Esquina do Tempo

Magazine Cultural Online

16 Agosto 2010

Comer, Rezar, Amar, Livro

A partir de agora e recorrendo às informações disponibilizadas na net pelas editoras portuguesas e brasileiras, o "Na Esquina do Tempo" passa a apresentar uma nova rubrica, o "Livro da Semana".

 

Na sequência do último "Filme em Cartaz", aqui apresentado, nada como abrir esta secção com o livro que esteve na origem de Comer, Rezar, Amar.

 

Através da indicação da página electrónica, que acompanhará o texto de apresentação, o leitor, querendo, pode encomendar o livro da sua preferência. É que, citando o blogue Chocolate para a Alma, "ler não engorda!"

 


O prazer mundano, a devoção religiosa e os verdadeiros desejos.

Sucesso mundial com mais de 4 milhões de exemplares vendidos, "Comer , Rezar, Amar" ocupou por cerca de um ano o primeiro lugar da lista de mais vendidos do The New York Times e foi lançado em trinta países.

 

 

As vendas do livro, publicado no Brasil em fevereiro de 2007, cresceram de maneira significativa nos últimos meses - apenas em janeiro, foi vendida mais da metade do total de exemplares comercializados ao longo de todo o ano passado. Graças a esse enorme sucesso entre os leitores brasileiros, Comer, rezar, amar acaba de ganhar uma edição em novo formato.


Elizabeth Gilbert estava com quase trinta anos e tinha tudo o que qualquer mulher poderia querer: um marido apaixonado, uma casa espaçosa que acabara de comprar, o projeto de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, sentia-se confusa, triste e em pânico.


Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado. Até que decidiu tomar uma decisão radical: livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo – sozinha. "Comer, Rezar, Amar" é a envolvente crônica desse ano. O objetivo de Gilbert era visitar três lugares onde pudesse examinar aspectos de sua própria natureza, tendo como cenário uma cultura que, tradicionalmente, fosse especialista em cada um deles. "Assim, quis explorar a arte do prazer na Itália, a arte da devoção na Índia, e, na Indonésia, a arte de equilibrar as duas coisas", explica.


Em Roma, estudou gastronomia, aprendeu a falar italiano e engordou os onze quilos mais felizes de sua vida. Na Índia dedicou-se à exploração espiritual e, com a ajuda de uma guru indiana e de um caubói texano surpreendentemente sábio, viajou durante quatro meses. Já em Bali, exercitou o equilíbrio entre o prazer mundano e a transcendência divina. Tornou-se discípula de um velho xamã, e também se apaixonou da melhor maneira possível: inesperadamente.


Escrito com ironia, humor e inteligência, o best seller de Elizabeth Gilbert é um relato sobre a importância de assumir a responsabilidade pelo próprio contentamento e parar de viver conforme os ideais da sociedade. É um livro para qualquer um que já tenha se sentido perdido, ou pensado que deveria existir um caminho diferente, e melhor.


Aclamado pelo The New York Times como um dos 100 livros notáveis de 2006 e escolhido pela Entertainment Weekly uma das melhores obras de não-ficção do ano, "Comer, Rezar, Amar" originou o roteiro do filme homônimo.

 

Título: Comer, Rezar, Amar

Género: Não Ficção
Autor: Gilbert, Elizabeth
Editora: Objetiva

publicado por Brito-Semedo às 11:38
13 Agosto 2010

'Comer, Rezar, Amar', Filme

 

Elizabeth (Julia Roberts) tem problemas nos seus relacionamento amorosos. Um dia, ela decide largar tudo por um ano inteiro (amigos, trabalho, família) para viver novas experiências em lugares diferentes de todos os que já frequentou. E parte para a Índia, Itália e Bali, para assim crescer numa grande viagem de auto conhecimento.

