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Ti Fefa

Brito-Semedo, 26 Jan 13

 

Ti Fefa.jpeg

 

 

Alfredo Júlia Fortes (mais conhecido por Ti Fefa ou Alfredo de Carmo) [S. Vicente, 12.Nov.1912 – 27.Jan.1992] era filho de Júlia Fortes e de Manuel do Carmo e irmão do falecido compositor Djack de Carmo, ambos carpinteiros-marceneiros.

 

Cedo começou a trabalhar (aos 14 anos), logo após ter concluído a instrução primária (4ª classe). Como marinheiro, trabalhou no navio português 28 de Maio que fazia escala entre os portos de Lisboa e Angola. Posteriormente, a 1 de Dezembro de 1946 ingressou na Companhia Inglesa Cable And Wireless Limited (Western Telegraph), como trabalhador efectivo (Carpinteiro), substituindo o pai que por essa ocasião se afastara por aposentação – cargo que ele também viria a deixar em 17 de Abril de 1973, aquando do encerramento da companhia inglesa em Cabo Verde.

 

O Carpinteiro-Marceneiro

 

Quem conheceu Ti Fefa, sabe que ele foi um grande artista na arte de trabalhar a madeira. Como chefe da Oficina de Carpintaria do Telégrafo, ele foi o responsável pelo restauro e conservação da parte de carpintaria dos edifícios ingleses hoje espalhados um pouco pela cidade do Mindelo.

 

Artista de renome, esculpia a madeira com mestria e agilidade, fabricando autênticas peças de decoração e artigos de utilidade doméstica. São conhecidos os móveis e portais de qualidade por ele fabricados (móveis decorativos) em estilo antigo, esculpidos com desenhos e que constituíam autênticas relíquias para muitas famílias. E quem não se lembra dos célebres piões do Ti Fefa que animavam a malta sobretudo nos meses de Setembro, por ocasião das festas de S. Miguel Arcanjo.

 

No exercício da sua profissão, foi sempre rodeado de muitos aprendizes, jovens que mais tarde vieram a revelar-se como bons carpinteiros-marceneiros.

 

O Músico

 

Como músico, foi um bom executor de bandolim e violão, mas foi o clarinete que o distinguiu. Aluno da Escola de Música da Câmara Municipal com o célebre Professor Alves dos Reis, Ti Fefa teve como companheiros, Luís Morais, Morgadinho, Djack Estrelinha, Jorge Cornetim, Luís Rendal e outros.

 

Fez parte da Banda Municipal de S. Vicente e participou, na qualidade de músico, no movimento SOKOOLS (anos 30).

 

Foi grande companheiro de Armando de Jom Chalino, com quem passava muitas horas a confeccionar instrumentos musicais encomendados por personalidades portuguesas e cabo-verdianas.

 

Exímio clarinetista, dominou as salas de baile nos anos 50 e 60 do século passado, tendo tocado em S. Vicente, Praia (incluindo festas oficiais do então Governo da Colónia), Santo Antão, S. Nicolau e Sal, na antiga Guiné Portuguesa e em Dakar. Teve como companheiros músicos conhecidos, como Djack Estrelinha, Mestre Baptista, Ti Goy, Lela Preciosa, Frank Cavaquim, Malaquias Costa, Lourenço Foca, Tchuf, Sérgio, Gonçalo, Tuta, entre outros) e durante décadas, animou os bailes de orquestra na cidade, em locais inesquecíveis como Djacô, Grémio, Miradouro, José de Canda, Jon Tolentino, Toi Bintim, Castilho, Derby, Cine-Mira-Mar (Cinema de Tuta), Éden-Park, etc., etc.

 

Fundou a banda Benitómica que dominou o panorama musical de S. Vicente com Ti Goy, Knick, Lela Preciosa, Tchuf, Natchatehe, Djô Uin e Ney Machado e que animou bailes, casamentos, baptizados, aniversários e pic-nics até início da década de setenta do século passado, altura em que começaram a surgir os agrupamentos electrónicos suportados com vozes.

 

Foi um artista sempre envolvido nas lides culturais, mostrando aquilo que de arte sabia fazer, seja no Carnaval, através da criação de carros alegóricos dos blocos carnavalescos (Oriundo, Flor Azul, Lombiano, Onze Unidos, Vindos do Céu, Vindos do Oriente, Flores do Mindelo, entre outros), seja no teatro preparando os cenários (grupos de Derby e Castilho).

