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Bana: Uma Vida a Cantar

Brito-Semedo, 5 Out 10

 

Bana.jpeg

Em declarações à Lusa, Raquel Ochoa, 28 anos, natural de Lisboa, esclareceu que a obra, intitulada «Bana: Uma Vida a Cantar Cabo Verde», vai também ao encontro da própria história do arquipélago, romanceada, por vezes, em torno das suas gentes.


«É quase como se fosse um romance. Paralelamente à biografia de Bana é também uma espécie de biografia de Cabo Verde, sobre o que é Cabo Verde e quem são os cabo-verdianos», precisou a autora.

O livro, com cerca de 200 páginas, tem chancela da Editora Planeta Vivo.

A homenagem, destinada apenas a convidados dada a exiguidade do espaço, conta com o patrocínio da Embaixada de Cabo Verde em Lisboa e tem a participação de dezenas de amigos de Bana, em particular de Celina Pereira, Tito Paris e Leonel Almeida, que cantarão alguns dos temas que celebrizaram o autor/compositor.


Há cerca de dois meses, Bana sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), mas, após o período de hospitalização, são poucas ou nenhumas as sequelas, disse hoje à Lusa a cantora e amiga Celina Pereira.

«Já o vi a cantar, de violão na mão, em casa de amigos, e posso dizer que é um Bana ressuscitado. Canta, logo existe», realçou a cantora cabo-verdiana, que será a apresentadora da homenagem.

Bana, aliás Adriano Gonçalves, nasceu a 11 de Março de 1932 na freguesia de Nossa Senhora da Luz, no Mindelo.


Desde pequeno que o «gigante» passou a ser conhecido por Bana, para não fugir à regra de que, em Cabo Verde, há sempre um «nominho», um nome «da casa», de afeição, de carinho.

Juntando-se ao coro dos diferentes cantores que contavam e cantavam as mornas, os amadores dos violões, das violas e dos cavaquinhos apercebem-se rapidamente da voz invulgar, «admitindo-o» entre os grandes de então.


Um deles ficou particularmente encantado com a voz de Bana: nem mais nem menos do que o célebre compositor e poeta B. Leza, que o apresentou, em 1959, numa digressão que a Tuna Académica de Coimbra efectuou por São Vicente.


Entre os responsáveis pela Tuna figuravam o escritor, romancista e jornalista Fernando Assis Pacheco e o poeta e político Manuel Alegre, que tentaram trazê-lo a Portugal para actuar.


No entanto, seria em Dakar (Senegal) que Bana gravaria o seu primeiro disco e daria os seus primeiros espectáculos.


De Dakar, segue para Paris, onde permanece até 1968 e grava mais dois LP, e para a Holanda, publicando mais dois «long-play» e seis EP, muito em voga na altura.

 

É no ano seguinte, 1969, que surge o convite para se deslocar a Portugal.

Foi na inauguração da Casa de Cabo Verde, em Lisboa, na companhia de dois dos seus amigos, Luís Morais e Morgadinho, com quem formara, em 1966, o conjunto Voz de Cabo Verde, ainda com Toy da Bibia.

Ao longo de uma carreira de mais de 60 anos, Bana publicou mais de meia centena de LP e EP, em grupo ou a solo, e participou em quatro filmes - dois franceses, um alemão e um luso/cabo-verdiano.

 

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Festival de Homenagem em Lisboa, Junho de 2010


«Embaixador» da música cabo-verdiana, por ser pioneiro em levá-la aos quatro cantos da Europa e África, Bana já foi reconhecido com várias condecorações e homenagens, quer em Cabo Verde quer no estrangeiro.

Diário Digital / Lusa

(Morna "Lena" interpretada por Bana)

 

Título: Bana: Uma Vida a Cantar Cabo Verde 

Autora: Raquel Ochoa

Editor: Editora Planeta Vivo

Ano de edição: 2008

 

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3 comentários

De Ernestina Santos a 06.10.2010 às 19:57

Uma homenagem merecida, pois Bana tem uma voz de lindo timbre e canta com paixão as músicas da nossa terra, o que para mim é um dom que transmite ao público a intensidade do sentir cabo-verdiano.

Bana canta e a sua voz ajuda-nos a interiorizar a nostalgia das ilhas e a calar bem fundo a sodade que nos acompanha, a nós que vivemos na diáspora. É um colosso na altura e na voz que gosta de soltar no ar quando está em público.

Lembro-me vagamente do Bana quando vivia em Mindelo, pois ele saiu mais cedo do que eu da ilha e eu era muito pequena, mas ainda recordo quando ele aparecia lá em casa e participava com o meu pai e seus amigos nas tocatinas que surgiam por todo e qualquer motivo, apenas pelo prazer de desfrutar a música em conjunto. Um gigante como ele e com a sua voz tamanha, nenhuma criança poderia esquece-lo! E fico contente por mais de uma vez ter tido a oportunidade de trocar umas palavras com ele e de ele se lembrar ainda do meu pai, uma ads características da vivência cabo-verdiana que carregamos connosco para a "estranja".

Ainda não li o livro, mas na realidade será a vivência cabo-verdiana que nele espero encontrar através da descrição da vida do Bana. Nem poderia ser de outro modo pois Bana é... Bana, o gigante da voz de ouro, o cantor por excelência das mornas cabo-verdianas, que ajudou a tornar conhecida a música das nossas ilhas no mundo.

De Anónimo a 06.10.2010 às 22:31

Lembro-me do Bana,desde sempre pq sendo ele "negociante de bordo" e sendo eu vizinha de outro "negociante de bordo" Cacone Freitas,desde miuda me habituei a escutar a voz do Bana,ao vivo em casa deste ultimo onde, por vezes, alguns se juntavam para as suas tertulias,cokes e bafas.Desde muito cedo,portanto,que me tornei fã incondicional deste homem enorme em tamanho e na voz.E ele sabe q sou sua fã,a familia dele tb sabe e tb sabem q vou a todas as homenagens e noites caboverdeanas onde eu estiver.Tb estive na apresentaçao e lançamnto deste livro,porque tb aprecio muito a escrita da jovem q o publicou,tanto mais q é familiar de uma amiga minha.Acerca da voz do nosso Bana,todos ja falaram desde Cabo Verde ao mundo inteiro,onde ele espalhou a sua voz inegualavel e inconfundivel,c optima dicçao e o seu timbre forte e melodioso,que a par da nossa Cize serao certamente considerados os dois maiores embaixadores da nossa musica popular caboverdeana,sem desprestigiar os demais cantores de CV.Bem haja Bana pela deliciosa voz q muito nos tem encantado.Que Deus lhe dê saude para continuar até que a voz lhe doa!!Um bj grande,meu amigo

De Brito-Semedo a 10.10.2010 às 20:56

Um grande obrigado pelas evocações e partilha neste espaço! Votos de muita saúde ao nosso "cantador de morna" e grande embaixador musical de Cabo Verde! O nosso apreço e homenagem passa por adquirirmos um exemplar dessa obra!

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