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Federação Nacional de Golf e Criket

Brito-Semedo, 17 Nov 12

Foto gentilmente cedida por Antero Fortes Andrade


A nossa série de post sobre as modalidades desportivas trazidas pelos ingleses - Cricket, Golf e Ténis - que se naturalizaram mindelense, deu origem a uma quantidade grande de comentários dos leitores amigos da diáspora. O comentário de Luiz Silva foi-nos enviado por e-mail e, dado ao facto de ser extenso, sai autonomamente como um novo post.

 

O Golf e o Criket fazem parte da história desportiva de Cabo Verde. Conheceram dias de glória que marcaram a vida de centenas de cidadãos mindelenses. Para que se perpetue a prática do criket e do golf em Cabo Verde e, em especial, em São Vicente terão estes de ser integrados no curriculum escolar e nos bairros da cidade, e a criação das suas próprias equipas.apoiadas Assim, o apoio material e financeiro para a abertura de escolas de criket e de golf torna-se fundamental como acontece com o futebol e a natação em São Vicente.

 

Se o golf não deixou de ser praticado pelos jovens do Dji de Sal e do Monte, o mesmo não se pode dizer do criket que quase desapareceu dessas duas aldeias. A criação do Lord Juvenil no Monte pelo Dr. Antero de Barros, nos fins dos anos trinta, trouxe um grande impulso a estas duas modalidades desportivas, pois foi desse grupo desportivo, onde também as mulheres as praticavam, que nasceu o actual club de Golf de São Vicente, também sob a presidência de Antero Barros. Os próprios clubes desportivos como o Mindelense, o Castilho e o Amarante, assim como as empresas (a Fábrica Favorita, a Companhia Wilson e a Shell) possuíam equipas de criket que se disputavam durante o período de defeso do futebol na Chã de Cricket (daí o nome), na Chã de Monte Sossego e nos campos pelados do Dji de Sal e doMonte onde crianças e adultos se davam principalmente ao prazer de também jogarem “rodeada pau”, o base-ball caboverdiano. 

 

Foto gentilmente cedida por Antero Fortes Andrade
 
Legenda: Equipa mindelense (sentados), que ganhou à equipa inglesa (de pé) - Florêncio, Olavo Santos, Herminio Pereira, Antero Barros, Augusto Costa, Eduardo Andrade, José Abu Raja e Pedro Silva - Getileza de Valdemar Pereira.
 

Como perpetuar essas duas modalidades desportivas em São Vicente ou ainda espalhá-las por todas as ilhas? Como vem sucedendo com as escolas de futebol, devia-se criar também escolas de golf e de criket para os jovens da ilha. A introdução destes dois desportos no curriculum liceal, nas aulas de desporto, poderia também beneficiar estas duas modalidades. Os mindelenses residentes na Praia e no Sal criaram os seus clubes de golf, que poderiam constituir uma atracção turística, se fossem verdadeiramente apoiados. Por isso, mais uma vez torna-se necessária a criação de escolas de criket e do golf em terra-batida ( mistura de óleo e areia), uma invenção dos cabo-verdianos e ingleses que facilitou a criação de um golf popular único no Mundo.

 

A geração de Antero Barros, Eduardo Andrade, Florêncio Santos, Djidjé Fortunato, António Costa, Hermínio Pereira, Pedro Silva, fundadores do actual club de Golf de São Vicente, foi precedida por grandes jogadores como Tadjé e Momoko, ambos de Dji Sal, rempre referidos pelo Dr. Antero Barros. No criket ainda conheci grandes jogadores ingleses e cabo-verdianos, mas é bom lembrar de Nhô Fula, Damatinha, Pedro Teodora, Tchutche, entre outros.

 

A situação actual do Club de Golf de São Vicente, ultrapassa todos os limites da indignidade. Uma nova direcção, sem respeito à memoria da nossa história desportiva, ao abrigo de uma assembleia extraordinária viciada, criou uma associação em Santiago (porquê Santiago?) para recuperar todos os terrenos do Club Golf de São Vicente. O falecido Antero Barros, fundador do Club, escrevia no jornal A Semana que preferia morrer a ter de ver o club nas mãos de pessoas que nada têm a ver com a história do golf em São Vicente. O caso continua a correr nos Tribunais enquanto a direcção continua a não respeitar os estatutos do Club, ou seja, a organizar as Assembleias Ordinárias anuais.

 

Para terminar, vai uma outra proposta : porque não criar-se uma Federação Nacional de Golf e Criket em São Vicente para relançar a prática destas duas actividades desportivas em Cabo Verde? Ao que parece, segundo me disse o antigo presidente do Golf de São Vicente, o conhecido dirigente desportivo, Mário Matos, que nunca se fez a tal federação porque se exigia que a sede ficasse na Praia e não em São Vicente, mãe de todas as modalidades desportivas em Cabo Verde.

 

- Luiz Silva

 

Paris, 14/11/2012

 

 

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4 comentários

De Anónimo a 18.11.2012 às 09:55

O Luiz teve uma excelente iniciativa de fazer esta cobertura sobre estas duas modalidades desportivas não menos importante em S. Vicente: O golf e o cricket.
A ideia da criação de uma Federação Nacional de Golf e Criket em São Vicente, repito sediada em S. Vicente, é muito louvável.
Podemos através do desporto redanimizar culturalmente a nossa ilha.
José F Lopes 

De Valdemar Pereira a 18.11.2012 às 11:56



Voltamos aos bons tempos da nossa juventude na ilha onde se devia ocupar o tempo de ócio em sãs ocupações. Era normal levantar-se cedo ir à praia, voltar para o pequeno almoço e ir trabalhar. Á tarde tinha-se tempo para ir a treino do desporto favorito antes do passeio à Praça Nova antes do jantar e depois quando não havia ensaios de teatro ou outra manifestação cultural. Quem não praticava o futebol se encontrava no Castilho (ou no Clube Mindelo) com um parceiro ou com um mestre (geralmente um mais velho e conhecedor do desporto).
Outros tempos, outros costumes, agora praticam muitos outros desportos dentro de melhor organização e com subsídios, enquanto que no nosso tempo era tudo amadorismo e os praticantes ainda pagavam para praticar.
Mas este comentário é para lamentar o facto de nunca mais se falar de desportos, ora mencionados, onde o cabo verdeano se notabilzou, que não mereceram ser melhormente dirigidos. Penso que muito mais se podia fazer se fosse possível a criação uma Federação para o Lawn Tenis & Criket. E com maior legitimidade se podia defender os bens próprios (nomeadamente terrenos) que continuam a ser olhados por manhentos que se dedicam à espoliação e vivem de exploração.
Ninguém mais do que o próprio pode defender o que é seu.
Valdemar Pereira
 
P.S. - Felicito o Luiz por esta participação, lamentando que não tenha aparecido mais cedo para os artigos antecedentes na Esquina do Tempo relatando as façanhas desses desportos que ampolgavam o Mindelo. Felicito igualmente o José pelo que pede. Subscrevo.

De Valdemar Pereira a 18.11.2012 às 12:04

Peço licença ao Amigo Brito Semedo para dar os nomes dos sanvicentinos (sentados) na fotografia. Ganharam à equipa inglesa (de pé):  Florêncio, Olavo Santos, Herminio Pereira, Antero Barros, Augusto Costa, Eduardo Andrade, José Abu Raja e Pedro Silva.

De Brito-Semedo a 18.11.2012 às 16:18

Licença concedida, Meu Velho, e com muito gosto. O post ficou muito melhor com essa sua legenda. Só falta saber agora o ano.
Braça e resto de bom domingo!

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