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Morreu Séma Lópi

Brito-Semedo, 19 Jun 13

Foto RTC
 
Simão Tavares Lopes
 
Santa Cruz, Santiago, 1941 - 19.Junho.2013
 
 
Morreu Simão Tavares Lopes, conhecido no mundo da música por Séma Lópi, um dos expoentes máximos da cultura no Concelho de Santa Cruz, ao lado de Katchás e de Nha Nácia Gomi, e um dos grandes nomes do Funaná.
 
Ôdju mó’ lúa, (…)
Pistána sí’ma árcu-da-bêdja
Bóca sí’ma ca ta cûme náda
Ôi, Séma Lópi, côrpu dí tchõ, álma dí Crístu 
 
  
 

O funeral de Séma Lópi será realizado esta sexta-feira, 21, numa cerimónia organizada pela Câmara Municipal de Santa Cruz e pelo Ministério da Cultura.

 

 

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Mia Couto, Prémio Camões 2013

Brito-Semedo, 18 Jun 13

Escritor Mia Couto, Presidentes Dilma Rousseff (Brasil) e Cavaco Silva e Primeiro Ministro Passos Coelho (Portugal)

 

Meus senhores e minhas senhoras

 

Sempre pensei que, em ocasiões como esta, se deve fugir ao estereótipo dos agradecimentos e dedicatórias. Os prémios não se dedicam: partilham-se. Aqui nesta sala estão algumas das pessoas que partilham comigo esta distinção: a minha mãe, Maria de Jesus; a Patrícia, minha mulher; os meus filhos Madyo, Luciana e Rita; estão aqui familiares e amigos, que representam o universo de afectos com quem, dentro e fora de Moçambique, fui tecendo a minha obra. Está aqui o meu editor desde a primeira hora, o Zeferino Coelho, que se ocupou em que eu não me desocupasse nunca dos labores e do prazer da escrita. Todos estes familiares e amigos são co-autores dos meus livros. Mas há alguém com quem quero partilhar especialmente este momento: o meu pai, Fernando Couto. Foi ele que me ensinou não apenas a escrever poemas, mas a viver em poesia. Este prémio pertence a esse sentimento do mundo que ele me legou como uma sombra que resta mesmo depois de tombar a última árvore.

 

Partilho, finalmente, este momento com a gente anónima de Moçambique, essa multidão que fabrica a nação viva e sonhadora que venho celebrando há mais de trinta anos. Parte dos moçambicanos que, junto comigo, assinam os meus livros não sabe escrever. Muitos não falam sequer português. Mas guardam no seu quotidiano uma dimensão mágica e poética do mundo que ilumina a minha escrita e encanta a minha existência. Toda esta nação de gente tão diversa faz-se aqui representar pelo embaixador de Moçambique, o meu compatriota Jacob Jeremias Nyambir, a quem eu também saúdo como companheiro da luta pela independência nacional.

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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