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Ofélia Ramos, In Memoriam

Brito-Semedo, 25 Mai 13

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- Luiz Silva, Paris


Mindelo, “terra de B.Léza e de Selibana” (Jotamont) está de luto. Poderíamos, sem medo de desmentido, acrescentar também o nome de “terra de Ofélia”, crioula bonita e amada pelo povo das Ilhas e costas que encantou as noites de lua cheia do Mindelo com as suas célebres noites caboverdianas com Cesária, Fantcha, Malaquias, Canhota, Chico Serra, Manecas Matos, Djosinha de Bernarda, Luís Morais, Frank Cavaquinho, Manuel d'Novas, sob o olhar atento dos poetas e compositores nacionais e de emigrantes ávidos de matar saudades da terra crioula e da sua cultura.

 

Uma mulher da diáspora caboverdiana que, após longa luta no estrangeiro, regressou à sua terra para participar no seu desenvolvimento económico e cultural. Ofélia, proprietária do Bar Calypso em Dakar e Mindelo, viveu desde a infância ligada à música. O tio Hilário, autor da morna “Odju Magoado” e pai de Ildo Ramos, guitarrista (este muito ligado ao Ti Goy no Lombo),  acompanhou B.Léza, na sua digressão musical a Portugal, em 1945, ao lado de Tchuff e Eddy Moreno. O irmão Djosinha Ramos, futebolista no Grémio Recreativo Castilho e um dos maiores guitarristas que passou por Dacar, onde faleceu, também marcou a história musical caboverdiana. A irmã Alda é também uma figura conhecida em Mindelo e na diáspora caboverdiana. Ofélia e os irmãos emigraram para o Senegal nos meados dos anos cinquenta, onde, a pulso,  abriu um bar-restaurante que acolhia os patrícios recém-chegados com a música caboverdiana a animar o ambiente.  

 

Ela nasceu e cresceu na Chã de Cemitério, onde o respeito pelas pessoas mais velhas era sagrado. O Castilho era o club de futebol da zona e ali se praticava o ténis, o basquetebol e também o teatro com o Valdemar Pereira, Germano Gomes e outros. A sua família era muito solidária e em Dacar Ofélia nunca se esqueceu de nenhum sobrinho ou algum parente, enviando-lhes sempre encomendas quando aparecia um barco com destino a São Vicente. “Coração de rola a mais sentida” (Januário Leite) sempre tinha um sorriso franco e uma alegria extasiante para receber os amigos e clientes.  

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