 

Ficha Técnica  

Título Original: Eat Pray Love  

Género: Drama  

Duração:  

Ano de Lançamento: 2010  

Estúdio: Columbia Pictures | Plan B Entertainment | Red Om Films  

Distribuidora: Columbia Pictures (EUA) | Sony Pictures Releasing (Brasil)  

Direcção: Ryan Murphy  

Roteiro: Ryan Murphy e Jennifer Salt, baseados no livro de Elizabeth Gilbert  

Produção: Dede Gardner  

Música: Dario Marianelli  

Fotografia: Robert Richardson  

Direcção de Arte: Charley Beal  

Figurino: Michael Dennison  

Edição: Bradley Buecker  

Efeitos Especiais: Drew Jiritano (coordenador) 

 

Julia Roberts é considerada a principal atriz de Hollywood dos últimos 20 anos. Mas até ela fica nervosa com seus projetos cinematográficos. Com o mais recente, a adaptação para as telas do livro de Elizabeth Gilbert Comer, rezar, amar, não foi diferente.

 

"Se não me sinto ansiosa, emocionada ou nervosa, significa que não investi muito ou não deveria estar ali. Só aceito trabalhos quando sei que posso crescer e cumprir minhas metas", diz Julia, de 42 anos, em entrevista à agência de notícias AP.

 

Ao que parece, Julia mergulhou mesmo fundo no trabalho, e emergiu dele convertida ao hinduísmo, de acordo com o jornal britânico Daily Mail. E, na edição de setembro da Elle, a estrela informa que agora vai ao templo para "cantar, rezar e celebrar".

 

No filme, que será lançado nesta sexta-feira nos Estados Unidos, seu personagem viaja à Itália para comer, vai à Índia para rezar e a Bali para amar. No Brasil, o lançamento está previsto para 1º de outubro.

 

Mas, se a atriz confessadamente continua a sofrer de ansiedade enquanto toca seus projetos, não está só neste barco. O diretor Ryan Murphy confessou ter enfrentado um ataque de nervos antes de conhecer a estrela. "Fiquei realmente nervoso antes de conhecê-la, porque sempre fui um admirador. Vi todos os seus filmes. Nada me surpreende nela, porque o que se vê é o que existe. Essa é a razão pela qual todos a adoram. Ela é muito sincera, muito simpática. Só não sabia que ela era tão linda", derramou-se Murphy.

  

 

Os dois estiveram na Califórnia para conversar com a imprensa sobre a produção em que também atua o espanhol Javier Bardem. A família de Julia, incluindo os gêmeos de 5 anos, Hazel e Phinnaeus, e o caçula, Henry, de 3, acompanharam a mãe na viagem.

 

"Eles acabaram de ir à Índia, porque meu marido (o fotógrafo Danny Moder) esteve lá a trabalho. Viajamos por todo o país. Quando eu disse que voltaríamos lá, eles ficaram muito emocionados. E aproveitamos para visitar todos os lugares onde não havíamos ido", contou Julia, que até reconheceu um elefante durante a viagem: "Dei de cara com o elefante e pensei 'eu conheço ele'. Era o mesmo elefante que fez uma cena comigo no filme".

 

Além de atriz, Julia também está trabalhando, atualmente, como produtora de uma série de TV que vai estrear em janeiro no novo canal a cabo de Oprah Winfrey. "O programa se chama 'Mães extraordinárias'. Para mim é motivo de comemoração fazer um programa que honra as mães, porque elas fazem coisas maravilhoss todos os dias. Encontramos mães com histórias incríveis e resolvemos contar. Oprah tornou possível".

 

Ao analisar a própria vida, Julia Roberts diz sentir-se "realmente satisfeita". Seu próximo passo? "Preparar-me para mandar as crianças para a creche".

 

 

publicado por Brito-Semedo às 13:17
13 Agosto 2010

A Morte de D. João – Memórias do Hospital (1)

Hospital da Praia (Arquivo Histórico Nacional, Praia) 

 

 

Em vão! Em vão ansiamos a ventura!

