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Amigos de Diazá

Brito-Semedo, 26 Ago 11


Vista da Cidade do Mindelo, Foto Arquivo Histórico Nacional (IAHN)

 

O primeiro dia de aulas do Seminário Nazareno, nesses idos de 1971, ficou marcado pelo “raspanete” que apanhámos do Director por nos termos atrasado à sua aula porque nos decidimos ir todos tomar café à esplanada do Hotel Porto Grande, que ficava aí mesmo ao pé. Sendo nós caloiros, desconhecendo, portanto, as regras da casa, fomos levados a isso pelo Zé Aureliano, veterano e mais velho, por simples “pirraça”.

 

Chegado ao fim desse dia, tinha eu uma pilha de livros para levar para ler durante esse semestre e fazer o resumo. Dentre esses, dois de Dale Carnegie (1888-1955), um autor americano até então desconhecido para mim, que chamaram a minha atenção e foram dos melhores livros que li até hoje, porque de muita utilidade. Intitulavam-se Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas e Como Falar em Público e Influenciar Pessoas.

 

O livro Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas é um clássico do género, publicado em 1936, com cerca de 50 milhões de obras vendidas em todo o mundo e traduzido para quase todos os idiomas. O livro é voltado para a arte do relacionamento das pessoas, através de técnicas simples, porém, de extrema eficácia. Com experiências vivenciadas pelo próprio autor e outras ocorridas na sua época por pessoas à sua volta, Dale Carnegie ensina a arte dos relacionamentos.

 

No segundo livro, Como Falar em Público e Influenciar Pessoas, o autor preocupa-se, com dicas simples, em preencher uma necessidade humana que é a de aprender a falar eficazmente e a se preparar para dirigir. Ao mesmo tempo que mostra como melhorar a comunicação com as pessoas, tanto no âmbito profissional como no das relações de amizade ou de amor.

 

Consumi noites seguidas nessas leituras e deliciei-me, sobretudo, com a preocupação em aprender a “arte das boas maneiras” (relacionamento e bem-falar), características que muito se prezava no Seminário de então.

 

Ao ler a biografia de Carnegie descobri semelhanças com a minha vida e a dos meus colegas seminaristas, o que me fez simpatizar ainda mais com este autor, que me desafiou no meu projecto de vida. Carnegie provinha de uma família humilde, tendo a sua infância sido vivida num vilarejo, e teve de trabalhar duro com os seus pais numa pequena fazenda. O seu maior interesse era os estudos, tendo chegado a dar aulas de comunicação numa Escola Cristã, contribuindo, assim, para a formação de muitos jovens. Não é de se estranhar, portanto, a escolha desse autor no nosso currículo de estudos.

 

Igreja do Nazareno do Mindelo onde funciona o Seminário

 

Tinha eu 21 anos. Provinha de uma família simples e tinha sede em aprender tudo o que me tornasse numa pessoa bem-formada e distinta. Os missionários americanos incentivavam-nos a isso e era prática o Director do Seminário jantar uma vez por semana com os estudantes, como forma de observar e avaliar o seu comportamento social, sobretudo à mesa.

 

A verdade é que, pela vida fora, passados que são quase 40 anos, esses ensinamentos de Dale Carnegie continuam sendo actuais e pautando o meu comportamento e esses livros, de consulta e releitura constantes.

 

Quando a minha filha entrou na idade do namoro e começou a sair com os colegas e amigos, aconselhei-a: “– Se os rapazes não te tratarem com delicadeza e correcção como os teus irmãos e o teu pai te tratam, não saias com eles”!

 - M. Brito-Semedo

 

 

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