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Foto de 1981, gentilmente cedida por Humberto Lima
 
Legenda (a esquerda para a direita): Malaquias, [...], Evaristo (?!), Gomercindo Cab'cinha, Tchuf, Manel d' Novas, Júnior e Caraca

 

Hoje é fin d'one
O gente no bem festejal
C'nos morabeza
No bem goza dess dia

Sonte di fin d'one
Ja p'di ké pa no honral
Na força di nos tradiçon
No ta perpetua ess alegria

Recordai recordai
Senhor Son Silvestre
No bem da Boas Festas pa tud gente
No bem da Boas Festas pa Cabo Verde

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- Adriano Miranda Lima, Portugal

 

Em 2003, as minhas férias cabo-verdianas de 2 meses tinham sido programadas para terminarem a 20 de Novembro, sem nunca me ter passado pela cabeça dilatá-las de modo a aproveitar a quadra natalícia e o fim do ano. Mas colocado logo entre a espada e a parede por familiares incrédulos com a minha aparente amnésia por evento tão marcante na nossa terra, tive de ceder. Aliás, de boa vontade, redimindo-me, pois se havia algo que o meu espírito verdadeiramente ansiava era reviver o rebuliço da noite de São Silvestre “naquel tchom d’Soncent”. Conservava na memória os eflúvios da minha última noite de S. Silvestre, passada no Mindelo quarenta anos atrás, animação popular de que não voltei a ver réplica com semelhante espontaneidade e singularidade noutros lugares para onde a vida me levou, tão genuinamente ela exprimia a alma popular.

   

Ansiava ver e ouvir os meninos do “recordai”, como eu próprio fui, deixar os sentidos inundarem-se na estridência das sirenes dos navios da baía em dueto com o bater sincopado do pilão do cuscuz pela noite dentro, presenciar aquela mole humana em corrupio à volta da igreja, ver as “lisas” a afogar no mar o ano velho. Ah, para não falar naqueles grupinhos musicais a entoar as boas festas pelas ruas, inebriando-nos com esse magnífico hino que o Luís Morais aprimorou com o seu virtuosismo artístico. Enfim, um sem número de imagens, sonoridades e sensações que em catadupa disputam a vertigem de uma noite partilhada com igual intensidade por rico ou pobre, por adulto ou criança. Não há estrato social ou etário que não se contagie.

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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