Somos na terra qual viajante exausto!

Que ouve o sussurro d'escondida fonte

E morre à sede sem poder tocá-la!...

 

(Soares de Passos)

 

__

 

 

(Continuação)

 

 

II

 

 

No dia seguinte, ou fosse efeito da singular predisposição de espírito que de nós se apodera ao entrarmos no hospital, ainda mesmo de perfeita saúde, ou que perfeitamente me não desse bem com aqueles ares, amanheci com a cabeça turva e pesada, nervoso, sentindo um incómodo geral e uma irritação de espírito que aumentou com a entrada do servente dos quartos, com o qual comecei por embirrar solenemente por me levar chá em lugar de café, a que estava habituado pela manhã.

 

– São as ordens! Disse-me o tratante com a maior placidez, poisando a bandeja em cima de uma cadeira à cabeceira da cama.

 

– Pois chame já o Sr. enfermeiro!

 

– Presente! Disse uma voz de falsete.

 

Era o tio Olifus, que tinha deslizado no quarto atrás do servente.

 

– Faça favor de mandar trazer-me café.

 

– É preciso pedir primeiro ao doutor. A sua dieta é chá...

 

Ouvindo isso, acabei de perder as estribeiras.

 

– Levem os diabos o chá, mais a dieta e o doutor!... O Sr. sabe...

 

Chiton! Fez-me o enfermeiro com um gesto expressivo, indicando o servente.

 

Engoli em seco... e para disfarçar fui também engolindo o chá, com as competentes fatias.

 

O criado saiu levando a bandeja, e eu comecei a queixar-me ao enfermeiro da indisposição que sentia.

 

Parece-me que estou realmente doente! Concluí, com voz lamentosa.

 

– Tanto melhor! Respondeu-me o tio Olifo, sacudindo a cinza do cachimbo. Pois não era o que o Sr. queria?...

 

– Não, Sr. ... entendamo-nos! O que eu quero é a licença.

 

– Não se pescam trutas a bragas enxutas... É preciso pelo menos que o Sr. se queixe de alguma coisa ao doutor...

 

– Sem dúvida, mas...

 

– Mas... que mais quer o Sr. Cunha?... Segundo os sintomas que dá, temos doença pronta, uma gastrite magnífica!...

 

– Hein!?... exclamei eu, assustado.

 

– Deixe lá as calças, homem!... Olhe que não deve levantar-se antes da chegada do doutor...

 

– Mas, Sr. sargento... isso de gastrite...

 

– E então?... Cura-se logo e depois apanha a sua licença, um mês pelo menos, para tomar águas férreas na Brava...

 

– Com esta perspectiva resignei-me a de uma gastrite, tanto mais que só o anúncio dela como que me curou por milagre das veleidades nervosas que sentia.

 

Chegou a hora da visita clínica, e tendo o enfermeiro dado conta do caso ao facultativo... bem entendido, somente o caso da gastrite... o doutor formulou, contentando-se apenas com tomar-me o pulso, olhando-me de revés com aquela vista de águia de certos facultativos, que parecem dizer-nos nas bochechas:

 

– Ah! Seu maganão!... Você o que tem é uma grande manha no corpo: mas espere, que já lho digo...

 

Zás! Um purgante que nos põe logo fracos e mansinhos, que nem uns cordeirinhos.

 

Abstenho-me de contar ao leitor as demais peripécias deste primeiro dia do hospital, empregado exclusivamente em não fazer coisa nenhuma e em aborrecer-se de morte, com a única distracção da palestra de alguns enfermeiros meus conhecidos e a visita de um ou dois dos meus amigos e colegas que foram saber da minha importante saúde e causticar-me com fartos epigramas, pois acreditava tanto na minha doença como nos milagres de Mafoma.

 

O facto é, porém, que fui buscar lã e vi-me tosquiado, pois, efeito do purgante, provavelmente, na manhã do segundo dia acordei com falta de respiração e o fígado inchado... o que fez esfregar as mãos de contente ao maroto do tio Olifo.

