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Mestre Pulú

Brito-Semedo, 29 Dez 12


Clarimundo Faria de Andrade, natural da ilha da Brava, Mestre Pulú, assim conhecido em S. Vicente, depois de completar 2º ano do Liceu, iniciou no ramo da marcenaria, juntamente com um velho mestre da ilha.
 
Em 1934/40 seguiu da Praia para se dedicar ao professorado na Escola Professional de Artes e Ofícios, com duas oficinas: carpintaria-marcenaria e serralharia mecânica.
 
A partir de 1956, com a abertura da Escola Industrial e Comercial do Mindelo, Mestre Pulú instala-se nesta cidade onde, como mestre de oficina, ministrou cursos de carpintaria e serralharia mecânica até 1962. Sempre teve em casa um “atelier” onde, nas horas vagas, dava largas à sua imaginação.
 

Ensinou muitos aprendizes a confeccionar peças de mobiliário, assim como o fabrico artesanal de cachimbos, de que era exímio fabricante. Comprando ferramentas no exterior ou fabricando os utensílios necessários, Mestre Pulú começou a evoluir e, em pouco tempo, os seus cachimbos passaram a ser procurados tanto por cabo-verdianos como por estrangeiros. Paralelamente aos cachimbos, foi criando novos motivos artesanais, evoluindo principalmente no fabrico de mobiliário. São igualmente famosas as suas “Cadeiras de Baloiço”com fundo em palha, assim como maquetas de embarcações.

 

 

Em 1987, por motivos de saúde, Mestre Pulú deixou de se dedicar-se ao artesanato.

 

Em 1988, a 29 de Abril, faleceu em Portugal, deixando uma grande lacuna no artesanato cabo-verdiano.

 

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3 comentários

De zito azevedo a 29.12.2012 às 15:08

Ti'Polú foi, sobretudo, um perfeccionista...Casado com uma tia de minha mulher, conheci o mestre desde muito novo e foi em sua casa, um casarão inglês lá para os lados da Matiota, que passei a minha lua-de-mel e foi em minha casa, em Queluz, que ficou quando veio a Portugal...Duas vezes por semana ia ter comigo a Lisboa, onde eu trabalhava, para almoçar o seu prato favorito: coelho à caçadora...Dediquei muitas horas dos meus tempos livres a ver Polú trabalhar nos seus cachimbos, cuja coroa de glória era o de raíz de roseira...Polú percebia de tudo e não apenas de carpintaria e marcenaria: a mecânica automóvel não tinha segredos para ele e muitas outras mecânicas e vi muitos trabalhos de talha em mogno  de muita qualidade...Registe-se que o empalhamento das célebres cadeiras de baloiço era, via de regra, obra da Tia Fernanda, esposa de Polú, que fazia autenticas obras de arte com conchinhas do mar...
Autodidata de muitas artes e ofícios, senhor de uma destreza manual incomparável, Polú possuía aquele raro instinto de pesquiza e curiosidade que destinge o sabichão do cientista...Senti muito a sua morte e talvez não seja despiciendo aqui recordar que a Tia Fernanda nunca conseguiu refazer-se totalmenbte da morte do companheiro de tantos anos vindo a falecer sem ter recuperado a alegria de viver! 
Mestre Polú, um Homem que vale a pena Cabo Verde não esquecer!

De Valdemar Pereira a 29.12.2012 às 15:45



Quando este Mestre se instalou em S.Vicente (parece ao pé da minha casa) já tinha "dado de sola" mas fui recebendo noticias e sabia da sua destreza, da sua bondade, disponibilidade e também da sua competência de grande pedagogo, um dom natural já que nunca frequentou nenhuma escola para ser professor.
Nunca fumei nem uma beata mas recebi de presente do meu falecido Pai que admirava imenso a pessoa e o trabalho do  seu vizinho sr. Clarimundo Faria Andrade, da ilha de onde descendia, um cachimbo da sua lavra que ainda tenho como peça de artesanato.
A saída do Mestre Pulu n' "A Esquina do Tempo" é uma mais valia deste blog cultural que, como a PRAIA DE BOTE, vem trazendo a público muita riqueza omitida e muitos valores que têm sido insidiosamente esquecidos. Há dias aqui foi o sanvicentino Mestre Cunco e hoje é o seu irmão bravense Pulu.
Mas estamos aqui para dizer à juventude o que os velhos nos contaram, o que fomos guardando enquando os cabelos caiam e o branco embelezava nossas "coroas".
Aguenta Esquina !!!

De Adriano Miranda Lima a 30.12.2012 às 13:10

Não tive oportunidade de conhecer este nosso Mestre. Associo-me às palavras dos comentadores Valdemar Pereira e Zito Azevedo. É pena que o post não refira a data do seu nascimento.

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