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Centenário da Raboita di Rubon Manel

Brito-Semedo, 11 Nov 10

 


 

A 12 de Novembro de 1910, há precisamente um século, os rendeiros invadiram os armazéns de um grande proprietário e apoderaram-se dos frutos da purgueira com o objectivo de obterem dinheiro para o pagamento das rendas.

 

Esses terrenos faziam parte do monopólio exclusivo dos morgados, pelo que as tropas da cavalaria, após queixa do morgado Aníbal dos Reis Borges contra algumas mulheres, alegando que estas teriam invadido a propriedade da irmã para roubar a purgueira, surpreendendo estas mulheres, as amarraram mesmo sob o protesto do povo.

 

O Padre António Duarte da Graça insurgiu-se contra a prisão deste pequeno grupo de mulheres que tinham colhido ilegalmente sementes de purgueira selvagem. O protesto transformou-se numa revolta da população que, comandados por uma mulher, Ana da Veiga (Nh'Ana Bombolom), organizou-se e decidiu libertar as suas mulheres, os homens de pedras e as mulheres de machados marcharam, sob o lema "Aqui não há negro, não há branco, não há rico, não há pobre... somos todos iguais!", em direcção à cadeia de Cruz Grande que acabou por ser aberta perante a sua determinação.

 

Assim, resulta o provérbio "Omi faka, mudjer matxadu, mininus tudu ta djunta pedra" (Homem faca, mulher machado, os meninos todos a ajuntar pedras).

 

O Governador Marinha de Campos, chegado à Praia, a 17 de Novembro, cinco dias após o acontecido, acusou o padre Duarte Graça de ser o instigador da revolta.

 

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Orlando Pantera (Santiago, 1968-2001) registou este facto compondo um tema intitulado "Raboita di Rubon Manel"

 

Na 1910 mosinhus
Raboita di Rubon Manel
Djes leba nhos mudjei, djes prendi nha guenti
Pamo kel um dôs gran di purga

Eh eh eh forti duedo na mundo
Eh forti passa mal tamanhu

Refrão

Xila di Pala ka meresi ba kadia
Nhanha Bombolom ka mereci ba kadia
Maridus tudo dizorientadu
Pamo mudjeres sta fitchadu
Refrão

Djes perdi tinu es ca sabi undi es ta bai
Nhanha Bombolom mixa bragero na boca
Soldado tranka pe na pedra da totis na tchon
Nha guenti djes kori es bai ses kaminhu
Refrão
Djes manda tchoma Padri Duarte
Kela go nada ver ca tem
Djes fazi diskursu bunitu
Ma li na tchon ki nu sta
Refrão

 

uma bonita letra que a artista Lura interpreta com maestria e grava no seu CD "M' Bem di Fora".

 

 

- M. Brito-Semedo

 

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