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S. Vicente em Festa de Aniversário

Brito-Semedo, 21 Jan 13

  
- Para o Amigo Luiz Silva
 

Situada no Oceano Atlântico, a ilha de S. Vicente foi descoberta a 22 de Janeiro de 1462 pelo navegador português Diogo Afonso e seria a última do arquipélago a ser povoada. Foi só em 1838, quando se estabeleceu um depósito de carvão para abastecimento dos navios em rota pelo Atlântico que a população se começou a fixar nela, fundando-se a cidade do Mindelo.

 

A ilha de S. Vicente, com uma área de 227 Km2, tem uma população de 76.107 habitantes (Censo de 2010). Desses, cerca de 62.970 vivem no centro urbano do Mindelo, cujo limite territorial é de apenas 75 Km2, fazendo dele um dos espaços mais densamente povoados de Cabo Verde. O desenvolvimento da ilha tem acompanhado, ao longo dos tempos, o desenvolvimento desta urbe, que se mantém o polo económico, social e cultural da população da ilha. De tal modo que a referência à ilha e à cidade se confundem nas conversas do dia-a-dia.

  

É a baía do Mindelo que determina toda a vivência desta cidade. Conhecida como a Baía do Porto Grande, foi a partir dela que a cidade se foi expandindo para o interior. E foi o movimento crescente dos barcos neste porto que lhe conferiu um carácter urbano marcadamente cosmopolita.

 

 

Acompanhando esta evolução, a cidade foi-se afirmando como um centro cultural importante, onde o desenvolvimento artístico – nomeadamente, a música – a intelectualidade e o desporto seguem as tendências internacionais, sem deixar de expressar um cunho marcadamente mindelense.

 

O Liceu de S. Vicente, fundado em 1917, foi o único da província até 1960. Por ele passaram várias gerações de escritores e pensadores caboverdianos, o que constitui um motivo de orgulho para os mindelenses.

 

Considerado desde há muito como o centro cultural de Cabo Verde, S. Vicente é conhecido pelo seu Carnaval, que se assemelha em muito ao carnaval carioca do Rio de Janeiro, com desfiles de escolas de samba, carros alegóricos, concurso e blocos, pelo Festival de Música da Baía das Gatas, realizado no primeiro fim-de-semana de lua cheia do mês de Agosto, pelo Festival de Teatro Mindelact, realizado anualmente em Setembro e tido como a maior mostra de teatro de África e um dos maiores de língua portuguesa e, principalmente, por ser a terra natal de Cesária Évora.

 

 

 

- Manuel Brito-Semedo

Mindelo, Janeiro de 2013

 

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7 comentários

De Luiz Silva a 21.01.2013 às 21:30

Agradeço o gesto de simpatia. Que o nosso patrono e a nossa historia sejam revisitados e repensados sempre neste dia 22 de Janeiro, durante a procissão, e cheia de fé e esperanças para um futuro melhor para a nossa ilha e Cabo Verde.

De ZITO AZEVEDO a 22.01.2013 às 11:01

Passam os anos mas não os sentimentos e cada vez mais os sanvicentinos amam a sua terra, seja ela de berço, seja de adopção quando nós, os da Diáspora, ainda temos que suportar a saudade do chão, dos amigos, dos parentes...Que o futuro nos conserve o dom da vida para podermos assistir à elevação da nossa ilha ao pedestal que merece!

De Maria Helena Ribeiro Pinto e Neto a 22.01.2013 às 12:48

Achei muito interessante este resumo da história da Cidade do Mindelo que, além disso, diz muito sobre a atividade cultural da cidade. Felicito vivamente o autor pelo empenho em dar a conhecer a nossa terra.
Desejo que continue a dar-nos notícias do Mindelo e de Cabo Verde no seu blog, o que nos dá muito prazer e ajuda a matar saudades.

De Carlos A Mascarenhas Loff Fonseca a 22.01.2013 às 16:46


Tenho muito orgulho em ter nascido no Mindelo (1939). Tive uma infância feliz e acarinhada no tempo do carvão,  movimento da navegação e à volta da casa de minha adorada vovó Bia (StAubynMascarenhas) da Rua da Praia de Bote. Eu seguia atentamente todas as atividades portuárias, carvão e praia de Bote!  Vi a construção do cais acostável. Fui muito feliz à volta do mar, remo, botes, mergulhos, caça submarina, tubarões, Liceu Gil Eanes, colegas, minha geração, bailaricos, rock n´roll & jazz, amigos desportistas, Matiota, João Ribeiro, Baía. Tivemos segurança e boa gente. Deixei Mindelo definitivamente em 1958, após o Liceu, à procura de emprego/futuro e até hoje não  voltei lá mais apesar de ter viajado por muita paragem. Conservo em minha memória minha vivência social, cultural e académica daquele tempo (década 1950´s) que me permitiu compreender o Mundo e singrar. Minha terra mudou para o Bem e para o Mal e eu tabém mudei e o Mundo mudou por completo. Valeu ... podem crer!

De Ernestina Santos a 22.01.2013 às 21:43

Amigo Prof.
Obrigada por esta homenagem ao dia da ilha que me deu uma infância feliz, desde os primeiros passos até à frequência do Liceu Gil Eanes, passando pelas escolas primárias Camões e da Rua de Coco, com os intervalos para férias que ajudaram a cimentar aquilo que hoje sou. Como costumo dizer, trago na pele e no sangue os trópicos e S. Vicente foi a ilha onde fui uma criança e uma adolescente muito feliz. A vivência nesta ilha onde tantos povos passaram - e continuam a passar - enriqueceu a minha personalidade e deu-me o potencial para me lançar no mundo, explicando com orgulho as minhas origens por onde passava. Ó Soncente, nha terra, irmã-vizinha de Santo Antão, a Ilha Mágica onde lancei o meu primeiro grito ao nascer, em finais de férias estivais da família, estás sempre presente no meu dia a dia. Sem isso, sentir-me-ia incompleta.
Reitero os meus agradecimentos, Prof., especialmente pela oportunidade de participar nesta homenagem mais que merecida à ilha-mãe que acolheu antanho tantos filhos das outras ilhas-irmãs, bem como para sublimar esta sodade que me alimenta o desejo de regressar mais vezes, pois nunca é demais!
Abraço amigo!
Ernestina Santos

De Brito-Semedo a 24.01.2013 às 16:00

Cara Amiga, 
É bom tê-la de volta ao convívio da Esquina do Tempo :-).
Depois da transferência da Esquina para o seu local de eleição, este é o 4.º Postal do Mindelo que partilho. No caso dos outros 3 - Na SonCent, Moda um Passarim; Na Rua de Lisboa, no Café Lisboa; e Bói d' Conjunto - não terem chegado à sua caixa de correios, reenvio-os de novo num único pacote - http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/tag/postal+do+mindelo 

Braça e boa leitura.

De Adriano Miranda Lima a 22.01.2013 às 23:38

Sou agnóstico, mas seria capaz de incorporar a procissão do senhor S. Vicente, para ir entre o povo, ouvir o surdo bater dos seus passos na calçada, sentir a sua respiração piedosa. Por mais voltas que tenha dado pelo mundo, por mais tracolanças que me tenham atirado para fora do ventre (da mamãe terra), nada, mas absolutamente nada, excita os meus sentidos que  a lembrança daquela ilha piquinina, perdida no Atlântico. Há sentimentos que não se consegue explicar porque pertencem a um mistério indecifrável : que somos, de onde viemos e para onde vamos, eis a questão. Bem, deixem-me ao menos sentir o desejo de regressar em definitivo... para o ventre da mamãe terra.

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