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E Tudo o Vento Levou

Brito-Semedo, 8 Set 10

 

Alternando com "Filmes em Cartaz", o Na Esquina do Tempo passa a postar "Filmes Eden Park", ou seja, "filmes que marcam", reportando-se aos clássicos do cinema mundial que, eventualmente, terão sido exibidos nesse cinema.

 

A abrir, nada como E Tudo o Vento Levou, com Clark Gable, como sport, e Vivien Leigh, como m'nina de sport. Seguir-se-á Casablanca, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Os demais filmes, serão os eleitos pelos leitores, que nos farão chegar a indicação do filme ou dos filmes da sua predilecção.

 

Vou começar já a fazer a minha lista: Os Dez Mandamentos; Ben-Hur; Cleópatra; Quo Vadis; Lawrence da Arábia; Sete Noivas para Sete Irmãos; Aviso aos Navegantes; Dez Mil Léguas Submarinas; Zorba, o Grego; Dr. Jivago; Música no Coração; Mary Poppins; As Sandálias do Pescador; A Guerra nas Estrelas; O Padrinho; E. T., O Extraterrestre; África Minha; Prety Woman…

__________

   

 

Um filme não é uma obra vinda do acaso. Assim como um oleiro dá pouco a pouco a forma a uma peça de barro, a produção de um filme pode atravessar algumas dificuldades e contratempos até passar por todos os processos necessários para que o possamos ver no cinema ou no ecrã do nosso televisor. O produtor David O. Selznick apressou-se a adquirir os direitos de adaptação cinematográfica de Gone With the Wind – romance de estreia de Margaret Mitchell sobre a guerra civil americana, pagando uma avultada quantia pela obra de uma escritora então desconhecida. Pretendia levar a cabo uma produção de luxo, ou não fosse ele uma das figuras proeminentes da “fábrica de sonhos" de Hollywood. A produção foi bastante atribulada, desde a escolha dos actores ao realizador. Quando Victor Fleming (O Feiticeiro de Oz – 1939 e Joana D’Arc -1948) foi contratado já algumas cenas importantes tinham sido gravadas por George Cukor, o segundo realizador contratado por Selznick.


E Tudo o Vento Levou é um épico histórico cuja acção se inicia em 1861 no sul dos E.UA. Numa bonita e vasta propriedade chamada Tara (a norte do estado da Geórgia), Scarlett O’Hara, de ascendência irlandesa, é uma bela e caprichosa jovem bajulada por alguns jovens da sua idade, entusiasmados com a possibilidade do começo de uma guerra entre os estados do Norte e do Sul dos E.U.A. Através deles fica a saber das intenções do seu amado Ashley Wilkes em casar-se com Melanie Hamilton. Ignorando os conselhos da sua fiel criada Mammy (Hattie McDaniel), Scarlett decide ir ao baile dado pela família de Ashley para tentar demovê-lo dos seus intentos. No entanto ele prefere a feminilidade convencional de Melanie à impulsividade e vivacidade de Scarlett. por despeito ela casa com homens que não ama, mas rapidamente fica viúva. É neste baile que a jovem conhece Rhett Butler, um homem maduro, galante e com má reputação, segundo os mexericos das senhoras. Na ida a Atlanta, ao encontro de Ashley e Melanie, Scarlett reencontra Rhett, que a irrita profundamente com a sua falta de cavalheirismo, no entanto vai-se aproximando dele. A narrativa acompanha depois a história e os encontros e desencontros de Scarlett e Rhett, ao mesmo tempo que a guerra civil destrói milhares de vidas, devasta as plantações e deita por terra as instituições, os costumes e a causa dos sulistas - manter os escravos nas plantações de algodão que estavam na base da sua riqueza. Enquanto tudo isso acontece, quando admitirá Scarlett que já não ama Ashley, mas sim Rhett? Ficarão juntos e felizes?


Numa época em que os Estados Unidos ainda sofriam os duros reveses da crise de 1929, o cinema era tido como uma cultura de evasão. O público consumia com avidez filmes históricos que exaltavam precisamente a capacidade de resistir ao infortúnio que Scarlett representa. A britânica Viven Leigh foi a escolha perfeita para dar corpo à egoísta, mas destemida Scarlett; Rhett representava o herói romântico, viril, arrebatador e por vezes cínico; Ashley era o típico cavalheiro que continha os sentimentos e Melanie personificava a bondade e a complacência. Durante o filme conseguimos ver estas características que diferem o casal principal do filme: Rhett e Scarlett, do casal secundário: Ashley e Melanie, mas em ambos os casais está presente o amor romântico que o público adorava. Embora as interpretações deslumbrem, assim como os ricos cenários, este filme embeleza a complexidade da história da guerra civil ao descrever os escravos como felizes e profundamente fiéis e dedicados. Gostaria de destacar um aspecto importante resultante deste filme: o facto de Hattie McDaniel ter sido a primeira actriz negra galardoada com um Óscar pelo seu papel secundário como Mammy.


