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Bode Expiatório

Brito-Semedo, 3 Out 14

 

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Para o Amigo Álvaro Ludgero Andrade, Jornalista dos tempos aziagos.

 

 

Em finais deste mês de Outubro, inicia-se um novo ano político e judiciário com o debate no Parlamento sobre o estado da Justiça. É já esperado por todos os cabo-verdianos que se vai recorrer à propaganda política e trazer preso por uma cordinha o bode expiatório dos anos 90.

 

A matriz judaico-cristã inculcou na formação dos cabo-verdianos o sentido do pecado e o ónus da culpa. Daí a dificuldade em pedir desculpas, pior ainda, pedir perdão porque seria, implicitamente, reconhecer o erro e confessar a culpa.

 

Desde muito cedo aprendemos a reagir ao apontar do dedo e a nos desculparmos face às incriminações: – Mim, n’ ê mim! Mim n’ ê culpódel (1).E procura-se ou inventa-se um culpado, um bode expiatório, no sentido figurado do termo.

 

Será por isso que se diz que a culpa sempre morre solteira?

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