 

Ainda soam aos ouvidos de muita gente, os acordes de clarinete que ecoavam nos salões do Mindelo até de madrugada.

 

Ti Fefa 1.jpeg

Um dos Conjuntos Musicais

 

 

Elaborado por (Filhos):

Conceição Maria Fortes

José dos Reis Fortes

 

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5 comentários

De Valdemar Pereira a 27.01.2013 às 15:16

Feliz homenagem a um grande músico que, efectivamente, marcou o seu tempo como clarinetista.
Conheci o músico e o homem na medida em que trabalhamos juntos na Western na mesma altura (eu de 1948 a 1954) e nas lides artísticas já que foi a pessoa que escolhi para dirigir a orquestra do primeiro teatro do Castilho (e mais tarde do segundo) em parceria com Jack Estrilinha, nosso colega também na mesma companhia.
Ti Fefa era uma pessoa de uma calma extraordinària e não me admiro que tenha sido um bom pedagogo para os seus alunos mùsicos e marceneiros. Embora nunca tenha recebido lições de mùsica, discutiamos todas as adaptações musicais, onde entrava também Nhô Djack Estrinha.

De Joaquim ALMEIDA a 29.01.2013 às 13:18

A Esquina do Tempo , so nos traz boas recordaçoes , so nos traz aqui grandes personagens , grandes artistas , que ( covaram alicerces com pà e picareta) ,para que a cultura do " nosso Cabo Verde " pudesse existir . - particularmente a sua mùsica_ . " Ti  Fefa" ,  pertnceu a uma familia de grandes artistas . Seu pai , ( Senhor Manel D' Carmo ) , pai de " Toi de Cramo "  trompetista e chefe de banda , Municipal de Sam Vicente , " De " Djac de Carmo " , Guitarrista e excelente compositor , da famosa melodia  ' Flôr Formosa ) e o nosso homenageado aqui nesta famosa pàgina online , Ti Fefa , excelente clarinetista , Chefe d ' orquestra Benitomica " dos anos 50 , com quém muito aprendi .. A quele especial obrigado à Esquina do Tempo , por se lembrar do Ti - Fefa . Um Criol na Frânça ; Morgadinho .

De Helder Brito a 09.10.2016 às 09:50

sou neto do grande Djack Estrelinha e é com grande orgulho que leio que o meu avô fez parte do início D panorama musical do nosso país

De Valdemar Pereira a 09.10.2016 às 10:32

Rapaz,
Podes falar com orgulho da tua ascendência. O teu avô Jack Estrela, embora muito mais velho, foi meu colega de trabalho na Western Telegraph C° (Cable & Weireless). 
Tendo-o convidado para a Orquestra de Ti Fefa (Benitomica), em vàrias ocasiões discutimos sobre as mùsicas que eu seleccionava para os teatros do Castilho que tive o privilégio de dirigir. Bastava apresentar-lhe uma partitura para ele trautear as mùsicas.
Nhô Djack foi um cidadão exemplar, um eximio trompetista e um grande conhecedor da mùsica em geral.

De Joaquim ALMEIDA a 11.10.2016 às 10:56

Passei hoje para visitar este blog , a ( Esquina do Tempo ) , sempre com a ansiedade de encontrar uma novidade e foi o que aconteceu !.Falar daqueles que nesta arte , a mùsica , me receberam com carinho e humildade com quém muito aprendi eu nao podia deixar de dar a minha participaçao , expondo o que com essas pessoas aprendi nao sô na mùsica mas também como pessoa humilde e na " caboverdianidade " !..Alfredo J. Fortes , aliàs " Ti-Fefa " aliàs  Alfred 'de Carmo , foi uma dessas pessoas !..Assim como Joaquim Brito Almeida ; mais conhecido como " Djack Estrelinha " excelente trompetista que foi o meu modelo na minha aprendizagem !.- Curioso eu assinava as minhas partituras como êle ...com a diferênça de o " S " de Soares à sua assinatura ; " B " de Brito ?!..Desses dois grandes mùsicos guardo comigo toda a lembânça da minha infância a minha formaçao como mùsico e todo o contributo que ( ESSES DOIS ARTISTAS ) deixaram em prol da cultura de Cabo Verde , da sua mùsica , que nunca poderei esquecer !..Um Criol na Frânça ;Morgadinho !..

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