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"Do Monte Cara", de Germano Almeida

Brito-Semedo, 29 Out 14

 

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Brito-Semedo, apresentador, e Germano Almeida, autor. Foto Carla Eneida Henriques

 

 

Vim da Praia dumitadamente[1], para o alívio da Ana Cordeiro, a apresentadora de plantão dos livros do Germano Almeida, por pirraça deste e para pagar uma dívida. Ah, é que nunca fico a dever nada a ninguém, a não ser o amor! Na verdade, o que o Germano Almeida não sabe é que aceitei essa incumbência de bom grado para, assim, garantir um lugar na fotografia quando ele receber o Prémio Camões e poder mostrar às minhas netas que esse escritor ilustre é pessoa amiga do avô.

 

A cidade do Mindelo tem sido, ao longo dos tempos, uma fonte de inspiração para um número grande de escritores e de poetas, pintores e artesãos, trovadores e músicos.

 

“Quase tude dia tita ‘contecê

Uns cosa ‘strónhe li na nôs terra

Tónte mudança tita ‘contecê

Qu’até Monte Cara já gaguejá”

 

in "Cumpade Ciznóne" (Coladeira)

 

MANEL DE NOVAS

 

 

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Noite de 7 ou Noite de Guarda-Cabeça

Brito-Semedo, 25 Out 14

 

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Aos Amigos Nuno Ferreira, Pai de Primeira Água; João Branco, Pai veterano;

e Lígia Pinto, Avó de fresco.

 

 

A mim e rusga de certéza na próxima festa de sete ou noite de guarda-cabeça! Bocês podê mandá boca!

 

Ná, ó menino ná,

Sombra rum fugi de li!

Ná, ô menino ná,

Dixa nha fijo dormi…

 

“Ná, Ó Menino ná…”

 

in Mornas Cantigas Crioulas, 1932

 

EUGÉNIO TAVARES

 

 

Tradicionalmente as crianças em Cabo Verde nasciam em casa com a ajuda das parteiras curiosas que, logo após o nascimento, prendiam-lhes ao pescoço um cordel com “contas de quebranto” e outros amuletos dentro de um saquinho (“guarda”) e banhavam-nas numa infusão de ervas aromáticas contra o “mau-olhado”.

 

A placenta era levada para ser enterrada num local escondido, com a "boca" para cima para que o recém-nascido não apanhasse “frieza” (resfriado), bem como o cordão umbilical, para o ligar à terra (1).

 

O umbigo era curado com tabaco moído, pó fino que se forma nos beirais das casas ou colhido do casulo de certos insectos e mesmo com cal tirada da parede.

 

Este pó estaria contaminado por micróbios, pelo que acontecia que muitos recém-nascidos sofriam de infecção do coto umbilical, que se manifestava nos primeiros sete dias, e morriam (2).

 

Na verdade, esta infecção do coto umbilical ou tétano neonatal, em linguagem técnica, ocorria devido à má higiene e ferrugem no instrumento de corte (tesoura) na hora de separar o recém-nascido da mãe e devido aos produtos utilizados na cicatrização.

 

Cria-se, por outro lado, que se o coto umbilical não fosse mantido limpo, as bruxas podiam vir para sugar o sangue da criança. Daí a prática da família velar o recém-nascido durante estes dias críticos, mas principalmente no sétimo.

 

Após o nascimento do bebé, a superstição exigia realizar uma cerimónia contra o “mau-olhado” na noite do sexto para o sétimo dia. Assim, familiares e amigos sentavam-se durante toda a noite a tocar e a cantar para afugentar as bruxas.

 

 

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Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

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    Só música de qualidade! Instrumentos de corda real...

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