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Promovido pela CPLP, realizou-se no Cercle des délégués da UNESCO, em Paris, no dia 30 de Abril, o Encontro Lusófono “Vamos Falar Português”, sobre o tema “Divas do Mundo Lusófono”. Convidado para falar sobre a repercussão da passagem da Cesária Évora pela França, o Amigo e Colaborador Luiz Silva apresentou uma comunicação intitulada “Cesária Évora: Da periferia do Mindelo à periferia de Paris”, que aqui se dá à estampa com o nosso reconhecimento.

 

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A cidade-porto do Mindelo, antiga Vila Leopoldina, foi elevada ao estatuto  de cidade em 14 de Abril de 1874. O seu desenvolvimento deveu-se aos ingleses que criaram várias companhias de carvão e influenciaram a vida social, cultural e desportiva da cidade. Mas a concorrência dos portos de Dakar e Las Palmas, mais bem apetrechados, e as crises económicas, como a de 1929, e a falta de investimentos da potência colonial bloquearam o seu desenvolvimento.  Até hoje se luta para reconquistar o prestígio de outrora que fez do Mindelo o ponto de encontro de várias civilizações e culturas, com a sua elite anglófona e onde o desporto, em especial o futebol, o golf e o cricket, mas também o gin tonic faziam parte do seu quotidiano.

 

A cidade do Mindelo, com o seu centro à volta do Palácio do Governo,  tinha na sua periferia várias zonas habitadas por trabalhadores das companhias inglesas, vindos especialmente de Santo Antão e São Nicolau, em alojamentos sociais criados pelos ingleses. E foi na periferia do Mindelo, na zona denominada Lombo, que nasceu a nossa  Cesária Nacional em Agosto de 1941, cujo pai era músico e amigo pessoal de B.Leza, um dos maiores compositores nacionais e de que Cesária foi uma das melhores intérpretes.

 

Esta zona suburbana  tinha o seu pequeno comércio, as suas pequenas casas de costura, os seus bares, que à noite acolhiam os músicos mindelenses, das outras ilhas e estrangeiros à volta do Porto Grande.  Tudo o que era vida cultural e social da ilha começava por se manifestar no Lombo.

 

Foi ali que nasceram  militantes associativos, que se evidenciaram  na criação de vários grupos carnavalescos,  como também os maiores artistas do teatro e da música  caboverdianas. Ali nasceu B.Leza, poeta e músico, que iria verdadeiramente dar uma nova estrutura à morna, nascida na Boavista, criada na ilha da Brava com o mestre Eugénio Tavares e que se tornou adulta em São Vicente. A presença de Eugénio Tavares em São Vicente a partir de 1923, assim como do guitarrista Luís Rendall, terá sido  importante no enriquecimento da morna caboverdiana, tanto ao nível da escrita do crioulo caboverdiano como na intrdução de novas modalidades sonoras e  temáticas  baseadas na realidade sociológica das ilhas.  B.Leza, que foi aluno do Luís Rendall, pertenceu também ao grupo Claridoso, que em 1936 fundava a revista Claridade, que foi o brado da Independência cultural de Cabo Verde.  É o compositor mais cantado dentro e fora de Cabo Verde e tem em Cesária Évora uma das suas maiores intérpretes.

 

Ali no Lombo também nasceu e viveu  Gregório Gonçalves «Ti Goy», compositor de coladeiras e autor de várias peças de teatro. Pelas suas mãos passaram vários jovens artistas como o menino-prodígio Longino Baptista, cantor, dançarino e comediante. Em casa de Gregório Gonçalves reuniam-se os jovens de todos os subúrbios do Mindelo. Ali se criou vários grupos carnavalescos como Flores do Mindelo e Lombiano, e grupos de teatro. Era também o ponto de encontro dos músicos para todos os festejos e até para se prepararem para tocar nos enterros. Todas as oportunidades eram aproveitadas para se fazer uma morna ou uma coladeira brejeira. Essa coladeira que devia evoluir na emigração e se transformar no arauto da luta pela Independência. Gregório Gonçalves foi na verdade aquele que melhor se serviu da coladeira para denunciar os problemas da sociedade. Cesária Évora foi a sua voz preferida de entre as várias que dirigiu e certamente a sua maior intérprete. Gregório Gonçalves fundou um conjunto musical que permitiu lançar vários cantores e músicos.

 

Anualmente se organizavam em Mindelo peças de teatro, nomeadamente nos clubes Castilho e Amarante onde se destacavam o Valdemar Pereira, Piano e os irmãos Evandro e Mário Matos, Germano Gomes, bem como espectáculos de dança e de   música que davam um colorido especial à ilha.  E muitos desses espectáculos se passavam no cinema Eden Park, graças à simpatia e a benevolência dos irmãos Marques da Silva. Desses jovens artistas, não se pode deixar de citar a bailarina Manuela de Nhá Concha, o dançarino  Mateus e o menino-prodígio Longino Baptista, a que já me referi anteriormente. 

