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O Carvoeiro

Brito-Semedo, 28 Nov 12

 

Carvoeiro.jpeg

 Carvoeiros descarregando o carvão

 

 

Ele aí passa; não conheces, leitor amigo.

 

Vai roto sujo de carvão, quase negro desfigurado, mascarado. Mão calosas, olhos lacrimosos, chorado carvão, camarinhas de suor, condensado em pasta negra; peito esforçado, chapa de ferro, tisnado e nu. Deixa-o passar leitor. Esse homem não é um negro, não é um escravo não é um vadio é um operário, e o mais útil, o mais filantropo, o mais benemérito dos cidadãos!

 

É quem mais trabalha na nossa terra para encher os cofres da Província; é quem enriquece os capitalistas de quem é o mais fecundo dos sócios; é quem paga aos funcionários públicos aos professores, às autoridades.

 

Aquele suor que lhe vês empastelado, que o desfigura, que o caracteriza de negro, de negro de carvão, é que a mim e a ti, a tantos, tantos, sustenta, embranquece, engorda, anedia, avigora e vitaliza.

 

Mas ele emagrece, mas ele se tisna de negro, mas ele adoece, mas ele algumas vezes, volta moribundo, quebrado, despedaçado, de bordo de algum carvoeiro, onde nos preparava o pão, morrendo sem pão, deixando viúva, filhinhos parentes, que sustentava.

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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