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Manim Estrela

Brito-Semedo, 1 Out 10

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Manim Estrela, de seu nome de baptismo, Plácido Republicano Estrela, nasceu em S. Vicente a 05 de Outubro de 1910, daí ter-lhe sido posto o sobrenome Republicano, e faleceu na sua ilha natal a 10 de Agosto de 1980. Manim Estrela residiu durante grande parte da sua vida na Rua da Moeda, N.º 49, Mindelo, onde recebia amigos como Nhô Báltas, Dr. Rosinha, Djidjê Fortunót e outros para jogar cartas e discutir política.

 

Manim Estrela foi conhecido por ser um grande desportista, fundador e jogador do Clube Sportivo Mindelense (1922) e do "Criket Golf" e benfeitor de muitas crianças, tendo fundado uma equipa de futebol de juniores, com o nome, “Onze Estrelas”.

 

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Equipa de Futebol "Onze Estrelas" – (Esquerda para a direita) De pé: Toni Paris, Djón Paps, Tchalê Figueira, Elisio de Nhô Moche, Adolfo Leite, Nheva de Rua de Côco. Agachados: Djón Préta, Tonéca de Padre Cunha, Manê Tomás, Carlos Melo e Bitu (Russo) Melo. Treinador: Hermes Morazzo.Foto de 1963, gentileza de Tchalê Figueira
 

Tchalé Figueira, também nascido a 2 de Outubro e, por isso, aniversariante no dia de hoje, juntamente com Manim Estrela, e ex-futebolista dos "Onze Unidos", recorda: "Vestíamos com as cores africanas e tínhamos uma estrela negra no peito. Os (...) da PIDE nunca deram fé que aquilo era uma forma de representar o PAIGC, uma forma de grito disfarçado...".

 

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Manim Estrela na Rua da Moeda, frente à sua casa

 

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1. Uma nota de agradecimento ao Tchalé Figueira por ter ido ao cemitério de S. Vicente, o nosso dezoite-do-zôite, à sepultura de Manin Estrela, sita na Rua 1, Dto., fazer a foto e a recolha dos dados biográficos, e ao Xisto Almeida, que me chamou a atenção para esta figura mindelense, seu vizinho de porta.

2. Respondendo ao repto lançado de se associar à esta evocação e homenagem, o meu amigo Zezim Figueira publicou, a 17.10.2010, no jornal online Liberal online, um outro texto sobre a vida de Manim Estrela.

 

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11 comentários

De Ernestina Santos a 06.10.2010 às 20:49

Lembro-me do meu pai falar do Manin Estrela, mas a minha memória não me deixa lembrar episódios para aqui contar. Quando tiver oportunidade de falar com a minha mãe e a minha irmã mais velha, que têm memória de elefante, virei aqui registar mais um comentário sobre esta figura mindelense de mérito!

De Brito-Semedo a 10.10.2010 às 20:52

Ernestina, Deu-me um gozo particular "esgrovetar" (pesquisar) essas informações sobre o Manin Estrela e partilhá-los! É intenção do "Na Esquina" trazer outras figuras, especialmente mindelenses, à medida que for conseguindo informações a respeito. Fica um apelo e um pedido de colaboração nesse sentido. Entretanto, quaisquer informações são bem-vindas e poderão ser acrescentadas a este post. Foi já acrescentado a este post, como nota 2, o link a uma "estória" do Jizim Figueira onde Manin Estrela é protagonista. Um abraço!

De Valdemar Pereira a 31.07.2011 às 05:44

ou Mani , o "dandy ".
Lembro-me deste rapaz, amigo dos meus Pais, sempre de branco vestido e muitas vezes com o seu "panamà".
Lembro-me de, ao passar na Rua Salibana, parar uns instantes para, na porta da sua casa, ouvir momentos musicais animados pelo seu irmão Tock acompanhado do Miguel Patada, Antonzim e outro colega cujo nome não me ocorre agora que se esmerava no cavaquinho. Gente, tantos momentos inesqueciveis que ficaram gravados na memoria de um menino na casa dos seus 12/15 anos.
Ali viveu, não sei quanto tempo, até falecer.
No livro "O Teatro é uma paixão, a Vida uma emoção" existe um capitulo onde se falou desse, também, grande interior direito do Mindelense.
Mani, o "dandy ", foi Estrela que brilhou no seu tempo.

De José F lopes a 05.10.2013 às 18:52

Grande iniciativa de publicar este post sobre Manin Estrela este grande desportista e  Mindelense homem popular mas de grande prestígio em S. Vicente. A casa situada na Rua da Moeda era frequentada por todos, ricos e pobres.
Um grande parabéns à Esquina do tempo. Lá onde Manin estiver está orgulhoso. Cheers como diria o Manin no seu bom inglês

De José F Lopes a 05.10.2013 às 18:56

Bolas quando é que os desportista mindelenses fazem uma homenagem a Manin Estrela este expoente do desporto mindelense na Temp de Caniquinha, um atlea completo pelos dizeres dos mais velhos. Quando é que põe um nome numa Rua: Plácido Republicano Estrela?