É bastante difícil tentar resumir uma história por vezes tão exaustivamente retratada durante os mais de 220 minutos de duração do filme, as palavras não bastam e o melhor é mesmo vê-lo. A duração parecerá excessiva para muitos, no entanto pensem que a primeira versão do argumento de Sidney Howard daria para cinco horas e meia de filme! Existem muitos aspectos interessantes como, por exemplo, o modo como a câmara se afasta de Scarlett quando esta cuida dos feridos no hospital e o ecrã enche-se com os uniformes cinzentos dos soldados, Atlanta a arder enquanto Rhett ajuda Scarlett a fugir, a famosa cena em que Scarlett agarra um pouco da terra vermelha e perante um céu cor de fogo (acompanhada pela música de Max Steiner) jura a si mesma nunca mais fazer fome e tudo fazer para manter Tara e o uso da Technicolor (nomeadamente a partir dos anos 30) que magicamente aumenta com o brilho da cor o encanto de um filme que perdura até aos dias de hoje e ainda nenhum dos grandes realizadores da nossa época se “atreveu” a fazer um remake desta história de amor numa civilização "levada pelo vento".

® Isabel Fernandes

 

Título Original:
"Gone With the Wind" (1939)
Realização:
Victor Fleming
Argumento:
Sidney Howard, adaptado do romance de Margaret Mitchell
Actores:
Clark Gable - Rhett Butler
Vivien Leigh - Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland - Melanie Hamilton
Leslie Howard - Ashley Wilkes

 

 

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4 comentários

De Izaura Furtado a 09.09.2010 às 09:28

Olá, mas que assunto interessante!!


Eu não sou mnininha de Soncent destes bons tempos, nunca assisti filmes no "Eden Park", mas recordo do meu pai nos contar sobre os filmes que marcaram a sua juventude, nos anos 50-60 em Mindelo. Na minha infância e adolescência, vi muitos destes filmes no Brasil, na companhia dos meus pais, que sempre aproveitavam a ocasião para recordar Mindelo.


 


Assim sendo, tomo a liberdade de votar, in memorian a meus pais, pode ser? Voto, da sua lista, em: Quo Vadis, Ben-Hur e 7 Noivas para 7 Irmãos.


 


Acrescentaria ainda outros filmes que os meus pais apreciavam e que fizeram a época áurea de Hollywood: filmes com Victor Mature (O Manto Sagrado; Sansão e Dalila). E outros: Guerra e Paz (com Audrey Hepburn, Mell Ferrer, Henry Fonda); As Aventuras de Robin Hood (com Errol Flynn, Olívia de Havilland); A Princesa e o Plebeu (com Gregory Peck e Audrey Hepburn); O Rei e Eu (com Yul Brinner e Déborah Kerr); Sissi, a Imperatriz (com Romy Schneider); Barrabás (com Anthony Quinn); Cantando na Chuva (com Gene Kelly); O mágico de Oz (com Judy Garland). Bem, a lista está ficando longa …


 


Creio que dará um grande trabalho arrumar as listas e preferências dos leitores, mas valerá a pena!


 


Saudações e que o Senhor Professor continue com excelentes ideias para o seu blog!


 


De Ernestina Santos a 09.09.2010 às 12:21

Uma excelente estreia desta nova secção! "Gone with the wind" é dos filmes maiores da história do cinema, como bem descreveu Isabel Fernandes na sua brilhante resenha. É daqueles filmes que a gente vê pela "décima milionésima vez" no canal Hollywood ou outro de memórias da TV, esquecendo com prazer alguns deveres para saborear as felizes recordações de antanho, quando fascinados os vimos pela primeira vez.

A segunda escolha é também um dos favoritos de quase toda a gente e ainda há uns três dias tive a sorte de o rever na RTP 2. O tema é também sobretudo sobre a liberdade do Homem, direito que teimosamente o ser humano continua a querer espezinhar. Mas as emoções que nos transmitem estes filmes são autênticos exemplos dos bons sentimentos que o ser humano é também capaz de experimentar e que, ao longo de décadas, o cinema muito contribuiu para exaltar.

Não me pronuncio sobre uma lista de preferências pois, afinal, cada um dos filmes acima mencionados marcou-nos cada um da sua forma e num momento especial da nossa vida. A descrição de cada um será muito bem vinda, reavivando o que restou da nossa cultura cinéfila.

Muito obrigada pela partilha e pelo dinamismo com que enfrentas cada nova ideia, envolvendo terceiros que não resistem ao apelo da tua amizade!

De Brito-Semedo a 09.09.2010 às 13:03

Hoje parece que acordei com o rabiosca para a lua! Dois comentários de duas fãs (?!) do "Na Esquina do Tempo"! E o filme ainda vai no trailler! Obrigado!
Pelo andar da carrugem, vou ter de mobilizar cinéfilos mais abalizados e constituir um júri ad hoc para a escolha dos "Filmes Éden Park" mais votados, hihihi!

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