Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Assim é Batota, Patrão!

Brito-Semedo, 19 Set 14

 

Batota 1.jpeg

"Batota", Foto Hélder Doca, Agosto.2011

 

 

Para o Amigo Germano Almeida, Escritor de fina ironia

 

 

No tabuleiro da Várzea os dados do “jogo do patrão” voltaram a ser lançados. Até 2016 é ver quem ganha, se o povo consumidor, ou se o Patrão.

 

 

Alea jacta est

(A sorte está lançada)

 

JÚLIO CÉSAR

 

 

O jogo de dados ou o “jogo do patrão” – jogo do dupatrão, como é conhecido entre nós, na SonCent – é já uma instituição nas festas de romaria como as de Santa Cruz, na Salamansa, de San Jôn, na Ribeira de Julião, ou de San Pedro, em Santo André, onde é expressivo o número de bancas montadas à volta do arraial da festa. É ver uma aglomeração de pessoas ao redor dos tabuleiros, a apostar ou simplesmente a assistir.

 

Sendo um jogo de azar, com batota pelo meio, em que vários apostadores perdem para haver um vencedor, na verdade, quem sempre ganha é o patrão, o banqueiro. Que o diga o Léla de Nhô Antôn d’Ana que teve a esperteza de criar um tabuleiro com sete números, quando o normal é seis, para poder ser sempre a banca a ganhar!

 

No nosso jogo do dupatrão da Electra, depois de muitas mãos e não poucas rodadas, com o povo consumidor já cansado e sempre a perder, mas acreditando que alguma vez se há-de quebrar o enguiço do azar e ter a sorte de ganhar um pouco de luz e alguma água, impunha-se e impõe-se tomar uma atitude. Mas, calê! Gente sem ciénça! Só garganta!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tiremos a Boca do Morto

Brito-Semedo, 17 Set 14

 

Mindelo.jpeg

Foto de "Ratrote", Hélder Doca, Abril.2013
 

 

 

Para o Amigo Abraão Vicente, uma Voz Crítica

 

 

Na SonCente, sempre que se fala ou se invoca um defunto, usa-se a expressão nô trá bóca de môrto e aproveita-se para tomar uma bebida, o que se entende como deixar de falar no dito, com o enxaguar da boca, e esconjurar a própria morte.

 

Até aos anos sessenta de mil e novecentos, altura em que se passou a implementar o projeto de urbanização do descampado por trás da Chã de Cemitério, conhecido entre nós por “terra d’ índio, por ser de terra solta vermelha, abrindo a Avenida da Holanda e dando origem à Chã de Monte Sossego com construções de prédios de apartamentos, havia dois “cemitérios velhos”, um deles dos ingleses e um outro de gente da terra, desactivado desde que se construiu o “cemitério novo” no seguimento da estrada para a Ribeira de Julião, o nosso dezoito-dois-oito ou o Nha Marquinha.

 

A nossa casa ficava numa renque de casinhas pequenas situadas nas imediações desses dois cemitérios, virada para a estrada que desemboca no cemitério novo, baptizada de Avenida Manuel de Matos (1907-1962), em homenagem a esse benemérito sanvicentino e um dos donos da Fábrica Favorita.

 

Vivendo a portas-meias com os mortos, melhor dizendo, com o lugar dos defuntos, chegando, inclusivamente, a saltar os muros do cemitério para ali ir brincar, em companhia de outros coleguinhas (nunca sózinho nem ao fim do dia, credo!), era habitual, quase que diariamente, ver passar cortejos fúnebros e, no regresso, ajudar a lavar os cálices da aguardente que a minha Mãi-Dona vendia para os homens e as mulheres mais velhas trá bóca de môrto – “tirar a boca do morto” – muitas vezes com a desculpa de estarem com a garganta seca e com a poeira do cemitério.

 

Hábito antigo esse que ficou em que, sempre que numa conversa se fala ou se invoca um defunto, usar-se a expressão trá bóca de môrto e tomar um gole, que é como quem diz, deixar de falar no dito, enxaguar a boca e esconjurar a própria morte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/2

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • Reyan

    Só música de qualidade! Instrumentos de corda real...

  • Anónimo

    Oi sou cabo-verdiano, estou aqui de passagem, esto...

  • Regiane

    Exelentes musicas . Me faz recordar o tempo do meu...

subscrever feeds

Powered by