De Luiz Silva a 05.10.2013 às 20:39

O   Many Estrela, de cuja taça Placido Estrela, em sua homenagem como futebolista foi ganha algumas vezes pelo Club Sportivo  Mindelense. era um homem  folgazão, dotado dum grande humor. A sua casa na Rua de Moeda,  era o ponto de encontro dos desportistas, dos negociiantes da Baia,, de gente do povo que atravessava a Salina e de muitos jjovens que o escutavam com muita atençao. Homem de trato fino era um anedotario da vida mindelense. Sabia tudo do que passava na ilha... Inventou uma estoria dum prémio de lotaria que ia levar Nhô Pedro Tina, da Capitania, à ruina que aliàs foi contada por Sérgio Frusoni no seu programa na Radio Barlavento, que aliàs foi suspenso pela Censura. Como fazia os seus pequenos negocios quando não podia corresponder ao pedido do cliente ele o mandava para Nha Duduzinha, vizinha do nosso colaborador José Fortes Lopes,  que morava à frente. E Nha Duduzinha, mulher sabida, sempre dizia que acaba de vender o produto e mandava a pessoa para o Ninizim do Fortim. E faziam deambular a pessoa por toda a ilha com a mesma mensagem: acabou de ser vendido e agora tens de ir ver fulano de tal porque ele ter este produto. Ha' uma estoria do Dante Mariano que mandou um individuo ( não menciono o nome porque ja' morreu)ir comprar um livro de organizaçao politica no Many Estrela e este com o grupo fez o gajo deambular por Nha Duduzinha, Ninizim de Fortim, Lourenço de Cémiterio e outros lugares distantes de
São Vicente. Coisas boas so de Soncente...

De Valdemar Pereira a 06.10.2013 às 11:44


Outros tempos, Outros Costumes !
Esse era o tempo das brincadeiras que criaram a lenda de "Mnine d'Soncente ê buzode", brincadeiras que nada tinham de maldade e que até faziam rir os proprios protagonistas tratados de bobos da festa. Raro eram aqueles que se zangavam, que perdiam a paciência porque sabia ser pior assim.
Obrigado a todos os que aqui vieram refrescar-nos a memôria e tentar reavivar tais costumes. Talvés apareça algum jovem para retomar a flàmula. Lalela deu o tom.
Bem hajam !!!

De Adriano Miranda Lima a 06.10.2013 às 12:24


Não conhecia o Manim Estrela e é escassa a minha memória sobre ele. Por esta e outras razões sinto um certo remorso por algumas lacunas no corpo das minhas vivências cabo-verdianas enquanto rapazinho em S. Vicente. Claro que o Manim Estrela era da geração do meu pai (mas mais novo que o Manim porque nascido em 1917) e meus tios e assim eu só poderia saber dele por interposto conhecimento. Nem sequer já fez parte das equipas de futebol que vi jogar no antigo estádio da Fontinha, pois o tempo desportivo dele há muito que caducara.
Mas ao olhar por estas fotografias vejo nelas um barro humano e social a que todos pertencemos, de uma singularidade inigualável, onde jaz o mais profundo da nós. É isso que nos reforça o sentimento de que a nossa condição cabo-verdiana é qualquer coisa de intransferível, por mais que vivamos ou comunguemos com valores ou situações diferentes por esse mundo fora.
Há uma catarse restrospectiva que iniciei desde que a internet me veio proporcionar a possibilidade de conhecer os espaços da minha humanidade que não pude preencher enquanto menino e moço em Cabo Verde. O não ter conhecido o Manim estrela é uma falha imperdoável.  Mea culpa!
Um abraço de agradecimento ao Brito Semedo por este espaço de rememoração mas também de oportunidade de retractação, como é o meu caso.

 

De Joaquim ALMEIDA a 06.10.2013 às 13:16

Este blog ( esquina do tempo ) ,so publica o que desperta a nossa saudade e obrigar-nos a reviver o nosso passado . - o bom passado - , os bons e velhos tempos , particularmente de Sao Vicente - MIndêlo , com os seus personagens em que Manin - Estrela pertenceu !.. A rua de MOEDA foi o berço de certas figuras inesqueciveis e familias , autores e compositores tais como ; Armando de Nhô Jom - xalino - " Edy-Moreno " de Nhô Jom Xalino " Djuta " de Nhô Jom Xalino e Eduardo de Nhô Xalino !.. Afinal aquela rua foi e continua a ser ... ( uma moeda de um valôr culturalmente inesquecivel ) !..Um Criol na Frânça ;Morgadinho ;

De Anónimo a 07.10.2013 às 10:00

Bastante interessante nho manin estrela . parece que eleiluminou muito a sociedade mindelence, mas e' bastante triste saber que este nome parece famozo na minha geracao ouvimos falar de dele , mas eu nao tinha uma ideia concreta do seu trabalho ate o atraz apresentado neste articulo, uma estrela muito brilhante!

