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Cabo Verde: antologia de poesia contemporânea, organizada por Ricardo Riso, já se encontra disponível para acesso e download no sítio da revista académica África e Africanidades, edição n.º 13, ano IV. Em 146 páginas, reúne 76 poemas de 13 poetas: António de Névada, Carlota de Barros, Danny Spínola, Dina Salústio, Filinto Elísio, José Luís Hopffer C. Almada, Margarida Fontes, Maria Helena Sato, Mário Lúcio Sousa, Oswaldo Osório, Paula Vasconcelos, Vasco Martins e Vera Duarte. A antologia conta com ilustrações dos artistas plásticos Abraão Vicente e Mito Elias.

 

 “A presente antologia pretende contribuir para a melhor divulgação da poesia contemporânea de Cabo Verde, ainda de tímida exposição no Brasil. (...) deseja dar a conhecer, ainda que de forma breve, alguns desses poetas, artífices da linguagem, e assim estimular um olhar mais atento do público brasileiro para a recente produção poética cabo-verdiana.”

 

 

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Adriano Duarte Silva 2.jpeg

 Foto retirada do Blogue "Terra-Longe", de Virgílio Brandão

 

 

O "Na Esquina", reproduz, com a devida vénia, uma evocação do Deputado Adriano Duarte Silva, feita pelo historiador João Nobre de Oliveira, Macau, no seu Fotolog Page.

 

 

Adriano Duarte Silva, filho de Roberto Duarte Silva e sobrinho-neto do químico deste nome, nasceu em 12 de Janeiro de 1898 na cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente e faleceu em 23 de Julho de 1961 na mesma cidade. Advogado, professor do Liceu, político e deputado. Aluno brilhante, feitos os estudos primários na ilha natal, seguiu para Portugal continuar os seus estudos no Colégio de S. Fiel e por último o Liceu José Falcão de Coimbra onde, no ano lectivo de 1911-12, fez o 4.º e 5.º ano e no ano lectivo de 1912-13 o 6.º e o 7.º de Letras.

 

No 1.º e 2.º ano liceal obteve o 1.º prémio nas disciplinas de “Português”, “Francês” e “Inglês”, acessit em “Matemática” e menção honrosa nas disciplinas de “Geografia e História” e “Ciências Naturais” (anos lectivos de 1908-09 e 1909-10).

 

Concluído o liceu entrou na Universidade de Coimbra em 1913 com dispensa de idade pois não tinha ainda 16 anos e nela frequentou as faculdades de Direito e Letras. Em 1916 transitou para a Universidade de Lisboa e formou-se em Direito e Ciências Sociais em 1918 com apenas 20 anos de idade!

 

Frequentando ainda o 4.º ano de Direito, com apenas 19 anos, foi, em 1917, nomeado Secretário do Ministro da Justiça, o seu primo Martinho Nobre de Melo, no governo de Sidónio Pais. Em 1919 foi nomeado conservador do Registo Predial da Comarca de Barlavento, na altura sediada na Vila da Ponta do Sol, ilha de Santo Antão. Promovido logo no ano seguinte a Conservador de 1.ª classe foi transferido para a Comarca de Moçâmedes em Angola. Parecia assim destinado a uma brilhante carreira judicial, mas, sentindo-se como dizia “um exilado em terra estranha”, desistiu da carreira judicial e resolveu estabelecer-se na sua ilha natal como advogado. Corria o ano de 1921. Foi do tipo de advogado que nunca chega a rico, pois atendia todos e a qualquer hora podia-se bater à sua porta para pedir ajuda. Em 1922 ingressou na docência como professor do Liceu Infante D. Henrique do Mindelo e em 1924, na ausência do titular Henrique Owen Pinto, foi nomeado reitor interino do mesmo estabelecimento de ensino, cargo que exerceria por mais de uma vez ao longo dos anos. Foi reitor efectivo de 8/6/27 a 19/4/29 (foi substituído pelo dr. Daniel Alves Tavares) e foi devido aos seus esforços e ao apoio do gov. Guedes Vaz que, em 1928, introduziu-se neste estabelecimento de ensino o Curso Complementar (antigos 6.º e 7.º anos dos liceus) passando este a Liceu Central. Em 1931 tornou-se professor efectivo do Liceu Infante D. Henrique do Mindelo. Em 1933 foi nomeado reitor. Em 1937 defendeu enérgicamente a reabertura do Liceu de S. Vicente quando Armindo Monteiro, então ministro das Colónias do governo de Salazar, tomou a medida mais obscurantista de ordenar o seu encerramento. Como se sabe o liceu foi reaberto mas mudando o nome para Liceu Gil Eanes, com o pretexto de que o liceu de Macau já se chamava Infante D. Henrique.

