Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Morreu o Professor Antero de Barros

Brito-Semedo, 31 Out 11

 

 

 

Antero João de Barros

 

S. Vicente, 22. Março. 1922 - 31.Outubro.2011

  

 

Antero João de Barros, nascido numa família modesta do Monte, em São Vicente, filho do grande desportista Nhô Fula e pai do cantor das lutas de libertação, Nhô Balta, faleceu ontem em Lisboa vítima de doença prolongada.  Self made man com um percurso dos mais raros na vida de um caboverdiano, fez os estudos liceais em São Vicente e mais tarde, graças ao apoio de Baltasar Lopes, licenciou-se em Germânicas pela Faculdade Clássica de Lisboa. Professor, por excelência, porque foi professor primário, liceal e universitário, tendo assim alunos em todas as classes sociais em São Vicente. Exerceu também as funções de reitor do Liceu Gil Eanes, onde marcou as gerações dos anos cinquenta e sessenta com os seus cursos de geografia e pelo seu relacionamento familiar com os alunos. Para o afastar de São Vicente foi nomeado Chefe dos Serviços de Educação na Praia e em seguida transferido para Angola, onde permaneceu até à Independência. Regressou a Cabo Verde a convite do seu antigo aluno Carlos Reis, então Ministro da Educação. Por razões de saúde teve que sair de Cabo Verde para tratamento nos Estados Unidos e recentemente em Portugal, onde veio a falecer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

Ondina Ferreira, Praia

 

Antes de mais, felicitar o Autor por mais um livro. E desta feita, «Percursos & Destinos» que virá certamente enriquecer o panorama literário nacional. A edição que temos em mão já traz a boa notícia de que se trata de um livro galardoado com o prestigiado prémio Sonangol, 2010.

 

Posto isto, gostaria de entrar na narrativa para vos dizer o seguinte: ao terminar a leitura deste romance ficara-me na memória de leitora algumas passagens, que diria marcantes, e ao mesmo tempo estruturantes da própria obra.

 

Desde logo, a descoberta ao longo das páginas do romance, da forma interessante como o antropólogo “espreita” o ficcionista e, vice-versa, como o ficcionista muitas vezes, “cede lugar” ao analista/etnólogo.

 

Ora bem, exemplos desse entrosamento e dessa confluência de visões são recorrentes ao longo das páginas do romance. Diria mais: na minha perspectiva, a construção da narrativa fez-se experimentalmente com um quase banir de fronteiras, para dar lugar a um largo e interessado encontro entre o criativo e o ensaísta e em que subjaz um diálogo entre o antropólogo e o ficcionista. Aliás, as duas facetas do autor e/ou do narrador, enquanto seu representante. E isto surge – como já o disse – com alguma frequência, em Percursos & Destinos, de tal modo que, volto a repetir, na minha visão de leitora, os “Percursos” dos protagonistas e das outras personagens que propiciam a acção, e o contexto da narrativa, são bastas vezes, motivos de aproveitamento por parte do narrador, para uma análise histórica, antropológica, dos usos, das tradições, dos costumes e das superstições da terra.

 

Enquanto que os “Destinos” configuram a teia, o universo ficcional propriamente dito, da história de um amor em que a sorte, o fado, os astros regentes, enfim, um conjunto de condicionalismos esotéricos, ora em conjunção, ora em disjunção com as vicissitudes da vida não o consagraram. Numa palavra: não facilitaram a relação amorosa entre os protagonistas do drama.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/25

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Anónimo

    Oi sou cabo-verdiano, estou aqui de passagem, esto...

  • Regiane

    Exelentes musicas . Me faz recordar o tempo do meu...

  • Livia Ramos Silva

    Meu tio irmao do meu pai tio Dino de monte. Saudad...

subscrever feeds

Powered by