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'Identidade Nacional Cabo-verdiana'

Brito-Semedo, 16 Set 12

 

Realizou-se na cidade da Fortaleza, Estado do Ceará, Brasil, entre os dias 3 e 7 de Setembro, o XXXV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), onde o autor deste blogue apresentou uma comunicação intitulada O Processo de Construção da Identidade Nacional Caboverdiana (1856-1975), de que aqui se reproduz em resumo.

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Pelo menos desde os meados do Século XIX, a partir da instalação da tipografia e da publicação periódica não oficial, faz parte da experiência do cabo-verdiano, a interacção que a vida quotidiana estabelece com a imprensa. A relevância deste fenómeno reside no facto da imprensa servir de veículo de movimento de ideias.

 

Vendo a imprensa cabo-verdiana em retrospectiva, é possível identificar contornos de períodos distintos de tendências ideológicas e políticas diferentes. De facto, a imprensa periódica pode constituir um testemunho vivo sobre a actualidade de uma época, vista de uma forma sincrónica e dinâmica, e um depoimento do desenvolvimento de uma consciência de identidade nacional. Ao mesmo tempo, como no caso vertente, ela torna-se o veículo, também, de discursos literários.

 

A imprensa periódica serviu para que os cabo-verdianos dessem maior amplitude ao combate na defesa dos seus interesses e contribuiu poderosamente para a formação de uma consciência de pertença a uma "comunidade política imaginária", na expressão de Benedict Anderson (1983), com uma identidade própria, que os caracterizava e os distinguia dos Outros.

 

Partindo de uma identidade étnica, o homem cabo-verdiano, como resultado e síntese do cruzamento do branco e do negro que aportaram às ilhas, observou uma trajectória feita, simultaneamente, nas dimensões cultural e político-ideológica. Convém referir que este percurso nem sempre foi realizado de forma linear ou por métodos pacíficos, tendo passado por diversas etapas, até culminar numa identidade nacional.

 

No âmbito da dimensão cultural, uma primeira etapa foi a emergência de um sentimento nativista na elite de então, enquanto portadora dos valores culturais da sua origem. Este sentimento progrediu para uma consciência regionalista, até culminar numa afirmação nacionalista, que desembocou, enfim numa identidade nacional.

 

A acompanhar este percurso na dimensão cultural, o homem crioulo cabo-verdiano fez igualmente, e em simultâneo, um outro, na dimensão político-ideológica. Este, começou por ser, numa primeira etapa, uma reclamação de um estatuto de igualdade em relação ao português reinól da metrópole, evoluindo para uma etapa de reivindicação da diferenciação regional dentro da filosofia de um “Portugal uno e indivisível do Minho a Timor”. Na sua decorrência o processo atingiu uma etapa de exigência de uma autonomia política no concerto das nações, que desembocaria, inevitavelmente, na consciência plena da posse de uma identidade nacional.

 

- M. Brito-Semedo

 

NOTA: O Intercom 2013 acontece em Manaus, a capital do Amazonas, conhecida como "A Paris dos Trópicos", de 4 a 8 de Setembro. Saiba mais sobre a Intercom 2013.

 

 

 

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