 

Cidadão sempre activo, foi eleito em 18 de Dezembro de 1932 presidente da Assembleia Geral da Federação Desportiva de S. Vicente, foi ainda cônsul honorário do Brasil e da Espanha e agente consular da França, juiz interino da comarca de S. Vicente e Presidente da Comissão Provincial da União Nacional. Como tal foi o representante de Cabo Verde à Assembleia Nacional salazarista durante dezasseis anos. Foi o último grande paladino da adjacência das ilhas naquele parlamento, defendendo muitas vezes isoladamente as suas posições. Começou, logo em 1946, por brilhar pelo desassombro com que questionou as leis racistas, que diferenciavam os “nativos” dos “europeus”, isto é os de cor dos brancos, e dividindo estes últimos em brancos de primeira e de segunda, conforme eram naturais da Europa ou das colónias, confrontando-se neste ponto com o próprio Marcello Caetano, que era então ministro das Colónias e defendia aquelas leis.

 

Além disso colocou ao parlamento vários problemas como o da protecção à imigração, defesa dos produtos cabo-verdianos, medidas contra as estiagens e as crises, defesa da igualdade entre os funcionários da metrópole e das colónias, aumento das pensões, levou ao conhecimento da Assembleia o “Desastre da Assistência” de 1949 na Praia, em 1951 ataca a utilização da expressão “indígena” referida a uma unidade militar de Cabo Verde, defendendo que perante a nova legislação, devia ser banida o seu uso quanto à população de Cabo Verde; em 1952 pede informações respeitantes a serviçais contratados, em Cabo Verde para S. Tomé e Príncipe, levantando assim a questão no parlamento português; em 1953 refere-se ao problema da erosão e arborização de Cabo Verde e à aplicação de novas disposições sobre funcionalismo ultramarino; em 1954 pede a protecção para as pozolanas de Cabo Verde, em 1956 consegue do governo a atribuição de subsídios ao Aeroclube de Cabo Verde, Rádio Clube de Cabo Verde e a Rádio Barlavento, em 1958 exige aos Ministros das Obras Públicas e do Ultramar que sejam cumpridos os despachos que recomendavam o emprego da pozolana de Cabo Verde nas obras do porto do Lobito, em 1959/1960 comenta uma notícia de jornal segundo a qual se teria formado em Dacar um movimento denominado “Frente de Libertação das Ilhas de Cabo Verde” no que terá sido, talvez, a primeira referência feita no parlamento português à existência de movimentos de libertação das então colónias portuguesas, assunto a que voltaria em 1960 ao referir-se à campanha anticolonialista, etc. Mas como deputado a sua grande vitória pessoal foi conseguir convencer o governo de Lisboa a ordenar a construção do cais acostável do Porto Grande, assunto que levava a discussão todos os anos.

 

Cais acostável.jpeg

Cais Acostável do Porto Grande, inaugurado a 13.Maio.1961

 

Foi condecorado pessoalmente pelo Presidente Carmona então de passagem por Cabo Verde com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo e recebeu em 1946 a Cruz de Cavaleiro da Legião de Honra pela República Francesa. Gravemente doente, estando em Portugal e sentindo a morte a aproximar-se, exprimiu o desejo de morrer na terra natal. Desembarcou no “seu cais acostável” a 15 de Julho de 1961. Oito dias depois falecia. O povo do Mindelo prestou-lhe a última homenagem ocorrendo em massa ao seu funeral. O cortejo teve sempre a acompanhá-lo músicos que tocaram a “sua morna”, a morna “Dr. Adriano” feita por B.Léza em sua honra. O féretro desceu à campa ao som da morna “Hora di Bai” de Eugénio Tavares. Em 01 de Dezembro de 1964 foi inaugurado um busto em sua memória na sua cidade natal na praça fronteira ao edifício do antigo liceu. Em 1975, após a independência, o busto foi retirado e seu nome votado ao ostracismo durante algum tempo, mas não foi esquecido. Alguns anos depois o busto voltou ao seu pedestal. (Fonte)

 

 

João Nobre de Oliveira, Macau

 

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