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Cabo Verde, Terra de Morabeza

Brito-Semedo, 18 Jul 12

Vai estar disponível, em Setembro, o livro Cabo Verde, Terra de Morabeza, de Suzana Abreu e Luís António Martins de Faria. Antecipando, a Esquina do Tempo edita, em pré-publicação, extractos das suas "Notas Finais".

 

Quanto a nós, meros figurantes nesta história, o destino juntou-nos em Cabo Verde nos anos 70 e a vontade indómita do Luís, que vive há muitos anos nos EUA, fez o resto a meio caminho, em Portugal e em Abril de 2011.

 

De um encontro improvável de amigos de infância espalhados agora pelos quatro cantos do mundo, nasceu, poucos meses mais tarde, a idéia do Luís de organizar um livro sobre Cabo Verde, bem como o convite, jamais sonhado, para ser eu a escrevê-lo. Aceitei o desafio sem tão-pouco pestanejar.

 

Não duvido que a vida seja, desde os primórdios da Humanidade, uma profusão de linhas curvas que se cruzam inesperadamente em determinado ponto do seu caminho infinito. Esta linha cruzou subitamente uma segunda vez as nossas vidas, não atravessando apenas o Atlântico muito mais a norte, como ainda o continente americano. Como poderia recusar?...

 

Hoje somos herdeiros de um longo e acidentado Passado percorrido pelas gerações que nos antecederam e também de uma enorme memória colectiva comum, resultado das raízes que medraram há mais de cinco séculos.

 

Façamos do nosso presente, deste onde nos reencontrámos e de onde surgiu este trabalho, o caminho da consolidação do entendimento e da cooperação para todos os dias que hão-de vir.

 

Mostremos aos filhos desta geração que de nós nasceu, já no tempo da liberdade e democracia - e que por circunstâncias diversas se espalhou pelo mundo fora e/ou se afastou da sua História - que as raízes são importantes para dar um sentido ao que hoje somos e para definir, com consciência do presente e orgulho nas conquistas do passado, os rumos do futuro que apenas e somente a eles pertence. De nós, restará, com sorte, apenas uma breve memória.

 

Creio que a afirmação acima é universalmente válida, seja qual for a nossa nacionalidade ou etnia: os enormes progressos económicos, sociais, científicos e tecnológicos das últimas décadas não alteram as nossas raízes nem a cultura que herdámos, mudam apenas o modo como vivemos se beneficiarmos de esse progresso. Contudo, para ter uma identidade, precisaremos sempre de saber de onde viemos.

 

Quase a terminar, faço uma pergunta a mim mesma: como e onde nasceram estes laços duradouros que ainda hoje me prendem?... encontro apenas três palavras, às quais voltarei daqui a pouco.

 

Talvez este encontro de culturas durante a nossa infância tenha produzido muito mais afinal do que uma amizade profunda; deixou algo que cresceu das semelhanças e das diferenças e que se projectou para além dos efeitos produzidos por um longo intercâmbio cultural, que começou um dia, no ido ano de 1462, com os primeiros povoadores de um arquipélago desabitado.

 

Da nossa própria encruzilhada particular, o que cada um de nós deu e levou consigo, nos diferentes rumos que viemos a tomar mais tarde, não se somou: fundiu-se, criou algo novo, marcou-nos na alma. Cortaram-se os fios, nunca se desataram os laços.

 

E, por um breve momento, esta é - e foi - a nossa história particular: um ponto minúsculo no grande traço do Tempo de um país, que numa fracção de um segundo juntou um grupo diverso de crianças e jovens que se tornaram amigos e que noutro segundo, quase quatro décadas depois, motivou os adultos em que nos tornámos a reunir-se sem hesitações nem medos.

 

Suzana Abreu

Luís António Martins de Faria

 

 

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1 comentário

De heldgraca a 20.07.2012 às 06:19

Muito profundo...para min...Fala da minha e da realidade da maioria da Humanidade..temos de aceita-la e preserva-la...
Obrigado

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