 

A infância e a adolescência de Cesária Évora passaram-se ali no Lombo, onde fez a escola primária no Orfanato Mota Carmo que dava uma boa educação às jovens e onde também se aproximou de grandes músicos e compositores mindelenses.

 

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Nos fins dos anos cinquenta do século passado, ela começa a cantar com uma voz sensual, exprimindo um sentimento que vinha do fundo  da sua alma. 

 

Mas sem dúvida, uma pessoa vai ser determinante na educação vocal de Cesária: trata-se de Eduardo Rodrigues, conhecido por “Eduardo de Nhô Jom Xalino”, um excelente cantor e guitarrista, oriundo de uma família de músicos famosos do Mindelo, inclusive o próprio pai que fabricava os seus instrumentos musicais. Ora na rua de Moeda, ora na rua de Craca, ora no Lombo, ela era acompanhada pelo guitarrista Eduardo e amigos como o Bana, um outro grande cantor que deve muito ao Eduardo de Nhô Jom Xalino.

 

Certo, que esses anos cinquenta são anos de secas e emigração forçada para São Tomé. E é preciso referir que nessa época surgem  algumas mornas contestatárias  de Lela de Maninha (como “São Vicente de Longe”, cantada por Cesária Évora), mas também de Jotamonte e Abílio Duarte a denunciarem o abandono do Porto Grande pela potência colonial e a emigração forçada para São Tomé. Mas a criação musical que marca esta época é “Sodade” da autoria dum ex-emigrante  sãonicolense, que retrata as condições dolorosas desta emigração forçada. Na voz de Cesária esta morna deu a volta ao mundo, ficando indelevelmente ligada ao seu nome.

 

Perante essas circunstâncias, um grupo de Mindelenses decidiu sair clandestiamente de Mindelo à procura do pão para a boca das suas famílias e amigos. São dez estes apóstolos da emigração que desembarcam no porto de Roterdão, de onde vão lançar o apelo para a emigração para a Holanda e que recebe a maior adesão de todas as classes sociais em Cabo Verde. São eles que estão na base nas transformações económicas, culturais, sociais e políticas em Cabo Verde.

 

Um grande número de músicos, amigos e colegas de Cesária Évora, também seguem para a Holanda, como Djosa de Benarda, Frank Cavaquinho, Djosinha, directamente de Cabo Verde, enquanto que Luís Morais, Morgadinho, Toi de Bibia, Jean da Lomba e Bana passam por Dakar antes de chegarem a Roterdão. E ali nasce o conjunto “A Voz de Cabo Verde”, um verdadeiro sonho de Frank Cavaquinho.

 

Essa presença caboverdiana na Holanda e que mais tarde se estende a todos os cantos da Europa, divulga e promove a música caboverdiana  graças à criação da casa de Discos Morabeza. Com as remessas dos emigrantes e de novos instrumentos musicais, o panorama musical também muda em Cabo Verde. As actividades culturais no Lombo e outros subúrbios do Mindelo também  evoluem com mais música e serenatas permanentes. A voz da Cesária surge triunfante nessas noites caboverdianas e o seu nome ultrapassa os limites do Mindelo e das ilhas para chegar às comunidades caboverdianas. Começa por participar em gravações nas rádios e em manifestações culturais. Tudo o que exprime um sentir caboverdiano encontra na Cesária a sua verdadeira expressão.

 

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Preferindo cantar com os pés descalços, recebe do chão que pisa, com muito respeito, o ritmo e a cadência musical.  Foi ali no Lombo, em 1964, num pequeno estabelecimento comercial pertencente ao comerciante João Mimoso,  que Cesária Évora gravou o primeiro single de 45 tours. Porém, a voz pura e candente  teve de esperar mais de trinta anos para gravar novos discos que a levaram a conhecer todos os palcos do Mundo. Mas entretanto as suas gravações nas rádios de São Vicente (Radio Barlavento e Radio Club) iam passando de mão em mão até que foram reunidas num CD, intitulado Radio Mindelo, e que é o maior testemunho musical de Cesária Évora, na sua juventude.

 

Se os anos sessenta, os melhores da nossa emigração, permitem a Cesária viver da sua voz, com a Independência a morna vai ser marginalizada, face a uma ideologia que privilegiava as músicas de origem africana. O grande cantor Bana é obrigado a emigrar e abre um restaurante em Lisboa, onde a morna se refugia.  Ali será o  templo da morna em Portugal, onde todos os emigrantes de todos os cantos do mundo vão escutá-la.  E é Bana quem vai  convidar Cesária a deslocar-se a Portugal para gravar o seu primeiro LP.  As portas do sucesso estão agora abertas e ela pode regressar ao seu Mindelo, onde retoma a vida nocturna nos bares e nos espectáculos, com muito apoio dos emigrantes de férias em Cabo Verde que a solicitam em todas as noites caboverdianas.

