o fotógrafo Danny Moder) esteve lá a trabalho. Viajamos por todo o país. Quando eu disse que voltaríamos lá, eles ficaram muito emocionados. E aproveitamos para visitar todos os lugares onde não havíamos ido", contou Julia, que até reconheceu um elefante durante a viagem: "Dei de cara com o elefante e pensei 'eu conheço ele'. Era o mesmo elefante que fez uma cena comigo no filme".

 

Além de atriz, Julia também está trabalhando, atualmente, como produtora de uma série de TV que vai estrear em janeiro no novo canal a cabo de Oprah Winfrey. "O programa se chama 'Mães extraordinárias'. Para mim é motivo de comemoração fazer um programa que honra as mães, porque elas fazem coisas maravilhoss todos os dias. Encontramos mães com histórias incríveis e resolvemos contar. Oprah tornou possível".

 

Ao analisar a própria vida, Julia Roberts diz sentir-se "realmente satisfeita". Seu próximo passo? "Preparar-me para mandar as crianças para a creche".

 

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Hospital da Praia (Arquivo Histórico Nacional, Praia) 

 

 

Em vão! Em vão ansiamos a ventura!

Somos na terra qual viajante exausto!

Que ouve o sussurro d'escondida fonte

E morre à sede sem poder tocá-la!...

 

(Soares de Passos)

 

__

 

 

(Continuação)

 

 

II

 

 

No dia seguinte, ou fosse efeito da singular predisposição de espírito que de nós se apodera ao entrarmos no hospital, ainda mesmo de perfeita saúde, ou que perfeitamente me não desse bem com aqueles ares, amanheci com a cabeça turva e pesada, nervoso, sentindo um incómodo geral e uma irritação de espírito que aumentou com a entrada do servente dos quartos, com o qual comecei por embirrar solenemente por me levar chá em lugar de café, a que estava habituado pela manhã.

 

– São as ordens! Disse-me o tratante com a maior placidez, poisando a bandeja em cima de uma cadeira à cabeceira da cama.

 

– Pois chame já o Sr. enfermeiro!

 

– Presente! Disse uma voz de falsete.

 

Era o tio Olifus, que tinha deslizado no quarto atrás do servente.

 

– Faça favor de mandar trazer-me café.

 

– É preciso pedir primeiro ao doutor. A sua dieta é chá...

 

Ouvindo isso, acabei de perder as estribeiras.

 

– Levem os diabos o chá, mais a dieta e o doutor!... O Sr. sabe...

 

Chiton! Fez-me o enfermeiro com um gesto expressivo, indicando o servente.

 

Engoli em seco... e para disfarçar fui também engolindo o chá, com as competentes fatias.

 

O criado saiu levando a bandeja, e eu comecei a queixar-me ao enfermeiro da indisposição que sentia.

 

Parece-me que estou realmente doente! Concluí, com voz lamentosa.

 

– Tanto melhor! Respondeu-me o tio Olifo, sacudindo a cinza do cachimbo. Pois não era o que o Sr. queria?...

 

– Não, Sr. ... entendamo-nos! O que eu quero é a licença.

 

– Não se pescam trutas a bragas enxutas... É preciso pelo menos que o Sr. se queixe de alguma coisa ao doutor...

 

– Sem dúvida, mas...

 

– Mas... que mais quer o Sr. Cunha?... Segundo os sintomas que dá, temos doença pronta, uma gastrite magnífica!...

 

– Hein!?... exclamei eu, assustado.

 

– Deixe lá as calças, homem!... Olhe que não deve levantar-se antes da chegada do doutor...

 

– Mas, Sr. sargento... isso de gastrite...

 

– E então?... Cura-se logo e depois apanha a sua licença, um mês pelo menos, para tomar águas férreas na Brava...

 

– Com esta perspectiva resignei-me a de uma gastrite, tanto mais que só o anúncio dela como que me curou por milagre das veleidades nervosas que sentia.

 

Chegou a hora da visita clínica, e tendo o enfermeiro dado conta do caso ao facultativo... bem entendido, somente o caso da gastrite... o doutor formulou, contentando-se apenas com tomar-me o pulso, olhando-me de revés com aquela vista de águia de certos facultativos, que parecem dizer-nos nas bochechas:

 

– Ah! Seu maganão!... Você o que tem é uma grande manha no corpo: mas espere, que já lho digo...

 

Zás! Um purgante que nos põe logo fracos e mansinhos, que nem uns cordeirinhos.

 

Abstenho-me de contar ao leitor as demais peripécias deste primeiro dia do hospital, empregado exclusivamente em não fazer coisa nenhuma e em aborrecer-se de morte, com a única distracção da palestra de alguns enfermeiros meus conhecidos e a visita de um ou dois dos meus amigos e colegas que foram saber da minha importante saúde e causticar-me com fartos epigramas, pois acreditava tanto na minha doença como nos milagres de Mafoma.

 

O facto é, porém, que fui buscar lã e vi-me tosquiado, pois, efeito do purgante, provavelmente, na manhã do segundo dia acordei com falta de respiração e o fígado inchado... o que fez esfregar as mãos de contente ao maroto do tio Olifo.

 

– Bravo! disse ele. Agora temos hipertrofia do fígado! O amigo não apanha menos de dois meses de licença...

 

– Dois dardos que o atravessem, malvado! gritei eu exasperado. Se você sabia que o purgante me faria mal, porque mo deixou tomar?...

 

– Para o limpar... é boa! Pois um purgantezinho faz lá algum mal?...

 

Tive tentações de esganar aquele maldito, mas contive-me, esperando não ter de aturá-lo senão uns três dias, tempo suficiente para poder apresentar-me à Junta.

 

Desta vez, o doutor fez-me deitar a língua de fora e receitou cataplasma de linhaça, e outra coisa... que rejeitei redondamente no nariz do tio Olifo.

 

Basta de brincadeiras! Disse-lhe eu. Antes quero ir-me embora e ficar sem licença, do que deixar a vocês embutir-me no bucho toda a trapalhada, e afinal apanhar alguma doença a valer... Nada! nada!... E depois, já estou morto de aborrecimento! Se ao menos pudesse levantar-me e passear por aí...

 

O velho diabo expeliu umas poucas baforadas do seu inseparável canhoto, e retorquiu-me com toda a placidez:

 

– Como quiser... Mas lhe digo que o Sr. tem medo e se aborrece muito depressa... Olhe, se estivesse aqui há três meses, sempre de cama, e de mal a pior, como esse pobre D. João...

 

Ora até que afinal entra em cena o D. João! Exclamará neste ponto o leitor, atalhando o meu espanto e as explicações do tio Olifo.

 

Que perspicácia a do leitor! E há que tempos terá ele adivinhado que D. João era meu vizinho de quarto, e que mais hora ou menos hora havíamos de travar conhecimento, e chegar às confidências!

 

Já não se pode fazer fortuna, hoje, com surpresas de romance! E decididamente... não conto mais!

 

(Continua)

 

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
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