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Esta Noite Fria

Brito-Semedo, 8 Jan 12

 

Do piedoso silêncio da noite fria

saiu hoje de mim a palavra que lavra

entre a mão  e o coração

E ela logo ficou presa não sei onde

e  agora só sinto o silêncio duro e esquivo

no  pélago sem margens e sem pontes

onde nascem as sombras os mitos e os presságios

 

Mas ganha corpo a fantasia que resta ao sono

de quem é justo e que de justiça só tem a promessa vazia

de que o silêncio faz ninho nos recantos das mágoas e dizeres

 

Esta noite tem artimanhas que eu não decifro

porque a  tarde morreu deixando-me como legado

apenas um  silêncio mudo e ressentido

a envolver-me em fina e amarga desilusão

que nada nem o tempo minora ou desvanece

 

- Adriano Miranda Lima, Tomar, Portugal

 

 

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1 comentário

De Djack a 08.01.2012 às 17:50

Noite fria, poema triste, sentimentos que calam fundo e texto maturado.
Muito bom, muito bom mesmo, um dos melhores escritos adriânicos que já li.
E que valeu a pena ler...

Abraço
Djack

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