 

Foi num desses espectáculos, em Mindelo,  que ela encontrou dois jovens emigrantes em França, Orlando Juff e José da Silva que a convidaram a fazer uma digressão na França e na Holanda junto das nossas comunidades, onde é bem acolhida é apoiada. É aquilo que podemos designar por uma viagem da periferia do Mindelo para a periferia de Paris. Canta nos fins-de-semana e durante a semana  visita as amigas. Recebe muitos presentes, leva encomendas para todos os amigos e não se esquecendo dos amigos mais pobres. Fazem-se colectas em seu benefício em todos os espectáculos,  para além do cachet que recebe normalmente. Tem o apoio das associações caboverdianas que organizam festas de apoio  onde vende os seus discos. Nenhum artista caboverdiano  recebeu tantas manifestações de solidariedade nas comunidades caboverdianas da França, da Holanda, Estados Unidos, nomeadamente.

 

Ninguém poderia imaginar o percurso que a sua vida iria conhecer a partir da França.  Primeiramente era  acompanhada do Luís Morais, que ao  tempo era professor liceal de música e aproveitava as férias para se deslocar à emigração caboverdiana para visitar amigos e fazer alguns espectáculos. Aqui em Paris ou na Holanda, o Luís recrutava outros músicos para acompanharem Cesária que interpretava músicas de autores caboverdianos da diáspora parisiense, como Morgadinho, Nando da Cruz e Teófilo Chantre, temas que serão incluídos em todos os álbuns editados pela Lusáfrica.

 

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Mas a partir de 1992,  com o  sucesso do seu quarto disco “Miss Perfumado” sob a direcção de Paulino Vieira, ela rompe com o amadorismo que sempre a distinguiu dos outros artistas caboverdianos, para assumir uma verdadeira carreira internacional que a leva a quase todos os palcos do Mundo, divulgando a música caboverdiana e dando também a conhecer Cabo Verde e a sua cultura.  Os jornalistas parisienses descobrem esta nova cantora que procuram assimilar a Billy King e que tem a consciência do seu percurso como cidadã caboverdiana e intérprete de mornas que defende em todo o mundo.

 

A sua simplicidade era impressionante. Apesar do sucesso e de melhores condições de vida contínuo fiel aos seus amigos aos quais passou a prestar a sua solidariedade.

 

Em França demonstrou sempre o seu reconhecimento aos músicos e amigos que a acolheram e ajudaram nos primeiros passos da sua carreira internacional. Sem dúvida foi a artista caboverdiana mais conhecida em França e no mundo, tendo aberto as portas a uma nova geração de artistas que aliás disputam a sua sucessão. Numa sondagem feita na região parisiense, mais de dois terços dos alunos conheciam a cantora caboverdiana Cesária Évora.

 

Quando entrou no ciclo das tournées não parava. Em 2007, ela adoece na Austrália e é operada das coronárias. E nesta altura, com mais de sessenta anos, ainda consegue manter o ritmo das tournées durante cinco meses sem parar. Uma jornalista do jornal Le Monde  interrogava se não era a altura de ela suspender a carreira, pois considerava que Cesária levava uma vida de muitos sacrifícios, o que já não facilitava qualquer progresso  nas interpretações.  A lenda viva de Cabo Verde queria continuar mas a doença já tinha tomado conta do seu corpo sem no entanto tirar-lhe a vontade de subir ao palco.

 

Em 2012 voltou a Paris para recomeçar um ciclo de tournées pelo mundo mas sem forças para continuar teve de ser hospitalizada. Mas quando se sentiu melhor quis voltar para a sua terra como se estivesse a escolher ir morrer na sua ilha, no hospital junto ao Lombo onde nasceu.

 

Teve enterro nacional. Nas comunidades  caboverdianas a sua morte foi sentida porque ela resumia em si todo o drama do homem caboverdiano, obrigado a expatriar-se para servir Cabo Verde. O povo do Mindelo e os artistas nacionais  prestaram-lhe as devidas honras acompanhando com as mornas que ela cantava o percurso da sua casa ao cemitério, onde diariamente chegam admiradores de todo o mundo com coroas de flores.

 

O Governo de Cabo Verde atribuiu o seu nome ao Aeroporto de São Vicente e uma estátua dela foi levantada junto ao Aeroporto.

