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Em homenagem aos Correios, que nos tempos de diazá, sem internet e sem telemóvel, levaram e trouxeram tantas notícias de e para estas ilhas perdidas no meio do Atlântico.
 

 

Que estas duas linhas de cartinha mal alinhavadas, mas bem intencionadas, te encontrem bem de saúde e com boa disposição!

 

Ah, a alegria de receber uma cartinha da terra longe, o alvoroço da vizinhança quando chegava uma cartinha de além-mar, de alguém que não se via há tantos anos, de alguém que talvez não se volte a ver...

 

... uma cartinha muito bem dobrada, à boa moda antiga, que talvez escondesse nas suas reentrâncias umas notas de dólares, de escudos, de francos, de liras ou de guildas, para equilibrar o orçamento doméstico e encher a panela daqueles que ficaram nestas ilhas desafortunadas...

 

... uma cartinha escrita com letras trémulas, de mãos calejadas de emigrantes semi-analfabetos. Uma cartinha com letra fina, escrita por alguém que foi contratado, por uns tostões, para escrever aquelas duas linhas que lhe foram ditadas por quem não sabe ler nem escrever..

 

... uma cartinha cheia de erros de português, mas também cheia de saudade, de amor, de carinho, de ternura, de preocupação, de aperto no coração...

 

... um cartão postal de uma paisagem europeia, um cartão de Boas Festas, um cartão de aniversário, umas fotos que vão enfeitar a mesa da sala de visitas, um telegrama …

 

José Bandeira, Des., 1999

 

... um mnin que tá bem tá corrê, tá cunquí na porta d’ gent, ta gritá: – Ó, Mam Bia, bocê bá respondê lá na correi. Tem um carta pá bocê, d’ strangêr, bocê bá dpréssa

 

 

 

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