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Em memória do escritor com alma de marinheiro que foi o Dr. Teixeira de Sousa

 

- Adriano Miranda Lima, Portugal

 

Os longes do mar estão ainda afogados na neblina matinal e a ilha já está acordada, ansiosa por uma notícia. O veleiro há muito saiu do porto do outro lado do mundo; a espera do povo da ilha já consumiu dias inteiros em busca vã do horizonte, a noite a fechar-se todos os dias em silêncio côncavo e enervante. Toda a gente saiu hoje bem cedo para as falésias, excepto os meninos, que ficaram a dormir seu sono inocente entre as paredes descarnadas dos quartos. Tudo agora está a postos, fora do ciclo previsível das chegadas e partidas, mas ninguém ousa um vaticínio. No céu, os astros nada dizem na sua diária aparição, nem sequer o conforto do sorriso duma estrela. O próprio bater dos corações parece trancado na mesma ansiedade, incapaz de arrebatar um enternecimento. SELÔ é o grito mais desejado; sufocado nas entranhas da angústia, é imperioso que saia das gargantas ansiosas por espantar a solidão das cabras e agitar a folhagem das acácias. Em momentos felizes de outras viagens soou triunfante por todos os penhascos, ladeiras e falésias e então o júbilo foi maior que o mundo. Ah, tarda ouvir de novo o eco do SELÔ a repetir-se de pico em pico.

 

A nossa fé está toda no capitão, homem de saber provado, homem de mão firme no leme e conhecedor de todos os caminhos logarítmicos do mar. Quem melhor do que ele sabe utilizar a carta marítima e o sextante e consegue fintar o mar e o vento com as manhas da burrajona, do estai e do traquete? Ah, que belas histórias há-de nos trazer em pequenos rolos, aquelas que ele escreve nas longas noites do alto mar. Sim, há ainda uma réstia de esperança, o capitão é homem do mar calejado e o destino não pode ser sempre cruel. É necessário armar todas as palavras de fé e remar todas as palavras de alento com a força danada de quem quer salvar o mundo. Porque o capitão ama todo o mundo e sorri amorosamente para toda a gente quando desembarca no cais.

 

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As receitas do livro da jornalista Alexandra Borges e Luís Figo vão reverter inteiramente para o resgate das crianças do Gana.

 

A ideia surgiu no seguimento da angariação de fundos realizada após a reportagem da jornalista, “Infância Traficada – as crianças escravas do lago Votta”.

 

Depois da reportagem, a necessidade de Alexandra Borges de ajudar as crianças traficadas para trabalho escravo no lago Votta não permitiu que a jornalista ficasse parada. “Quando vinha no avião durante a viagem de regresso senti-me muito mal por ter deixado para trás muitas crianças em perigo no lago. Já tinha decidido que iria fazer qualquer coisa em Portugal para juntar dinheiro e ajudar ao seu resgate, só não sabia o quê”.

 

O convite da Bertrand para a criação de um livro sobre as suas reportagens foi assim transformado na escrita de uma história infantil. “Há muito tempo que andavam atrás de mim e quando voltaram a insistir disse-lhes que queria escrever um livro infantil e que o dinheiro iria para o Gana. Aceitaram logo”. O livro foi criado em parceria com Luís Figo, que “tem estas preocupações sociais e uma fundação que poderia ser muito boa para canalizar dinheiro sem impostos”.

 

Além do livro, outros projectos de solidariedade foram criados por voluntários que não quiseram ficar indiferentes à causa. A jornalista recebeu também donativos significativos, que ascendem a milhares de euros, de particulares. O dinheiro angariado vai ser utilizado na construção de um abrigo para as crianças resgatadas.

 

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