 

A história continuará a interrogar-se sobre a personalidade desta figura mindelense, nascida no meio modesto e que viveu modestamente com o coração aberto para o seu povo. Ela fica, para além de grande cantora de mornas, um exemplo da solidariedade activa sem a qual a nação caboverdiana não teria forças para lutar para a sua sobrevivência. Heroína no verdadeiro sentido do termo, a nossa Cise Nacional foi o orgulho  também dos emigrantes que, graças ao seu exemplo de tenacidade  e patriotismo, a consideram como o porta-voz da nossa emigração ao fazer da temática da emigração o seu combate.

 

A história cultural de Cabo Verde inclina-se perante o percurso desta cantora mindelense  que com tenacidade defendeu a morna – expressão máxima da nossa caboverdianidade.

 

Luiz Silva

Paris, 30.Abril.2013

 

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5 comentários

De Joaquim ALMEIDA (Morgadinho) a 02.05.2013 às 09:32

A histoaria cultural de Cabo Verde , inclina-se perante à sua " emigraçao " e o percurso dos seus artistas , nacionais , que por motivos obvios deixaram o pais em busca de uma vida melhor , uma situaçao que lhes permetissem manter os seus sonhos e isso desde do século passado !...


A formaçao do Conjunto VOZ DE CABO VERDE , no ano de 1966 , em Roterdam-Holland , deve-se aos esforços e sacrificios no aspeto moral psicologico e sobretudo financeiro e isso gràças ao empenho e a luta de ( 5 garçons dans le vent ) ; Franck Cavaquinho , Luis Morais , Toy de Bibia , Jean a Lomba e Morgadinho ;


Nao devemos esquecer , " Djunga de Biluca "  Morabeza record a editora , os amigos Constantino e sobretudo o malogrado " Djosa de Bernarda " , que teve um papel importantissimo na fundaçao deste conjunto ; a presença da comunidade cabo-verdiana na Holanda estimulou bastante a sobrevivência do Conjunto Voz de Cabo Verde .


A existência do Conjunto VOZ DE CABO VERDE  , deve-se a UM SONHO COLETIVO !..


( Resisto ainda !... )


Um Criol na Frânça ;
Morgadinho ;

De Valdemar Pereira a 02.05.2013 às 10:52


Para um acontecimento como este sobre a "Diva de pés descalços", ainda por cima nas instalações da UNESCO em Paris, não podia faltar ao convite que me foi endereçado pela instituição internacional.
Para a Conferência houve gente !!!
Escusado serà dizer quão grande foi a satisfação de ver um pùblico interessado em ouvir uma dissertação de pessoa conhecedora da vida da nossa maior Embaixadora desde a independência de Cabo Verde (e não sô...). Césària não foi uma simples interprete da nossa mùsica mas uma representante do mundo lusôfono pois não cantou so em crioulo mas também no idioma de que servimos para criar a nossa lingua tão cantante e cristalina de que tanto nos orgulhamos e que fazemos para a sua perenidade.

Parabéns Luiz Silva e, como esperam, conto contigo para outras sessões culturais neste grande lugar, nomeadamente versadas sobre as glôrias da nosa Emigração. Pediram-te na minha presença quando pediram a minha participação. Logicamente não aceito jà que estou completamente desfasado (no tempo e no espaço) e sem qualquer Conjunto mas sei haver gente na Cidade Luz para actuações gloriosas.

De José a 02.05.2013 às 18:44


Luiz
Bravo, tu fais la une des blogues com este grande artigo e homenagem à Cesária

De Adriano Miranda Lima a 04.05.2013 às 22:00


Parabéns, Luiz, por este bom trabalho, que reflecte um profundo e especializado conhecimento da matéria em causa. É uma narrativa concreta e objectiva através da qual dilucidas o quadro social em que nasceu e encontrou o seu caminho a expressão musical que é muito nossa. Quando digo nossa, quero dizer mindelense, mas ao mesmo tempo quero significar cabo-verdiana, porque, por mais que tentem ofuscar a verdade, a música que projecta Cabo Verde no mundo é a originária da ilha de S. Vicente, a única que encanta e surpreende o mundo pela riqueza e singularidade expressivas que lhe conferem universalidade. Foste, e muito bem, à origem da nossa urbe para melhor se compreender o húmus em que haveria de brotar a flor que foi a esplendorosa voz da nossa Cesária, a mais exportada e a mais consagrada. Regada na periferia pobre da nossa cidade, ela transpôs-se para a periferia o mundo e galgou a eternidade

De Ariane Morais-Abreu a 19.12.2016 às 01:10

Que pensa a Cesaria, la onde esta, de todo este blabla chormingon pst hume ! E do elogiador ?! Como sempre a veracidade e objectivida (historica) ficam para os patavinas...

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