De Bitu Melo a 08.10.2013 às 12:09

O Irmão (foi assim que ele ensinou-nos a chamar toda gente) Manim Estrela, “Star” para os amigos mais próximos se estivesse vivo comemorava 103 anos juntamente com o “irmão” Tchalé Figueira, dos Onze Estrelas. O Vice-reitor Semedo Brito através do seu blog Esquina no Tempo e em boa hora traz-nos lembranças daquele que em criança convivemos de perto durante muitos anos. Na Rua da Moeda onde ele habitava uma casa humilde diz e bem o professor, frequentava toda a casta de gente, nomeadamente a nata da intelectualidade mindelense tais como o Dr., Baltasar, Onésimo Silveira, Nho Roque,e negociantes abastados da Baía do Porto Grande,  o Djidjê Fortunato, Cacone, Cartolina, Óscar Gonçalve, (pai do Ranque) o Mnel Dias (funcionário da da Miller), que reuniam ali para  jogarem a bisca e falar dos problemas que afectavam S. Vicente na altura. Alguns “bufos” da pide, como o Conquista, figuras emblemáticas de Mindelo, tais como o Nheribul, Jom Pob Ceg, Fernado pé de pau que falava só em português frequentavam também a casa do irmão. Tive o privilégio de conhecer ali o Bilac, a tocar e cantar a morna da sua autoria “Dixam cantób essa morninha tristeza di nha vida”. Na Rua de Moeda, éramos mais de quarenta crianças e todos nós éramos moços de recado do irmão e cada um de nós tínhamos o nosso nominho “posto” pelo Irmão. Eu, era o Bob Buf de Caderon, o Carlos, era o Aranha de sete pernas, o Tony Paris, era o matá Catchorr, o Jorge Humberto, era Pistola, o Piduca, era Papel, o Zé Luis, era Senhora, o José Lopes (Djô) era o Tchipi Mort, a prima deste a Filomena, era Destapá Term, a Norina era Estilosa, a Glória era Maria Matctinha, a Liliana era Bolinha de Pin-Pong. 0 Ananta Pinto e os irmãos Silvestre despachante e o Miroca,  estes da Rua de Suburbana, já não me lembro dos seus nominhos. Até as nossas mães também tinham as suas alcunhas posto pelo Manim Estrela. A minha mãe era Cara de Papaia podre, a D. Alice de nha Dedozinha, era Tchorá casá, a D. Angelita, nha Xenxa, Regina de nha Vitorina entre outras também tinham os seus nominhos. Vale a pena lembrar um episódio do nosso irmão Manim. Um belo dia o irmão comprou um sino já bastante velho a um mergulhador da Praia de Bote que tinha encontrado o sino no fundo do mar. Mandou-nos limpar o sino que ficou novo que nem um brinco. Convocou todos os meninos da Rua da Moeda, que compareceram em peso como era hábito para uma reunião de emergência. Após a prelecção da praxe, o irmão determinou que a partir daquele dia após ele tocar o sino todos tinham a obrigação de comparecerem em casa dele na hora, sob pena de ser castigado. Mesmo se estivéssemos a estudar, a brincar ou fazendo trabalhos em casa, tínhamos de largar tudo para cumprir as suas ordens. Assim, ao ouvirmos o sino tocar abandonava-mos tudo e em correria desenfreada íamos ao encontro do chamamento do irmão, com o propósito de chegar sempre em primeiro porque sabíamos após fazer-lhe os “mandados”, premiava-nos sempre com uns cinco ou dez escudos, ou senão com farinha de mandioca com açúcar na loja do Sr. Belmiro Gil, ou Pom-de-Midj na Loja de Nhô Jom de Guida, como cantou o nosso irmão da Rua de Moeda, o saudoso Djô Diloy. Concordo com o  (Djô)  José Lopes. S. Vicente, deve uma Rua com o nome de Manim Estrela, aliás no tempo que o Dr. Onésimo era Edil desta Ilha reivindicamos esse desejo. Fica desde já lançado o repto; porque não dar a Praça Estrela o nome de “PRAÇA MANIM ESTRELA”? Um grande obrigado ao amigo Semedo Brito por ter lembrado deste grande figura mindelense que foi Manim Estrela.

 

Bitu Melo

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