 

– Bravo! disse ele. Agora temos hipertrofia do fígado! O amigo não apanha menos de dois meses de licença...

 

– Dois dardos que o atravessem, malvado! gritei eu exasperado. Se você sabia que o purgante me faria mal, porque mo deixou tomar?...

 

– Para o limpar... é boa! Pois um purgantezinho faz lá algum mal?...

 

Tive tentações de esganar aquele maldito, mas contive-me, esperando não ter de aturá-lo senão uns três dias, tempo suficiente para poder apresentar-me à Junta.

 

Desta vez, o doutor fez-me deitar a língua de fora e receitou cataplasma de linhaça, e outra coisa... que rejeitei redondamente no nariz do tio Olifo.

 

Basta de brincadeiras! Disse-lhe eu. Antes quero ir-me embora e ficar sem licença, do que deixar a vocês embutir-me no bucho toda a trapalhada, e afinal apanhar alguma doença a valer... Nada! nada!... E depois, já estou morto de aborrecimento! Se ao menos pudesse levantar-me e passear por aí...

 

O velho diabo expeliu umas poucas baforadas do seu inseparável canhoto, e retorquiu-me com toda a placidez:

 

– Como quiser... Mas lhe digo que o Sr. tem medo e se aborrece muito depressa... Olhe, se estivesse aqui há três meses, sempre de cama, e de mal a pior, como esse pobre D. João...

 

Ora até que afinal entra em cena o D. João! Exclamará neste ponto o leitor, atalhando o meu espanto e as explicações do tio Olifo.

 

Que perspicácia a do leitor! E há que tempos terá ele adivinhado que D. João era meu vizinho de quarto, e que mais hora ou menos hora havíamos de travar conhecimento, e chegar às confidências!

 

Já não se pode fazer fortuna, hoje, com surpresas de romance! E decididamente... não conto mais!

 

(Continua)

 

 

publicado por Brito-Semedo às 12:37
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11 Agosto 2010

Crónicas A Manduco... (8)

 

Foto de António Gomes, 2010 - Project "Pó de Bruma" BW and Poetry

 

Algumas comissões municipais, no louvável empenho de concorrerem para a diminuição do consumo do álcool, têm criado um imposto especial sobre a aguardente de produção provincial, e outras bebidas alcoólicas e fermentadas importadas, com excepção do vinho.

 

Se bem que não concordemos com a inclusão das fermentadas, pois a cerveja, por exemplo, é no nosso humilde entender, um bom refrigerante para estes climas, não deixamos de apoiar com vigor e incitar as diversas vereações da província a não pouparem os borrachos. Sim, que só possam embebedar-se os ricos. Oxalá venham a estabelecer um imposto sobre o tabaco, um veneno tão violento e prejudicial como o álcool. Que, também, só possam narcotizar-se os ricos.

 

O uso e o abuso do álcool e do tabaco, a tuberculose por esse abuso favorecida, as estiagens e o analfabetismo são males que estão afectando intensa e extensamente a província. Urge combatê-las sem descanso, empregando-se todos os meios, todas as armas até à completa exterminação.

 

Um dos meios mais eficazes é fazer com que as crianças não provem do fruto proibido, evitando os pais e os professores fumar perante os filhos e discípulos: aconselhando-os com boas palavras e com o exemplo a não tocarem em bebida alguma alcoólica. Que bebam somente água.

 

Quanto aos adultos, se é possível a regeneração dos viciosos em adiantado grau, todavia não se deve pôr de banda qualquer remédio que possa concorrer para desviar do abismo os ainda não inveterados pelo repugnante vício.

