Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sr. Reis

Brito-Semedo, 15 Dez 12

  

Sr. Reis.jpeg

 

 

José Alves dos Reis nasceu em Bolama, Guiné-bissau, no dia 20 de Março de 1895.

 

Tendo ficado órfão muito novo foi levado para Portugal e internado num convento onde viria a manifestar a sua vocação para a música tendo sido ajudado por um padre, com quem viveu muitos anos e, mais tarde, por uma senhora inglesa, amiga do seu protector, que lhe financiou os estudos no conservatório durante 4 anos.

 

A seguir fez estágio na Alemanha para receber o diploma em Roma. Alguns anos depois regressa à Guiné, mas a sua ânsia de aprender mais a nível de música, leva-lo a embarcar rumo ao Brasil. Em S. Vicente, onde fez escola, teve a notícia que havia febre-amarela no Brasil e deixou-se ficar por aqui.

 

Dedicou todo o resto da sua vida à música, dando concertos e ensinando várias gerações. Criou a Banda Municipal e foi professor de Canto Coral no Liceu Gil Eanes até à sua morte, a 16 de Outubro de 1966, nesta cidade de Mindelo.

 

A 16 de Janeiro de 1992, a Câmara Municipal de S.Vicente, por ocasião das festas do município de S. Vicente, atribui ao largo onde o Sr. Reis morou longos anos o nome de Largo Maestro Alves Reis, como reconhecimento pela obra realizada nesta ilha.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

7 comentários

De zito azevedo a 15.12.2012 às 15:13

Boa alma, educado, calmo, erudito, o professor Reis é um dos pilares sobre os quais assenta o que de melhor a vida me ensinou...No Canto-Coral do Liceu, disse-me, uma vez, que eu era "meio-tenor"...Na ocasião fiquei fulo por não ser mais alto para poder ser "tenor inteiro"...Nunca vi homem mais paciente, mais amante da sua arte, mais amigo do seu semelhante...Verdadeiramente, "primus inter pares!", gerações de cabo --verdianos se recordarão dele com a saudade e o respeito que só os Grandes conseguem merecer!

De Joaquim ALMEIDA (Morgadinho ) a 22.12.2012 às 17:45

Digo com um certo orgulho , que fiz parte como aluno da escola de mùsica dirigido por este " HOMEM " ,( com letras grandes ) e que o devo a minha carreira como mùsico e trompetista !.. Lembro-me perfeitamente as minhas primeiras liçoes de solfejo , e mais tarde a escolha do instrumento que eu devia aprender e que veio a coïncidir com o mesmo que eu jà sonhava antes de entrar para a sua escola , que era trompete . Senhor Reis ,-como jà disse vàrias vezes , faz parte dos grandes homens do nosso pais .Nao me canso de agradecer a (Esquina do Tempo) , pelo precioso valôr cultural do nosso pais , aqui nesta pàgina online , para que esta geraçao saiba o que se fez de bom e ùtil para Cabo Verde .
Um Criol na Frânça ;
Morgadinho !..

De amendes a 15.12.2012 às 16:19

Nhô Reis...

Apesar de eu desafinar "demitado," apesar de brincadêra e d ' abuso (sem faltar ao respeito), foi o único Professor que nunca me marcou uma falta de castigo...
Nhôa Reis era Homem bom demais...Deus o guarde lá na céu... na aula canto coral d'anjo!

De anonimo a 16.12.2012 às 11:47

Nhã gente...

Tanto músico... tanto aluno que ensinei...só dois "momdronguins" é que se lembraram de mim?!!!
Não preciso rever a pauta... sei que me guardam... lá num cantinho dos seus corações!

 

De Djack a 16.12.2012 às 11:54

Tem um tercer mandronguim que ta recordá nhô Reis c'tcheu de sodade... mim, Djack!

Excerto de "Capitania - Romance de Cabo Verde" - Terá de ser em duas partes, por não caber todo num post.

Primeira parte do texto alusivo a nhô (ou Ti) Reis:

Ti Reis, o professor de Canto Coral, era em simultâneo o mestre da Banda Municipal. Figurinha apagada de idoso, metido no seu fato escuro, dava-nos aulas no salão que ficava à direita da porta principal do liceu, dedilhando o piano, à medida que nos ensinava canções do folclore português. Toda a minha gente gozava com Ti Reis, o que me confrangia, vendo o pobre homem sofrer, impotente, os dislates da rapaziada: falatório, risota, caretas nas suas costas, desafinações intencionais e outras macaquices do género. Um dia marcou-me falta, porque não levei os trabalhos de casa feitos; na vez seguinte elogiou-me, porque entre diversos instrumentos a enumerar, lhe falei na requinta.

De Djack a 16.12.2012 às 11:56

Segunda parte do texto alusivo a nhô (ou Ti) Reis

«O menino sabe mesmo o que é uma requinta?», perguntava ele incrédulo, chupando a sua eterna beata. «Sei, sim, senhor Reis. É um instrumento de sopro usado nas bandas militares, parecido com o clarinete. O meu pai já a tocou em bandas da Marinha», respondi, orgulhoso de divulgar o nome de um instrumento que nenhum dos meus colegas conhecia. «Há-de dizer ao seu pai que, quando quiser ensaiar, pode ir à sede da Banda Municipal», continuava ele. O meu pai nunca ensaiou com Ti Reis, mas eu fiquei com boas recordações daquele velhote, algo incompreendido, a quem os alunos faziam a vida negra.

De Adriano Miranda Lima a 18.12.2012 às 00:31

O Sr. Reis foi meu professor de música no liceu, como o foi de muitas gerações. Infelizmente, eu não era dos mais dotados para as matérias que ele ministrava. Guardo dele dois momentos precisos. Em 1956, por alturas do Natal, estava eu a observar uma pistola de brinquedo na montra da Casa do Leão. O professor, que já me conhecia como aluno, disse-me: "Pede ao Pai Natal para te dar uma coisinha destas".
Estava eu no 4º ano e um belo dia, depois de uma confusão na aula, por causa de muito barulho e alguma indisciplina, tirou o número a todos os que ele julgou infractores. Fui um deles. Deu direito a "falta disciplinar" e envio de carta para o encarregado de educação. Foi a única vez na minha vida de aluno e de nada valeu eu explicar quer ao Sr. Reis, quer, mais tarde, ao encarregado de educação, que eu estava inocente.
E a verdade é que eu estava mesmo. E ainda por cima sentia uma certa ternura pela figura paternal desse professor.

Comentar post

Esquecer!? Ninguém esquece…
Suspende fragmentos na câmara escura, que se revelam à luz da lembrança...

Pesquisar

Pesquisar no Blog

Jornalista e Poeta Eugénio Tavares

Comunidade

  • amendes

    Viva Nhô Balta - Sempre!Nos muitos discursos que, ...

  • Joaquim ALMEIDA

    Falando deste " fazedôr de milagres " , que era Dr...

  • FERNANDA BARBOSA

    Depois de tomar conhecimento do conteúdo do texto,...

Powered by