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Gente Sem Ciénça

Brito-Semedo, 27 Ago 14

 

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"Mindelo, ruas quase desertas", Foto Hélder Doca, Agosto.2013

 

 

 

Mindelo, uma cidade nascida sob o signo da história, hoje já só tem estórias para contar. Anunciam-se com ciência, paliativos e soluções às gentes sem ciénça encalhadas na ilha.

 

SonCent sempre foi conhecida como tendo gente de ciénça, com habilidade, jeito, iniciativa, criatividade, auto-suficiência e, sobretudo, que respinga, que não leva desaforo.

 

Isso vem do tempo quando ainda funcionava a Escola da Praça Nova, a Escola Camões da Pracinha da Igreja e a Escola da Chã de Cemitério. Os alunos tinham brio em aprender e, sobretudo, eram bem ensinados pelos mestres e professore(a)s de então. As mães e os pais guiavam os filhos, os valores eram passados pelos mais velhos, o ensino/aprendizagem e a educação eram praticamente um só e os objectivos de todos: do sistema de ensino (educação), das famílias, de toda a sociedade. A Escola de Artes e Ofícios da Pontinha, as oficinas e as casas de costura serviam para preparar os rapazes e as meninas para a vida. O Liceu e a Escola Técnica formavam quadros administrativos e bons cidadãos.

 

Hoje a ilha pode gabar-se de muitas conquistas, incluindo a universidade para os seus filhos, mas a sua gente já não é o que era. Ela tornou-se despreparada, sem fibra, balofa, sem respeito, sem auto-estima, dependente, em suma, sem ciénça.

 

Na ilha-sede abriu-se, há já algum tempo, com pompa e circunstância, uma Casa da Ciência. Na altura, publicitou-se ou justificou-se uma idêntica para a ilha do norte. Contudo, nem aquela funciona nem esta foi instalada. Diz-se que isso só é possível porque o próprio dono da Casa não tem ciénça.

 

Mindelo, uma cidade nascida sob o signo da história, hoje já só tem estórias para contar. Anunciam-se com ciência, paliativos e soluções às gentes sem ciénça encalhadas na ilha.

 

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"Sem horizonte". Foto Hélder Doca, Julho.2013

 

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Morreu o Poeta Eduardo White

Brito-Semedo, 25 Ago 14

 

 

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Eduardo Luís de Menezes Costley-White


Quelimane, 21.Novembro.1963 - 24.Agosto.2014

 

 

O poeta Eduardo White é um dos nomes mais significativos da actual literatura moçambicana e autor de uma extensa bibliografia, inaugurada há 30 anos com Amar sobre o Índico (1984).

 

Eduardo White venceu o Prémio Gazeta da Revista Tempo, em 1990, com a obra País de mim; foi Prémio Nacional de Poesia, em 1992, com a obra Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave; Venceu o Prémio Consagração Rui de Noronha com a obra Dormir com Deus e um Navio na Língu, em 2001; três anos depois, venceu o Grande Prémio de Literatura José Craveirinha, com a obra O Manual das Mãos; em 2009 foi Prémio Corres da Escrita, com a obra Dos Limões Amarelos do Falo, às Laranjas Vermelhas da Vulva, e com o livro O Libreto da Miséria, White venceu, em 2012, o Prémio BCI de Literatura.

 

Eduardo White perde a vida numa altura em que se preparava para lançar o seu mais recente livro, Bom dia, Dia, sob a chancela da editora portuguesa Edições Esgotadas. 

 

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Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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