 

É fazendo a todos conhecer os estragos terríveis e as desgraças que o alcoolismo causa aos indivíduos, à sociedade; é instruindo o povo das suas desastrosas consequências, despertando em sua alma obscura, mas generosa, o horror ao uso do álcool, pois do uso é que vem o abuso, e excitando-lhe a dignidade, é só assim lutando que se conseguirá debelar o flagelante mal. Não temos a estulta pretensão de vir com o nosso desanclorizado conselho fazer que o caranguejo filho não ande às arrecuas como caranguejo pai, porque o fatalismo dos tempos escuros é o que hoje em dia a ciência denomina a Hereditariedade.

 

Damos por isso a palavra sobre o “álcool e alcoolismo” a um médico distintíssimo no dizer dos competentes – uma figura de notável relevo moral e político no Partido Republicano.

 

Mas tenham paciência os prezados leitores; só poderão ouvi-lo de hoje a 7 dias. Estejam, pois, sossegadinhos que não perdem com a demora. A lição é magistral; é preciso preparar bem o espírito para a perceber. Muita atenção e propósito firme de emenda. Senão, canta o... manduco.

AFRO

 

 

publicado por Brito-Semedo às 12:41
09 Agosto 2010

Crónicas A Manduco... (7)

 

A união faz a força; é um ditado velhíssimo como a morte, mas também como ela infalível.

 

Desde que o mundo é mundo, o homem, ou por mero instinto, ou por discernimento intelectual, tem procurado fortalecer-se na união, para a defesa ou para o ataque. Nos tempos primitivos, tendo por arma apenas o machado de sílex, foi pela união que conseguiu disputar vitoriosamente às feras a posse das cavernas. Assim tem vindo pelos séculos adiante, ora entregando os pulsos às algemas, se a desunião lhe quebranta a potência, ora cantando vitória e erguendo trofeus, se à constância e valor ajunta a força incontrastável de solidariedade.

 

Até os animais mais brutinhos põem em prática o salutar princípio que incura e ensina o transcrito ditado.

 

As aves andam em bandos, os peixes aos cardumes e as abelhas aos enxames.

 

Escusamos de contar como os tordos se defendem das investidas dos milhafres e as ovelhas dos assaltos dos lobos, porque são lições que se aprendem nos livros de leitura para as escolas primárias.

 

A união faz a força, e a força é no estado social presente e como sempre, a condição essencial da existência.

 

Os fracos, povos ou indivíduos, são obrigados a ceder o lugar aos fortes: não têm direito à vida.

 

É preciso, pois, que nos unamos todos na comunhão dum mesmo ideal, de profícua utilidade e de levantada benemerência, qual é trabalhar tenazmente e devotadamente para que se debele e extinga, para todo o sempre, o analfabetismo, a tuberculose, o alcoolismo e a fome enfim.

 

Como vos dizemos, só unindo-nos e associando-nos, é que poderemos alcançar vitória tão fulgente e humana e gloriosa.

 

Lavradores ou proprietários rurais, associemo-nos em sindicatos agrícolas, e, assim fortalecidos, poderemos obter do Estado a criação ou o estabelecimento de um Crédito Agrícola; artistas, operários ou burocratas, unamo-nos em associações de classes, em cooperativas; instituamos caixas económicas e fundemos escolas, centros de instrução e recreio: despojemo-nos dos velhos andrajos e enverguemos a clâmide aurifulgente da concórdia e da bondade.

 

Mais uma vez gritamos: união, Compatriotas! Os povos desunidos foram sempre facilmente subjugados. Exemplos convincentes abundam na História antiga e moderna. É escusado citar-vo-los, que os conheceis melhor do que nós.

 

*

 

Ao lembrarmos que uma dúzia de microscópicas formigas vencem uma descomunal barata, sentimos violentos desejos de obrigar todos os cabo-verdianos a se fortificarem na união, mas a manduco...

