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Realização de colóquio internacional: “Colonialismo, Anti-colonialismo e liberdade dos povos numa concepção republicana”

 

Local e data de realização

Mindelo, 7 e 8 de Outubro de 2010 e uma sessão comemorativa na Praia no dia 11.

 

Organização

Este Colóquio resulta duma parceria entre o Instituto Camões - Centro Cultural Português na Praia e Pólo no Mindelo, CEIS20 da Universidade de Coimbra e UNI-CV. A organização caberá ao Pólo do Mindelo do IC/CCP. Com vista a assegurar a sua viabilidade, cabe-lhe estabelecer parcerias com instituições dos dois países em termos de apoio institucional, académico e financeiro.

 

Enquadramento

O ano de 2010 assume particular significado para as historiografias cabo-verdiana e portuguesa. Celebram-se os 550 anos da descoberta das ilhas, afinal, a data primeira da profunda relação que hoje existe entre dois países independentes, mas com fortes laços históricos e culturais. 2010 é, também, o ano em que celebra o 35º aniversário da independência de Cabo Verde, enquanto em Portugal se comemora o Centenário da República, em cujas raízes radica parte significativa da organização política e social do país.

 

É, pois, neste quadro de referência que surgiu a ideia de promover uma reflexão sobre o ideário republicano colocando o enfoque na questão ultramarina e, em particular, em Cabo Verde.

 

Profundamente marcado pelo Ultimato Inglês de 1890, o projecto colonial republicano tendeu a assumir desde início uma postura defensiva em relação às demais potências europeias, patenteada na participação portuguesa na Grande Guerra, assim como na tentativa de proceder a uma definitiva delimitação territorial dos chamados domínios de além-mar. Por outro lado, prosseguindo as “Campanhas de Pacificação” da Monarquia Constitucional, com especial destaque no teatro guineense e em Angola, a Primeira República ensaiou também lançar os fundamentos de uma ocupação efectiva e duradoura e daí o apelo ao estabelecimento de colonos em terras de África e o surgimento de manuais destinados a doutrinar e a informar esses mesmos novos colonos.

 

Tendo promulgado cartas orgânicas para cada uma das colónias, os políticos republicanos procuraram promover a descentralização e a autonomia. Norton de Matos, nas suas duas passagens por Angola (1912-1914) e (1921-1924), foi talvez o expoente dessas linhas orientadoras, não obstante muitas das suas medidas de modernização terem esbarrado na resistência dos colonos. Mas, em última análise, foi a instabilidade governativa do regime implantado a 5 de Outubro de 1910 – mais do que falta de vontade – que não permitiu o desenvolvimento do ideário republicano. Instabilidade governativa e uma premente falta de capital. Que as constantes acusações nos palcos internacionais, acerca da escravatura encapotada mantida por Portugal, vieram ainda mais enfatizar, descredibilizando e enfraquecendo o regime.

 

Objectivos

São objectivos deste Colóquio aprofundar as questões acima enunciadas e também questionar a forma como as populações letradas das diferentes ex-colónias africanas de Portugal reagiram a estas ideologias e políticas, aderindo a elas ou criticando-as, recorrendo para isso ao estudo dos seus veículos de expressão e formas de organização.

 

Procurar-se-á também estabelecer eventuais ligações ideológicas ou de outro cariz entre esta época e esta geração e a que, décadas mais tarde, levou estes mesmos territórios à independência nacional.

 

Finalmente, o Colóquio visará ainda reforçar a cooperação científica entre instituições e investigadores portugueses e cabo-verdianos, bem como promover a produção científica em Língua Portuguesa.

 

Metodologia

De forma a levar a cabo uma reflexão profícua e enriquecedora, importará criar um espaço de debate entre especialistas de várias disciplinas, como a História, a Antropologia, e a Sociologia Históricas, fomentando um diálogo interdisciplinar entre estudiosos, desde logo, dois países e tanto quanto possível, numa perspectiva comparativa. 

 

Propõe-se, assim, a realização do Colóquio em dois dias, no mês de Outubro de 2010, no Mindelo. Para cada dia prevê-se a apresentação de oito comunicações. Serão convidados alguns especialistas na matéria, assim como alguns doutorandos e abrir-se-á espaço para apresentação de comunicações por parte de outros investigadores estrangeiros interessados.

 

Prevê-se, igualmente, que, de modo a alargar o acesso às reflexões e rendibilizar a presença em Cabo Verde de importantes académicos, sejam apresentadas na cidade da Praia algumas das comunicações produzidas no Colóquio, tendo o IC-CCP e a Universidade de Cabo Verde como palco.

 

Programa

Dia 7 (quinta-feira)

9h00: Abertura do Colóquio com intervenções da S. Ex.as  a Embaixadora de Portugal em Cabo Verde, a Presidente da Câmara da S. Vicente, o Magnífico Reitor da UNI-CV e o representante do Centro de Estudos Interdisciplinares do Séc XX da Univ de Coimbra


9h45: Abertura da Exposição Letras e Cores Ideias e Autores da República

10h30: Doutor António L. Correia e Silva (Magnífico Reitor da UNI-CV)
Democracia e Colonialismo: uma combinação possível?

 

Prof. Doutor Luís Reis Torgal (Universidade de Coimbra/CEIS20)

República e Colonialismo. António José de Almeida e África


15h30: Mestre Sérgio Neto (doutorando em Hist. Contemporânea pela FLUC/CEIS20)

Imagens e representações de Cabo Verde na imprensa da Primeira República

Doutora Ângela Coutinho (investigadora no CESNOVA/Univ, Nova de Lisboa)

A representação do 'negro' nos textos de autores cabo-verdianos do jornal 'A Mocidade Africana' (1930-1931)

 

Doutor M. Brito-Semedo (Universidade de Santiago)

A Vez da República e a 'Voz de Cabo Verde'


Dia 8 (sexta-feira)

9h00: Doutor Fernando Pimenta (bolseiro de pós-doutoramento da  FCT/CEIS20/U.C.)
A 1ª República e o protesto autonomista dos brancos de Angola


Doutor Julião Soares Sousa (bols. de pós-doutoramento da FCT/CEIS20/U.C.)
As organizações protonacionalistas guineenses durante a I República: ocaso da Liga Guinenese e do Centro Escolar Republicano

Doutor João Lopes Filho (UNI-CV)

Reflexos em Cabo Verde de Implantação da República Portuguesa

 

Doutora Mª Adriana Carvalho (UNI-CV)

Emigração, cultura letrada e progresso social: Cabo Verde na época republicana

Doutor João Vasconcelos (investigador no I.C.S. da Univ. de Lisboa)
Espiritismo e Republicanismo em Cabo Verde: a conversão do Cónego António Manuel da Costa Teixeira

 

Mestre Olavo Bilac Cardoso (UNI-CV, doutorando em Estudos Africanos pela Universidade do Porto)

Pedro Cardoso e a República

 
20h00:  Jantar de encerramento do Colóquio

 

 

 

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