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Crónica das Calinadas

Brito-Semedo, 17 Abr 13

 

- Suzana Abreu, Lisboa *

 

Quando penso em calinadas, a primeira coisa que me vem à idéia são os bilhetinhos dos tempos de escola primária, em especial aqueles que custavam muito a escrever e a passar: os primeiros bilhetinhos de amor.

 

Havia que apelar à imaginação e à criatividade, tanto na produção, quanto no transporte e na entrega. O estafeta tinha que ser de confiança ou acabava o bilhetinho a ser lido às escondidas por terceiros no recreio da escola, para gáudio de toda a canalhada e arredores.

 

Bastava uma palavra mal usada, de mau-gosto ou escrita com erros crassos e se a paixão não se extinguia fatalmente, sofria pelo menos um malfadado revés.

 

“Crida Çuzaninha", etc, etc.”… Aqui a "Çuzaninha" ficava furiosa com a santa “ingnorância” do Orlandito por não saber escrever um adjectivo tão fundamental, “mau! já começa com o pé esquerdo!”, amarfanhava o papel com raiva e dizia para os meus próprios botões: “burro”!

 

O Orlando, ainda verde para perceber que "o quanto mais me bates mais gosto de ti" é coisa de masoquista, haveria de mandar mais meia dúzia de bilhetes cheios de “cridas”, manifestando o seu “purtesto” pela falta de "retrono", então não me “dáz bola”, ando aqui que nem “drumo”, até que finalmente foi bater a outra porta, esperançado com melhor sorte e um padrão ortográfico menos exigente.

 

Ora quando não se tinha jeito para estas coisas e já se era mais crescidito, recorria-se às palavras de outros para aumentar o sucesso na conquista. Nunca os livros de poesia foram tão manuseados, emprestando a beleza das palavras a quem não as tratava por tu.

 

Quem tinha criatividade marcava pontos, embora nem sempre o resultado estivesse garantido.

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