 AFRO

 

 

publicado por Brito-Semedo às 12:51
06 Agosto 2010

'O Bem Amado'

Lembram-se da novela brasileira “O Bem Amado”, do Prefeito de Sucupira e do sucesso que fez em Cabo Verde? Pois bem, a história está agora em filme e a ser exibido nos cinemas brasileiros! O site Adoro Cinema traz as informações todas, a ficha técnica, os trailers, o elenco, os comentários e muito mais.

 

Brevemente num cinema perto de si!

 

 

Após o assassinato do prefeito de Sucupira por Zeca Diabo (José Wilker), uma disputa política entre Odorico Paraguaçu (Marco Nanini) e Vladimir (Tonico Pereira) pelo cargo vago tem início. Odorico vence a eleição e toma posse como prefeito, recebendo sempre o apoio das irmãs Doroteia (Zezé Polessa), Dulcineia (Andréa Beltrão) e Judiceia (Drica Moraes). Uma de suas promessas é construir o primeiro cemitério da cidade, para evitar a emigração dos habitantes após morrerem. Só que, após a obra ser concluída, há um problema: ninguém em Sucupira morre, o que impede que o cemitério enfim seja inaugurado. Sofrendo pressão devido a acusações de superfaturamento, Odorico precisa encontrar um meio para que o grande feito de seu mandato não se torne uma grande piada.

 

 

Ficha Técnica

Título original: O Bem Amado

Género: Comédia

Duração: 01 hs 47 min

Ano de lançamento: 2010

Site oficial: http://www.obemamado.com.br/

Estúdio: Natasha Filmes / Globo Filmes / Miravista

Distribuidora: Buena Vista International

Direcção: Guel Arraes

Roteiro: Cláudio Paiva e Guel Arraes, baseado na obra de Dias Gomes

Produção: Paula Lavigne

Música: Caetano Veloso, Mauro Lima, Berna Ceppas e Kassin

Fotografia: Dudu Miranda e Paulo Souza

Direcção de arte: Claudio Amaral Peixoto

Figurino: Claudia Kopke

Edição: Caio Cobra

 

Uma boa notícia para os cinéfilos é que este filme passará, em breve, na Praia, no Centro Cultural Brasileiro, que tem apresentado todos os filmes recém-lançados no Brasil, para além dos clássicos do cinema brasileiro!

 

Fica, contudo, uma nota e um lamento, como bom M'nine de SonCent e Sport d'Cinéma: em todo o nosso Cabo Verde, de Santo Antão a Brava, existe uma única Sala de Cinema, na capital do país, embora sem uma programação sistemática, mas actual!

 

 

publicado por Brito-Semedo às 17:59
05 Agosto 2010

Faróis em Selos

Manu Cabral, Des., 1994

 

Farol Morro Negro (Ilha da Boa Vista), Farol D. Maria Pia (Ponta Temerosa, Praia, Ilha de Santiago), Farol D. Maria Amélia (Ponta Machado, São Pedro, Ilha de S. Vicente), Farol Fontes Pereira de Melo (Ponta da Tumba, Ilha de Santo Antão)

 

Manu Cabral, Des., 2004

 

Farol D. Luís, Ilhéu dos Pássaros (Porto Grande, Ilha de São Vicente); Farol da Ponta do Barril (Ilha de S. Nicolau); Farol da Ponta Preta (A NW do Tarrafal, Ilha de Santiago)

 

 

publicado por Brito-Semedo às 20:06
03 Agosto 2010

Sugestões de Leitura para as Férias

 

Como uma leitura agradável e descontraída para estas férias recomendo os seguintes livros: A Morte do Ouvidor (2010), de Germano Almeida (Cabo Verde), que aqui no “Na Esquina” já fiz referência; As Esquinas do Tempo (2008), o último romance de Rosa Lobato de Faria (Portugal), falecida há bem pouco tempo; O Velho que Lia Romances de Amor (1993), de Luis Sepúlveda (Chile) e Os Vários Sabores da Vida (2010), de Anthony Capella (Uganda).

