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Na verdade a Morna, desde que nasceu tem feito uma bela viagem, navegando através do tempo e dos espaços. Não ‘enjoa’ é boa companheira e expressiva, comunica e tem bom ‘karma’. Desde os anos 40 ou 50 do século passado, compositores e intérpretes levaram a Morna das ilhas para o Mundo. Fernando Queijas, Bana, Voz de Cabo-Verde, Jack Monteiro, Titina, Celina, Ildo Lobo, para citar alguns nomes, cantaram e ainda cantam a Morna nos países para onde emigraram os cabo-verdianos, contribuindo assim que outras culturas tivessem acesso a ela, mesmo timidamente ou de forma indireta.  

 

No princípio dos anos 90, Cesária Évora começou a evoluir no mundo da canção internacional de forma vertiginosa, ao ponto dos críticos começarem a falar do «fenómeno Cesária». Nós sabemos que esse fenómeno, instigado por produtor e produtores clarividentes, agentes de concertos, músicos e compositores, jornalistas entusiastas e um público deslumbrado, se deveu simplesmente a isto: o canto profundo da Morna através de uma catedral imensa que é a voz humana, que foi e é a voz da luminosa Cesária.  

 

Faz hoje, dia 16 de Dezembro, 1 ano do seu desaparecimento deste lado do Universo. E é hoje que se apresenta as Comissões para trabalharem num documento decisivo para ser entregue à UNESCO, de modo a solicitar de forma oficial, a Morna como Património da Humanidade.  

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A Morna é singular. Produto das migrações humanas que começaram no Séc. XV, das culturas europeias, africanas e brasileiras; tornou-se em poucos anos (devido ao génio criativo cabo-verdiano de saber adaptar à sua índole ao que chega às ilhas), numa forma musical única, sobretudo devido ao ritmo notavelmente sincopado, ao elegante evoluir melódico, à sua riqueza poética, e diga-se, a uma maneira de estar no mundo através da expressão musical.

 

Quando se ouve «Resposta de Segredo cu Mar» do compositor B.Lèza, interpretada pelo Bana, apreende-se de imediato aquela intemporalidade que é devida à arte e à expressão digna e genial do ser humano. É esta intemporalidade que torna a Morna eterna e que, diga-se, independentemente das origens etimológicas, é uma palavra igualmente singular, linda e cantante. Como poderia ter dito o escritor António Aurélio Gonçalves: «como uma moeda de prata rolando numa escadaria de mármore banhada pelo Luar de Abril». 

 

Não tenho dúvidas que chegaremos a bom termo deste trabalho, isto é: sensibilizar a UNESCO, através de documentos científicos, poéticos, históricos e em formato áudio, legitimar a Morna como Património Mundial da Humanidade, estatuto que já têm outras formas musicais de outros países. 

 

Avancemos então: energia, esforço e vontade de chegar ao fim!

 

- Vasco Martins

Ribeira de Calhau (S. Vicente), 16.Dez.2012

 

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