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"Os Ciganos": Terminado conto da avó

Brito-Semedo, 3 Nov 12

O conto «Os Ciganos», inédito inacabado de Sophia de Mello Breyner Andresen, é «uma história de liberdade e de compreensão daquele que é diferente», disse Pedro Sousa Tavares, neto da escritora a quem coube a tarefa de o terminar.

 

O conto, editado pela Porto Editora, tem uma primeira edição de 3.000 exemplares, e, segundo fonte da editora, «deverá esgotar rapidamente, a avaliar pelos pedidos feitos que ultrapassam em dois terços esta cifra». A edição identifica a azul a primeira parte do conto, da autoria de Sophia de Mello Breyner Andresen, e a preto a escrita pelo neto.

 

O jornalista Pedro Sousa Tavares estreia-se literariamente ao ter aceitado a proposta da tia, a poetisa Maria Andresen de Sousa Tavares, para terminar o conto que em 2009 foi encontrado no espólio da poetisa.

 

Sousa Tavares levou cerca de oito meses a escrever e a encontrar um final que não desvirtuasse o início da história idealizada pela avó, para tal «muito contribuiu» o nascimento do segundo filho do jornalista.

 

«Como fiquei em casa e tirei férias, aproveitei para começar a ordenar ideias», disse.

 

A «ponte» entre a narrativa de Sophia e a de Pedro Sousa Tavares «é um gato» que acidentalmente surgiu à janela do jornalista sempre que este se colocava ao computador. Gato a quem o autor chamou «Polícia».

 

A justificação do baptismo é dada por uma das personagens do conto, «Gela»: «Ele [o gato] entra pelas nossas carroças sem pedir licença e deixa tudo desarrumado. Por isso ficou com esse nome».

 

Em declarações à Lusa, Sousa Tavares afirmou: «Escrevi à minha maneira o final daquele livro», referindo em seguida «a forma muito característica de escrever de Sophia, que tinha uma escrita na sua essência».

 

«Tentar imitá-la era fazer uma caricatura. Procurei seguir algumas coisas, como o 'respeito pelas palavras' que Sophia tinha, e utilizá-las só pelo sentido de que deviam estar lá e não por questões estéticas», referiu.

 

Outra preocupação do jornalista foi «ter em conta o destinatário da história, que serão os rapazes/raparigas a entrarem na adolescência e que estão na fase da descoberta. Do descobrir além da zona de conforto do lar, e descobrir o que queremos».

 

«Ruy» é a personagem principal do conto. «Já não é um rapaz pequeno, mas ainda não era um rapaz crescido», escreve Sophia. Este rapaz vive numa casa que não lhe parece ser sua, com muitas regras e rotinas e se parecia antes «um tribunal».

 

Certo dia, o rapaz é surpreendido pelo tocar de um tambor que o desafia a saltar o muro do jardim, a percorrer os campos e aproximar-se de um acampamento de ciganos, e «Ruy seguiu os ciganos». Foi neste ponto que parou a narrativa de Sophia.

 

Para Pedro Sousa Tavares, Sophia fez «um retrato dos ciganos nos anos 1960, mas remete para a imagem dos ciganos que correspondia aos da sua juventude, em que havia os circos de ciganos que hoje não sabemos exactamente o que são».

 

«Estes circos não usariam animais amestrados», referiu Sousa Tavares, que fez alguma pesquisa sobre a comunidade cigana e utilizou na narrativa algumas palavras do seu dialecto, o caló.

 

O autor lamentou «haver poucas fontes portuguesas sobre os ciganos», mas optou por utilizar «elementos da cultura cigana menos óbvios como certas tradições, nomeadamente a das fadas do destino». Estes seus ciganos são nómadas, lêem a palma da mão, tocam guitarra, cantam e dançam, além de executar números de circo como andar sobre um arame.

 

Pedro Sousa Tavares optou por «salientar valores da comunidade cigana que à primeira vista não se notam, como o apreço pela família, o respeito pela natureza e o sentido de comunidade».

 

«Os ciganos são uma minoria com uma cultura própria, fortemente enraizada, por ser transmitida oralmente de geração em geração», salientou.

 

O jornalista não faz quaisquer projectos literários, tendo afirmado à Lusa que «terminar este conto foi um fim em si mesmo e não um meio para atingir qualquer outro fim». Neste momento afirmou estar «a apreciar a experiência».

 

«Foi uma oportunidade que surgiu e não quero pôr o carro à frente dos bois», rematou.

 

Diário Digital com Lusa

 

 

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