 

As Esquinas do Tempo

 

“Quando Margarida chegou à Casa da Azenha teve aquela sensação, não desconhecida mas sempre inquietante, de já ter estado ali”.

 

Margarida é uma jovem professora de Matemática. Um dia vai a Vila Real proferir uma palestra e fica hospedada num turismo de habitação, casa antiga muitíssimo bem conservada e onde, no seu quarto, está dependurado o retrato a óleo de um homem que se parece muito com Miguel, a sua recente paixão.

 

Por um inexplicável mistério, na manhã seguinte acorda cem anos atrás, no seio da sua antiga família.

 

Sem perdem consciência de quem é, ela odeia esta partida do tempo. Mas aos poucos vai-se adaptando. Conhece o homem do quadro e apaixona-se por ele. Quando ele morre num acidente, Margarida regressa ao presente.

 

Romance simultaneamente poético e fantástico. As Esquinas do Tempo é mais uma prova do indesmentível talento literário de Rosa Lobato de Faria.

in Contra capa

Título: As Esquinas do Tempo

Autora: Rosa Lobato de Faria

Editora: Porto Editora

Ano da Edição: Porto, 2010

 

O Velho que Lia Romances de Amor 

 

“António José Bolivar Proaño vive em Idilio, um lugar remoto na região amazónica dos índios shuar, com quem aprendeu a conhecer a selva e as suas leis, a respeitar os animais que a povoavam, mas também a caçar e descobrir os trilhos mais indecifráveis. Um certo dia resolve começar a ler, com paixão, os romances de amor que, duas vezes por ano, lhe leva o dentista Rubicundo Loachamin, para ocupar as solitárias noites equatoriais da sua velhice anunciada. Com eles, procura alhear-se da fanfarronice estúpida desses “gringos” e garimpeiros que julgam dominar a selva porque chegam armados até aos dentes, mas que não sabem enfrentar uma fera a quem mataram as crias.

 

Descrito numa linguagem cristalina e enxuta, as aventuras e emoções do velho Bolivar Proaño há muito conquistaram o coração de milhões de leitores em todo o mundo, transformando o romance de Luis Sepúlveda num ‘clássico’ da literatura latino-americana”.

in Contra capa

 

Título: O Velho que Lia Romances de Amor

Autor: Luis Sepúlveda

Editora: Porto Editora

Ano da Edição: Porto, 2009

 

Os Vários Sabores da Vida

 

“Londres, 1896, Robert Wallis, um boémio aspirante a poeta, aceita a proposta de um enigmático mercador de café para compor um ‘vocabulário de cafés’ que capte os seus variados e ricos sabores. Inebriado pelos seus arrebatadores aromas, e pela ainda mais arrebatadora presença de Emily, a filha do mercador, Robert apaixona-se perdidamente. O mundo de Emily é igualmente abalado por esta proximidade: a pouco e pouco, também ela descobre que não é possível despertar alguns sentidos sem desafiar outros.

 

A contragosto, Roberto parte para África em busca da origem do melhor café do mundo. O exotismo do continente africano apanha-o de surpresa. De deslumbramento em deslumbramento, Robert será apresentado à cerimónia tradicional abissínio do café pela mão de Fikre, a escrava de um homem poderoso. E quando Fikre se atreve a dar-lhe às escondidas um grão de café muito especial, tudo o que Wallis julgava saber – sobre café, amor e ele próprio – começa a ser questionado...

 

Uma arrebatadora e sensual história de amor que atravessa duas décadas e três continentes, Os Vários Sabores da Vida é um exótico e inesquecível festim para os sentidos, do autor de Receitas de Amor e Noivas de Guerra”.

