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A I Guerra Mundial começou a 28 de Julho de 1914. Pouco antes, inaugurava-se no Mindelo o grande frigorífico conjunto das casas Lopes & C.ª e Madeira & C.ª e a Câmara Municipal pensava em substituir o antiquado sistema de iluminação Kitson pela electricidade. Pelo meio, a mesma instituição acabava de deitar abaixo um pestilento e degradado urinol, vergonha da urbe que se queria limpa e renovada. São tudo notícias da "Folha de São Vicente", secção do jornal O Futuro de Cabo Verde, de 2 de Julho de 1914 , que mostram uma certa dinâmica de modernidade que percorria a cidade única de São Vicente, apesar das nuvens negras de morte e destruição que se avizinhavam no Mundo.

 

Urinol a abater

 

"Pois já não era sem tempo." Assim começava a nota sobre o urinol que se encontrava à entrada da cidade . Com notável sentido de humor, o articulista anónimo dizia que o tempo e a Câmara Municipal haviam feito a meias o trabalho de derrube do equipamento: "Esta [a CMSV], com medo de ofender aquele, foi esperando que ele, a pouco e pouco, como bom obreiro, se encarregasse da parte que lhe competia e depois um pouco envergonhada do seu descuido chegou lá e em dois dias, com um pedreiro, foi um ar que lhe deu."Referia o jornal que se soava que o Município de São Vicente pensava em substituir o desmantelado urinol por outro "em melhores condições de construção e mais facilidade de higiene" e perguntava, terminando: "Será assim?" É quase certo que tal tenha acontecido. Pelo menos, o plurim de virdura  sempre teve uma casa de banho pública, à direita de quem entra pela porta da Rua de Lisboa e que curiosamente protagonizou perto dos meados dos anos 60 do passado século um episódio de milagroso aparecimento de petróleo.

 

Servido de água salobra por uma abertura no pavimento da rua, um dia alguém para lá atirou uma beata ou fósforo ainda aceso. Este, logo incendiou o combustível fugido por uma fissura na tubagem da bomba de gasolina existente alguns metros a seguir e que, escoando-se nas entranhas da Rua de Lisboa, penetrara no poço. Foi dia de pitrol no Mindelo e de stóra sem fim nos tempos seguintes. Outra instalação sanitária, no canto direito do muro do saudoso Eden Park, levou descaminho, devido às obras de construção do Hotel Porto Grande e consequente fecho da rua onde fazia esquina. E hoje, num canto da Praça Nova, temos uma, gigantesca, que dá para eventual alojamento de várias famílias e todo o seu mobiliário, em caso de catástrofe.

 

 

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Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

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