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Literaturas da Guiné-Bissau, cantando os escritos da história tem como organizadores Margarida Calafate Ribeiro e Odete Costa Semedo (Edições Afrontamento, 2011). Apresenta-se como um contributo para leituras de obras de autores guineenses que seguem as mais diversas direcções e dicções, temos aqui uma paleta de escritores que questionam a invenção/ existência da nação guineense e problematizam a fala dessa identidade, isto para já não referir um excurso literário que nasceu a evocar a épica da libertação e hoje esconjura os políticos tiranetes e os caminhos insidiosos do neocolonialismo.

 

A estrutura da obra garante a apreensão do transcurso político-cultural da literatura guineense: o peso das lacunas sobre o passado anterior à chegada dos portugueses; a abundante literatura de viagens desses portugueses que se confinaram às posições mercantis na costa; a emergência de uma literatura colonial onde veio desembocar a poesia exaltadora da libertação em que se distinguiram Amílcar Cabral e Vasco Cabral. A partir daí desenvolve-se a literatura pré independência e, a partir de 1974, assistimos a dois ciclos distintos: a glorificação do país livre e o profundo desencanto devido à inconsistência do Estado-Nação, que parece arrastar-se à beira do abismo.

 

Após dois ensaios introdutórios que dão a panorâmica deste conjunto de tensões que de
algum modo facilitam a compreensão como a literatura da Guiné-Bissau é um dos mais ilustres desconhecidos da lusofonia, vemos como há sinais da extrema vivacidade desta literatura confrontada com a sua língua de expressão: como é que o português, a língua dos
colonialistas, pode exprimir as expectativas de um povo livre, genuinamente africano e
possuído de um mosaico étnico e linguístico tão singular? A resposta que as novas gerações
dão é o uso descomplexado do crioulo dentro do português, fazendo um casamento perfeito
entre as temáticas sociais e as líricas e sempre num respeito tocante pela oralidade dos valores culturais multifacetados. Uma estudiosa dá mesmo conta, com base no exemplo do fogo, como este elemento natural sempre constante no passado histórico, nas fábulas da tradição oral guineense continuam a ter um papel central na literatura da Guiné independente.

 

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