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Monte de Sossego

Brito-Semedo, 4 Jan 12

Vista de Monte de Sossego, S. Vicente

 

Monte de Sossego ou monte dos amores

de jovens impetuosos em noites escuras

insaciáveis, procurando coxas roliças

para noitadas intermináveis de sabura.
Monte de calma ou de intranquilidade

pelo seu reboliço, pela sua jocosidade

pelas suas cantigas em noites de luar

Monte de Sossego de paz e bem estar.

 

Monte de 1001 diabruras sem parar

terra vermelha e sombras a passar

de vendedeiras a ir e vir sem cessar

de caldos de peixe com o seu piriri

de bafas, de bafinhas e do sniquipi

de fêmeas briosas de ancas duras

de sorriso branco e tetas maduras

a fazerem perder muitas criaturas.

 

Monte de Sossego com seus mistérios

que só eram uns simples cemitérios.

Monte, um subúrbio de tranquilidade

que se desbaratou com a maioridade

e hipotecou toda a sua preciosidade

passando a ser uma parte da cidade.

Um monte que foi de muito sucesso

que se sumiu na onda do progresso.

 

- Valdemar Pereira, Tours, França

 

Nota do Autor: O "Monte de Sossego" não podia sair em outro lugar já que  o dono de "Na Esquina do Tempo" é, como eu, um menino de Chã do Cemitério, a porta principal do bairro do mesmo nome.

 

Para os amigos brasileiros: - bafas, bafinhas e sniquipi são os acompanhamentos para aperitivos, etc. - Sabura é... tudo quanto sabe bem.

 

 

 

 

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4 comentários

De Anónimo a 04.01.2012 às 18:15

AMJER , CÓQUE E BAFA, é uma trilogia e peras, em Monte Sossego e não só...Autentica "troika" do prazer global nela se confunde todo um percurso sensorial que nos convida, nos envolve e nos vence numa batalha em que ninguém perde, antes, se vai ao encontro de paroxismos de êxtase que, depois, vão forrar as paredes da nossa memória lúbrica e que nos acompanharão vida fora para nos confortarem nas horas amargas de carência afectiva e solidão. Bem hajam, todos os Montes Sossego do Mundo e o Valdemar. DEPÔS DE SABE, MORRÊ CÂ NADA...
zito azevedo

De Adriano Miranda Lima a 04.01.2012 às 22:50


Nos meus tempos de menino e moço, Monte de Sossego parecia-me um bairro algo distante e misterioso, talvez até com uma aparência lúgubre por sobranceiro ao cemitério. Havia apenas uma ocasião em que ganhava uma animação diferente. Era quando a bateria de artilharia anti-aérea instalada no seu cimo ensaiava à noite os potentes projectores (holofotes), iluminando  áreas bem distantes.
O poema do Valdemar faz-nos sentir um sortilégio pairando naqueles lados que eu de todo desconhecia, por na verdade só me lembrar de ter ido lá uma vez. Mas vejo que me enganei e boa coisa devo ter perdido, estou agora a ver, ou não fossem apelativas, pelo menos para regalo dos olhos, umas "coxas roliças" e "ancas duras" em "noitadas de sabura", e meio a  apetitosos "caldos de peixe com o seu piripiri, de bafas e bafinhas". Tudo se foi na voragem do tempo e só a memória poética do Valdemar nos permite revisitar o lugar e captar-lhe a alma, mercê do ritmo e da cadeia de sons e imagens que o seu poema utiliza muito bem. Andei por lá em 2003 e por ruas alinhadas e padronizadas pela mesma traça urbana. Mas perderam o mistério que se sente nos teus versos.
Gracias, Val. Que venham mais memórias destas, pois sei que estão no segredo da tua gaveta.

De Adriano Miranda Lima a 04.01.2012 às 22:53


Quis escrever "em meio a apetitosos..."  e saiu "e meio a  apetitosos..."

De ssossegado a 05.01.2012 às 09:57

Monte-Sossego
Terra de

Bolacha de Matos e de Jonas -- Pão de Milho e de Trança
e a
´Que  tinha mais (tem?)botequim por numero de habitantes...
Sabe pã besú

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