 

in Contra capa 

Título: Os Vários Sabores da Vida

Autor: Anthony Capella

Editora: ASA

Ano da Edição: Lisboa, 2010 

publicado por Brito-Semedo às 00:19
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01 Agosto 2010

Período de Defeso das Lagostas em Cabo Verde

 

COURVOISIER, Des., 1993

 

Desde Fevereiro de 2005 entrou em vigor em Cabo Verde um dos mais importantes instrumentos de gestão pesqueira: o Plano de Gestão  dos Recursos da Pesca. Esta ferramenta visa a conservação e exploração racional dos recursos haliêuticos em prol do desenvolvimento sustentável do sector das Pescas. O plano indicativo (2004-2014), que contextualiza a problemática e define as grandes linhas e estratégias, foi elaborado no âmbito do 2º Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANA II) e a sua implementação tem sido feita através de planos executivos com duração de dois anos, terminando o actual a 31 de Dezembro de 2008.


Ao longo dos últimos 4 anos foram implementadas diversas medidas como a proibição de práticas consideradas nocivas e perigosas como a utilização de garrafas de ar comprimido no mergulho ou de dragas para a pesca do búzio-cabra; a reserva de uma zona exclusiva para as actividades da pesca artesanal dentro do limite das 3 milhas náuticas; a reserva de alguns recursos sensíveis (pequenos pelágicos, peixes de fundo, moluscos, lagostas e outros crustáceos) apenas para a frota nacional; a instituição de períodos de defeso e de tamanhos mínimos para algumas espécies, seja por estarem sobre-exploradas -como as lagostas costeiras e de profundidade- ou em risco de sobre-exploração -como a cavala-preta e a dobrada- ou em respeito pelo princípio da precaução definido no Código de Conduta para uma Pesca Responsável (FAO1995).


Neste quadro, e para evitar cenários de colapso já verificados noutras paragens, foi aprovado um conjunto de períodos de defeso para as lagostas de profundidade (01 de Julho a 30 de Novembro), para as lagostas costeiras (01 de Maio a 31 de Outubro) e para a cavala preta (01 de Agosto a 30 de Setembro). Foram ainda estabelecidos tamanhos mínimos de captura para a dobrada (17 cm de comprimento medida da ponta do rosto à barbatana caudal), lagosta rosa (11 cm de carapaça), lagostas costeiras (9 cm de carapaça) e cavala preta (18 cm de comprimento medida da ponta do rosto à barbatana caudal).


A promoção da iniciativa privada, a criação de condições atractivas que conduzam à modernização da frota e da indústria de transformação, o desenvolvimento dos recursos humanos e adopção de políticas para gestão equilibrada dos recursos haliêuticos constituem também preocupações do Governo para este sector.

O Programa de Desenvolvimento das Pescas contempla diversos investimentos na criação de infra-estruturas de desembarque e apoio como forma de contribuir para o aumento das capturas, para a melhoria da qualidade do pescado e para a segurança dos pescadores e na capacitação profissional, para a qual foi criado ISECMAR-Instituto de Engenharia e Ciências do Mar (São Vicente).


Através do Fundo de Desenvolvimento das Pescas (Decreto-Lei nº 25/94, de 18 de Abril), os operadores beneficiam de incentivos no quadro do SIAI-Sistema Integrado de Apoio ao Investimento Produtivo no sector das Pescas (Decreto-Lei nº 26/94, de 18 de Abril) e do Programa específico para o relançamento do sector.


A Direcção Geral das Pescas é a autoridade reguladora do sector das Pescas sendo sua atribuição a proposta de Políticas, Leis e Regulamentos. Existe um órgão consultivo do Governo, o Conselho Nacional das Pescas, presidido pelo Ministro, onde se discutem as opções para o sector e têm assento a Direcção Geral das Pescas, a Direcção Geral do Ambiente, a Direcção Geral da Marinha e Portos, Direcção Geral de Planeamento, a Fiscalização, Instituto de Marinha e Portos o Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas e as Associações Empresariais.

 

in Câmara de Comércio Indústria e Turismo Portugal Cabo Verde

COURVOISIER, Des., 1993

publicado por Brito-Semedo às 12:38

referências

blogs SAPO