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Foto Arquivo Luiz Silva, Bissau, 1958

Legenda (Esquerda para a direita) – De pé: Toi (árbitro), Djunga, Tony, Blada, Ilísio, Nhano, Djone e Nhé; De Cócoras: Alberto, Toi, Orlando, Manel de Djinha e Augusto.

 

 

NOTA: Foto gentilmente cedida por Luiz Silva, que lhe foi oferecida pelo grande atleta Manuel de Djinha, antigo jogador do Amarante e da Académica, recentemente falecido e a quem o "Na Esquina do Tempo" aproveita para prestar uma merecida homenagem.

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Comentário recebido do Colaborador e Amigo Luiz Silva:

 

Nos anos cinquenta as selecções de futebol de São Vicente ganhavam a todas as equipas de futebol dos países vizinhos. Nos torneios que se realizavam na Guiné e no Senegal (Dacar e São Luis), a selecção de São Vicente, viajando de barco de riba de sacos de sal e caixotes, conseguiam ir sempre às finais. Nesta fotografia falta o Tuinga (aquela máquina), que quando saía do lado direito os senegaleses gritavam: «Allah, Allah». E não era preciso ir-se buscar na altura jogadores  em Portugal, como o Jorge Humberto, Tchol, Rui Maia, Académica de Coimbra; o Du Fialho, no Benfica; o Tai e o Chau, nos Salgueiros; o Armando, no Farense; o Tatacho e o Toni, no Chaves, etc.

 

Não se compreende que as relações culturais e desportivas com os países vizinhos tenham desaparecido com as independências africanas. A partir do momento em que a política invadiu o espaço desportivo todas actividades desportivas entraram em declínio. Hoje temos uma constituição democrática mas os partidos não são democráticos e as equipas e seus dirigentes identificam-se em termos políticos: assim cada club está sujeito a ser boicotado segundo a opção política dos seus dirigentes. A recente vitória do Mindelense deve ser considerada como o repúdio à intervenção dos partidos na vida desportiva. E se não tivessem acabado com os espaços atrás das balizas, onde as crianças jogavam e ao mesmo gritavam e saltavam quando o Mindelense marcava um golo, a festa teria sido maior.

 

Um caso triste: o Grémio Recreativo Castilho sofre das consequências dessa politização partidáia do desporto. Somente a rua de Côco fornecia grandes jogadores ao Castilho: Tutcihim de Nha Maria Aniceta, que dava que fazer ao Adérito Sena, ou os mais recentes como Tova (um dos maiores valores do futebol caboverdiano), Manuel Dias e Silvino da Luz, sem esquecer o Tchenga e o irmão Augusto, entre outros. Até algumas fotografias históricas desapareceram da sede do Club. Hoje o Castilho, que possui uma infraestrutura importante (ténis, futebol, teatro, sala de actividades culturais), não consegue constituir uma direcção à altura das suas ambições históricas devido às contradições políticas em que navega a maioria dos seus sócios.   Na rua, nas esquinas, nos bares, todos criticam o Castilho e a sua direçcão,  mas ninguém é capaz de pôr o dedo nas feridas que ditaram a morte do Castilho e apoiar as novas direcções que fazem tudo para manter viva a tradição cultural e desportiva castilhanas.

 

O fanatismo clubista foi substituído pelo fanatismo político: nas manifestações políticas distribui-se prendas, camisolas, promete-se mundos e fundos depois da vitória. E não vai nenhum apoio para os clubes desportivos. E quando se vai ao estádio, as tribunas estão vazias e até antigos desportistas passaram do futebol para a política. Todas as equipas tinham dirigentes que davam tudo pela sua causa. Vejamos o Evandro, no Amarante, que construiu uma grande infraestutura desportiva e não deixou uma casa à sua mulher e filhos; o Senhor Afonso, do Derby, que fez tudo por esse club; o Djê Griguim, na Académica; Nhô Damatinha, Ti Djô Figuera, Djô de Jom do Chico, Blada, no Mindelense, etc.

 

E quem fala do futebol diz o mesmo do golf, reduzido a um pequeno grupo que deseja, com o apoio dos políticos, vender o club aos estrangeiros. O cricket, que também foi um desporto da elite mindelense, está quase a morrer. Aqui já apresentámos a elite do golf em 1953 e em breve faremos  um comentário sobre o cricket que os Mindelenses levaram às outras ilhas, assim como todos os desportos ao litoral africano e até à Argentina, Brasil e Estados Unidos. Porque é que essas modalidades não estão integradas no ensino desportivo liceal e técnico? Porque não existe ainda uma federação do golf ou do cricket em Cabo Verde para desenvolver estas modalidades desportivas no país?

 

A política do desporto em Cabo Verde continua a falhar devido ao centralismo do Estado. A regionalização é fundamental para o desenvolvimento de todas as actividas desportivas e culturais. Repito, temos uma constituição democrática mas os partidos não são democráticos e nem capazes de uma reflexão democrática sobre o regionalismo. O regionalismo não é bairrismo. Parece-nos fundamental para o desenvolvimento economico, cultural e desportivo de Cabo Verde.

 

- Luiz Silva, Paris, 5/8/2011

 

 

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